A palavra "egoísmo", no sentido de desejo, descreve um bem. Entretanto, no campo do comportamento, o mesmo termo passa a designar um mal: a imposição — o ato de alguém tentar tornar absoluta a própria vontade, colocando-a acima da vontade de todos os outros.
Este é o grande nó semântico da palavra "egoísmo": um único termo que abriga dois significados opostos. Eu precisava desatar esse nó antes de qualquer coisa; só assim seria possível esclarecer a causa do mal viver.
Mas como separar duas ideias tão distintas que colaram na mesma palavra? A solução que encontrei foi cunhar dois novos termos:
Outroísmo: para designar o mau uso do egoísmo — aquele que gera mal viver.
Autoísmo: para apontar o bom uso do egoísmo — o tipo de uso que gera bem viver.
Uma vez separados esses dois jeitos de lidar com o egoísmo, deixei de utilizar a palavra "egoísmo" e passei a utilizar apenas a palavra "desejo". É por isso que, ao longo de toda a literatura psicológica da 1ficina, você nunca encontrará o termo "egoísmo", só encontra a palavra "desejo".