Uma amiga trouxe a mãe para conversar comigo. Era uma pessoa tipo sabe-tudo que estava em um processo de depressão. Ela queria uma receita milagrosa para curar seu sofrimento. Tentei explicar que ela estava correndo por uma casa com as luzes apagadas, por isso estava trombando com as paredes. Mas ela não queria acender as luzes.
Acreditava que já estava iluminada. Quanto mais eu apontava para sua ignorância, mais ela ficava irritada comigo.
— Você sabe o que é ser humano? — ela me perguntou.
Respondi que sim, que minha profissão era explicar isso. Ela lançou um desafio: — Então, me explica o que é ser humano em uma frase. Respondi que iria fazer melhor: — Vou resumir em quatro palavras! A mulher ficou impressionada com minha proposta. Ganhei 100% da sua atenção. Para aumentar ainda mais o interesse dela, abri a mão mostrando quatro dedos e fui dizendo as quatro palavras enquanto contava cada dedo: — Bem, bom, caro e vero.
Claro que a mãe da minha amiga não entendeu nada. Mas pelo menos entendeu que não entendeu. Nunca mais falou uma palavra comigo. SEU GURU TEM CU? + Parte do trabalho de um guru é apontar para o seu cu, para sua ferida, para seu equívoco, para causa do seu sofrimento. Mas se seu guru não for humano igual você, se não tiver cu igual você, que competência ele tem para falar do cu seu?
Daí fica igual padre dando conselho de casamento. Minha sugestão é que você levante a batina do seu guru e confira a humanidade dele. Se ele tiver cu igual você, se for humano: ponto para ele. Mas não pare sua investigação no primeiro cu. Guru que é guru tem dois cus. O primeiro cu é o que faz dele humano igual você. O segundo cu é o que faz dele guru: iniciativa em ser o primeiro a colocar o cu na reta (ser praticante do que professa).
Afinal, não é preciso maestria para falar do cu filosófico, nem do cu alheio. Se você tiver um guru, investigue debaixo da batina dele. Se não tiver dois cus, tenha você: desista dele!