Durante o curso de educação moral e cívica, através dos comandos TEM QUE e NÃO PODE, você vai sendo programado para ser feliz. É bem simples ser feliz. Você não precisa nem pensar. Basta acreditar e seguir as receitas que seus professores lhe imputam.
Tem infinitos receitas para ser feliz. Tem receitas religiosas, atéias, quânticas, artísticas, políticas, modernas, pós-modernas, retros, brancas, pretas, amarelas, homossexuais, heterossexuais, capitalistas, comunistas, hippies, pró-culturas, contraculturas, agrícolas, urbanas, sertanejas, punks, norte americanas, sul-americanas, europeus, utópicas, distópicas, off tópicas, cibernéticas, analógicas e etc.
Cada receita diz exatamente o que você TEM QUE fazer e NÃO PODE fazer para ser feliz. Não tem erro. É só seguir a receita passo a passo.
"Mas por que ninguém vive bem se é simples assim?", você me pergunta. Além das mentiras sobre o que é possível e impossível, pelos dois motivos que expliquei no capítulo anterior:
1) Você tem vontade própria. E você quer realizar sua vontade e não as receitas que seus educadores imputaram em você. Ou seja, você quer autorrealização e não outrorrealização.
2) "Não pode" é diferente de "não deve". Então, tudo que é possível no egogame, pode. Você que decide se deve ou não, mas nada é obrigatório nem proibido, tudo é opcional.