Os órgãos começaram uma discussão sobre qual deles era o mais importante no corpo humano. Cada órgão dava suas razões para ser o mais importante.
— Eu sou o mais importante! — determinou o cérebro.
— Eu sou aquele que pensa em tudo e comanda todos os outros!
O coração tratou de reivindicar o primeiro lugar em importância.
— O mais importante sou eu! — disse o coração.
— Eu que bombeio o sangue para todos.
— Cala a boca, coração!
— Os rins se manifestaram e falaram em uníssono.
— Você não sabe o que está falando!
Somos nós que filtramos o sangue que você bombeia. Se não fosse por nós, você e o cérebro estavam lascados.
— Calma lá! — disse o intestino — Se não fosse por mim, quem iria eliminar aquilo que não serve para o corpo?
O mais importante sou eu! Então, o cu se manifestou: — Eu sou o mais importante! A gargalhada foi geral. O cérebro foi o primeiro a sacanear…
— Tá maluco? — disse o cérebro — Você só faz merda!
Todos riram. O cu ficou invocado com a humilhação e se fechou de um jeito que não passava nem agulha. Nada de dentro para fora e nada de fora para dentro. No primeiro dia, ninguém sentiu nada com a greve do cu. No segundo dia, o cérebro já não parava de pensar no que fazer. No terceiro dia, o intestino começou a entrar em colapso por causa da superlotação.
No quarto dia, o coração começou a disparar. No quinto dia, o corpo foi ficando amarelo e os órgãos, um a um, foram entrando em pane. E o cu ali, fechadinho. No sexto dia, já estavam todos implorando para o cu abrir só um pouquinho. O intestino chorava compulsivamente, o coração começou a sentir os efeitos da pressão, o cérebro entrou em paranoia, as pernas já não obedeciam, até que alguém gritou: — Ok, cu, você também é importante!
Agora alivia! O cu se abriu. E todos entenderam a interdependência.