Aconteceu o fato. Você foi grosseiro com uma pessoa que você gosta. Logo após o fato, você sente remorso. Imediatamente sua mente começa a produzir imagens sobre o fato. São dois tipos de imagens.
A primeira imagem é o registro fiel do que aconteceu: você sendo grosseiro. Vamos chamar essa imagem de imagem factual. A segunda imagem é o registro do que você gostaria que tivesse acontecido: você sendo gentil. Vamos chamar essa imagem de imagem desejada.
O remorso é o resultado do conflito entre essas duas imagens. Você fica sobrepondo a imagem desejada sobre a imagem factual e pensando: "Eu não deveria ter sido grosseiro, eu deveria ter sido gentil".
O equívoco é ficar só nisso, acreditando que a repetição disso irá apagar a imagem factual, ou seja, irá mudar o passado. Isso não acontece. E não acontece por um motivo pedagógico. A imagem factual precisa se contrapor a imagem desejada. Ambas precisam acontecer simultaneamente. Pra quê? Para que você aprenda a lição que o remorso está te ensinando e execute-a quando a mesma situação se repetir no futuro. No caso do exemplo, para que você seja gentil na próxima vez que interagir com essa pessoa e também com as pessoas em geral.
Passado e futuro são construções mentais que acontecem para um único propósito: aprendizagem. É através do contraste entre o passado indesejado e o futuro desejado que você aprende a produzir melhores realidades. Mas é preciso estar ciente que passado e futuro são ferramentas de aprendizagem, caso contrário, você acaba usando mal essas ferramentas. Ficar atolado no remorso é um desses casos de mal uso.