Imagine que você se juntou a um grupo de seres para jogar um jogo.
Esse jogo funciona com todos vocês se trancando numa cadeia.
Cada um é diferente do outro, só que ninguém sabe disso, pois cada um só sabe de si.
Vocês entram nessa cadeia, fecham a porta e não tem como sair.
O jogo é simples assim. Imaginou?
Interlocutor: Sim.
Sabe que jogo é esse?
Interlocutor: Não.
É exatamente essa experiência humana que você está tendo.
E por que é uma cadeia?
Interlocutor: Para não fugir.
E do que você fugiria?
Interlocutor: Dos outros.
Exato! Ser humano é se meter dentro de uma experiência de interação com os outros, sem possibilidade de fuga.
Esse é o simbolismo da cadeia.
Viver é conviver. E convivência é o tempo todo. Quer você goste quer não, quer esteja consciente quer não, você está preso na cadeia da convivência. Você não tem outra opção.
Conviver é obrigatório.
Sendo assim, pergunto: O desafio dessa brincadeira é conviver?
Interlocutor: Sim.
Eis o engano!
Conviver não é desafio, pois não é opcional.
Conviver é inevitável.
Logo, o desafio tem que ser outro. Qual?
Interlocutor: Boa convivência.
Isso mesmo!
Cada momento da sua experiência humana é um momento de convivência. Isso é inevitável. Mas você pode conviver bem ou conviver mal. E o desafio é conviver bem.
Entende o que isso significa?
Interlocutor: Não.
Uma vez que você entende que viver é conviver, e que só tem duas opções, conviver bem ou conviver mal, com o que mais você precisa se ocupar senão em conviver bem?
Todo o resto fica secundário.
Todo o resto é apenas o tabuleiro do jogo.
Todo resto é apenas cenário para seu único desafio: conviver bem.
E por que conviver bem é um desafio?
A dificuldade é que cada um dentro dessa cadeia tem um gabarito diferente, mas ninguém sabe disso. Cada um supõe que o gabarito que serve para si mesmo, serve para todos os outros. E cada um supõe isso, não por maldade, mas pela própria natureza da individualidade.
Você é um indivíduo porque você sabe só de si.
Ser um indivíduo significa que você não sabe do outro indivíduo. É por você não saber do outro que você não é o outro. Então, por não saber do outro, só lhe resta a possibilidade da suposição.
Você se baseia em si e supõe seu gabarito para o outro.
Se todos os indivíduos da cadeia tivessem o mesmo gabarito, ou se fosse possível um saber pelo outro, não haveria dificuldade, a brincadeira seria fácil.
Mas a brincadeira é desafiadora justamente porque é necessário que você viva de acordo com o seu gabarito e conviva bem com o gabarito do outro, no escuro, sem saber do gabarito do outro.
Esse é o desafio.
Vou resumir para concluir.
Viver é conviver.
Isso é inevitável.
Você opta entre viver autoísta ou viver outroísta.
Outroísmo resulta em má convivência.
Autoísmo resulta em boa convivência.
Jogo do controle é quando você opta pelo outroísmo.