— Ei, você!
— Quem!
Eu?
— Sim, você mesmo!
— Pois não!
— O que você está fazendo aí?
— Estou andando pela parede.
— Sim, mas você está andando na minha parede.
— Sim, sou uma lagartixa, ando pelas paredes.
— Você não entendeu!
— Não entendi o quê?
— Você está andando na minha parede.
— Sim, sou uma lagartixa, ando pelas paredes.
— Você é uma lagartixa ou uma anta?
— Sou uma lagartixa.
— Presta atenção!
Você está andando na miiiiinha parede! Entendeu agora? — Já disse, sou uma lagartixa, ando pelas paredes.
— Mas essa não é apenas uma parede, é minha parede!
Entendeu?
— Sinceramente, não!
— Essa parede é propriedade minha!
Eu sou dono dessa parede. Olha aqui a escritura com meu nome. Olha aqui o carnê do IPTU. Isso aqui não é casa alugada! Não é pensão! Não é a casa da mãe joana! Eu mesmo que construí essa casa, parede por parede. Comprei os tijolos, rejuntei, reboquei e pintei. Essa parede é minha. MINHA! Miiiiiinha! Minha, minha, minha!
M.I.N.H.A. Minha! Entendeu agora?
— Ainda não!
— Êta lagartixa burra!