Você não consegue ver seu próprio rosto diretamente.
Precisa de um espelho.
Com seu desejo primário é igual.
Você não consegue acessá-lo diretamente — não há como olhar para dentro e ver o desejo bruto, sem mediação. Você também precisa de um espelho.
Esse espelho é o objeto.
É através dos objetos — e só através deles — que você pode conhecer seu desejo.
Os objetos entram na sua história para lhe contar histórias.
Não sobre eles. Sobre você.
Objetos, em si mesmos, não são desejáveis nem indesejáveis. Uma maçã não é desejável. Um emprego não é desejável. Uma pessoa não é desejável. O que você deseja neles — o que te atrai ou te repele — é reflexo do seu desejo projetado na superfície do espelho.
Você não deseja objetos. Você deseja o que você vê neles. E o que você vê neles, é o que VOCÊ — particularmente — vê neles. Outras pessoas veem outras coisas no mesmo objeto.
Então, como todo espelho, o que você vê nos objetos lhe conta sobre você.
É assim que funciona a função espelho. E por isso você deve observá-la acontecendo. É através dela que você produz autoconhecimento.