Eu era fã do Professor Pardal. Meu brinquedo preferido na infância havia sido um laboratório de ciências. Atravessei o ensino médio acendendo velas para Newton e rezando equações de movimento retilínio uniforme. Meu sonho era trabalhar na Interprise e inventar o teletransporte. Contudo, lá estava eu, de bermuda e chinelo, cabelo ceboso, sentado no fundo de uma sala de aula de um curso de comunicação.
Como o Spoke foi parar no Woodstoke, não vem ao caso. O que importa é o que se sucedeu nesse dia. A professora de filosofia entrou na sala, fez chamada, desenhou uma fogueira na lousa, pegou na minha mão e começou a me conduzir para fora da Caverna de Platão. Pense numa pessoa em choque. Multiplica por mil. Eleva a n+1.
Era eu tendo a experiência mais alucinógena da minha vida.
— Ca-la-bo-ca pro-fe-sso-ra!
A-pa-ga essa fo-guei-ra! S(t)=s0 +vt! F=ma! ΔU=Q−W! E=mc2!
— Eu berrava.
Eu implorava. Mas ela não me escutava. Ela havia optado pela cicuta. Sem usar nenhuma tecnologia, nenhuma química, nenhuma física, sem sequer saber o que estava fazendo, a professora desmaterializou o universo. Não sobrou nada. Nem eu.