Por mais paradoxal que pareça, a motivação da violência é o amor.
O filme Sociedade dos Poetas Mortos exemplifica isso.
O pai ama o filho. O pai quer que o filho seja médico. Por conta disso, o que o pai faz? Coloca todo o amor dele no ato de obrigar o filho a ser médico.
Ninguém, ao violar a unicidade do outro, acha que está violentando o outro.
Quando você violenta a unicidade do outro, você acredita que está fazendo um bem ao outro. Acredita que está fazendo o melhor para o outro.
Você está equivocado.
Você não acha que está violentando seu filho. Acha que está educando ele.
Violência é um equívoco sincero, bem intencionado.
Mas é um equívoco.
Educação sem diálogo, imposta, sem entender que o filho é outro, diferente, com unicidade própria, não é bom para o filho nem para os pais.
Gera má convivência.
Não adianta educar um gato para botar ovos. Por mais amor que você coloque nessa tentativa, você estará violando o gato, violando a natureza dele.
A unicidade de cada um é a natureza de cada um.
Quem tem natureza de gato jamais vai botar ovos.