Então existe egoísmo do bem e egoísmo do mal?
Não. Bem e mal dizem respeito à forma como você lida com o desejo, e não à natureza do desejo. O egoísmo é a gasolina do carro; você é o motorista. É você quem conduz o seu egoísmo, e não o contrário.
Pense na energia elétrica. Ela não é boa nem má; é apenas energia. Você pode usá-la para ligar o chuveiro e tomar um banho quente, mas também pode utilizá-la para eletrocutar alguém — ou a si mesmo. A eletricidade não escolhe, não discrimina, nem se recusa a servir a qualquer um desses fins. Ela sequer sabe para que está sendo usada. A eletricidade é apenas aquilo que está sendo utilizado, não é o usuário.
O mesmo acontece com o desejo. Desejo é eletricidade, impulso, vontade. Seu desejo é sua natureza pulsante, manifestante. A forma como você realiza seu desejo, porém, é responsabilidade sua, porque você é a consciência que sabe, avalia e decide. Desejo não tem consciência, não sabe o que é bem e mal, certo e errado, melhor e pior. Por isso, não existe egoísmo do mal — o que existe é o egoísmo mal usado.