Sim, existe destino. Se não existisse destino, não existiria certo e errado, bem e mal, etc. Sim, existe arbítrio também. Se não existisse arbítrio, não existiria a possibilidade de você optar pelo que é certo ou errado, bem ou mal, etc. Entendido isso, surge a pergunta: como pode existir destino e arbítrio simultaneamente?
O problema com essa pergunta é que ela está baseada em um entendimento equivocado do que é destino. Pense em um jogo. Jogar é fazer escolhas para atingir um objetivo. Toda vez que você está jogando um jogo, você opta para atingir o objetivo do jogo. Seu arbítrio tem sempre essa única e mesma motivação, intenção, propósito, destino. Esse é o primeiro esclarecimento que resolve o conflito entre destino e arbítrio. Destino é objetivo. Então, destino e arbítrio não são opostos, são complementares.
O segundo esclarecimento é que destino não é algo que você está destinado a FAZER, destino é algo que você está destinado a SER. E que algo é esse? Qual é seu destino? O que você está destinado a ser? Aqui está o xis da questão que resolve seu destino: você está destinado a ser você (autorrealização). Esse é o destino de todos os seres.
Autorrealização é o jogo que todos os seres do universo estão jogando agora e sempre. Todo ser é predestinado a ser o que é. Todo ser se destina a si mesmo. Todo ser se destina à realização de si. Todo ser se destina à autorrealização. O destino da Mônica é ser Mônica. O destino do Cebolinha é ser Cebolinha. O destino da Magali é ser Magali.
Claro que a Mônica sendo Mônica, fará coisas de Mônica. O fazer se desdobra do ser. Mas o destino da Mônica não é fazer algo, como por exemplo, arremessar um coelho da Terra até a Lua. O destino da Mônica é ser Mônica. No que a autorrealização da Mônica vai resultar para a Mônica, em termos de acontecimento, é o que ela vai descobrir conforme for se autorrealizando.