Vocação vem do latim vocare: chamar.
Vocação é voz. Vocação é chamado.
Chamado para quê?
Para ser você.
Sua vocação é ser você. Só isso.
Seguir sua vocação é seguir a voz que chama você para ser você.
E essa voz é o seu sentimento.
Sentimento não é racional. Sentimento é irracional.
Então, para seguir sua vocação, você precisa colocar o racional a serviço do irracional — a cabeça a serviço do coração.
Essa é a dificuldade.
Você foi ensinado a fazer o oposto.
E tem feito o oposto a vida inteira.
Você acorda deprimido, se sentindo um lixo. Alguém pergunta como você está, e você responde:
— Tudo bem!
Você discorda de algo. Acha que está errado. Sente que está errado. Engole o sapo e faz o errado, mesmo a contragosto.
É o racional mandando no irracional. A cabeça calando o coração.
Seus educadores não educaram você para seguir o coração. Nem para ser único, singular, ímpar-feito.
Educaram você para caber no gabarito da normalidade.
Resultado: você perdeu completamente a habilidade de seguir o coração — de seguir sua voz interior, de seguir sua vocação.
E o pior vem agora.
Você quer encontrar sua vocação, mas acha um absurdo seguir seu sentimento.
É igual esperar uma ligação importante com o celular no silencioso.
O telefone toca a vida inteira. Você é que não atende.
Vocação não se encontra. Vocação se vive.
Ela não está escondida em teste vocacional, em curso, em guru. Está tocando agora, dentro de você.
E para viver sua vocação, o único jeito é fazer o racional se render ao irracional — ao sentimento.
Antes dessa rendição, é impossível viver a vocação.
Impossível.
Então, se você quer viver sua vocação, renda-se.
Coloque seu racional de joelhos diante do seu sentimento.
E diga amém.