A psicanálise tem um conceito que se chama castração.
A castração tem a ver com a ideia de falta.
Falta algo, não tem algo.
De um jeito bem simples, a castração psicológica é a dor que você sente quando seu desejo é barrado. É a dor de ouvir um não.
O que é castrado? O desejo.
Quem o castra?
O outro.
E aqui tá o ponto crucial: a dor de ouvir um não hoje em dia, seja de um chefe, de um cônjuge ou de um amigo, toca naquela ferida original. Ela reativa o eco daquela primeira rejeição, daquela saída do útero.
É por isso que o medo da rejeição tem tanta força.
Outroísmo submisso é a estratégia que você usa para fugir dessa dor da castração.
Para que o outro diga sim para você, você mente, fingindo algo para enganá-lo. Mas, na hora em que você mente, o primeiro a te causar dor é você, porque você está dizendo não para si mesmo.
Então, você mesmo se rejeita para não sentir a dor da rejeição do outro.
A dor da rejeição é uma dor terrível.
Lá no fundo, em sua memória, é a mesma dor que você sentiu ao nascer.
A dor de ter o paraíso e perdê-lo.
Você teme a rejeição porque já esteve em um estado de prazer total e foi castrado (rejeitado).
O seu nascimento é a sua primeira e mais profunda castração.