A laranjeira não tem escolha. Laranjeira dá laranja. Sempre deu. Sempre dará. Não existe, para ela, a possibilidade de autonegação — nenhuma crise existencial, nenhuma dúvida, nenhum momento em que olha para uma jabuticabeira e decide que preferia ser outra coisa. A laranjeira está condenada a ser ela mesma.
Você é diferente. Você tem arbítrio. E isso significa que você pode fazer algo que nenhuma laranjeira jamais conseguiu: pode se proibir de ser você. Pode passar a vida inteira sendo o que não é. Pode engolir o que sente, negar o que quer, seguir o mapa errado com dedicação total. Pode usar o sapato 35 até o fim — e chamar isso de virtude.
E aqui está a notícia boa e ruim ao mesmo tempo:
Livre-arbítrio é incorruptível.
Não existe força no universo capaz de te tirar essa liberdade. Nenhuma pessoa. Nenhuma instituição. Nenhum deus. O universo inteiro: absolutamente impotente diante do seu arbítrio.
Entende o tamanho disso?
Você é o ser mais empoderado que existe — porque nada, absolutamente nada, tem poder sobre sua escolha. E é exatamente aí que mora o problema. Porque se nada pode te impedir de viver bem — nada pode te impedir de viver mal. Tudo na sua mão. Tudo no seu arbítrio.
Então: livre-arbítrio — benção ou maldição?