As palavras "ego" e "egoísmo" são tão apedrejadas pela cultura religiosa e espiritualista que se tornaram sinônimo de demônio. No início dos trabalhos da 1ficina, quando explicava que egoísmo é natural, o repúdio vinha na velocidade da luz: "Você é uma pessoa esclarecida, como pode defender o egoísmo? Ficou maluco?". Essa trava cultural tornava quase impossível aprofundar qualquer conversa sobre autoconhecimento.
Para entender o tamanho deste mal-entendido, pense na sua respiração. Quando você puxa o ar, você não está sendo generoso e dividindo o oxigênio com o vizinho; você está garantindo a sua sobrevivência. Isso é egoísmo: cuidar de si.
Em algumas tradições, o demônio recebe o nome de egoísmo; em outras, de desejo. Mas egoísmo e desejo são sinônimos. Egoísmo é desejar. Você quer o seu próprio bem, o tempo todo. Isso é natural, universal e inevitável. Não é possível deixar de desejar, porque você é desejo. Sua natureza existencial é pulsante, desejante.
Egoísmo não é prejudicial; é benéfico, tanto para você como para os outros. uando você cuida de si, beneficia a si mesmo por se manter bem cuidado, e alivia todos os outros, que não precisam carregar o fardo de viver cuidando de você.
Egoísmo é desejo e desejo é energia. Sem egoísmo o universo seria como um parque de diversões sem eletricidade, completamente inerte. Egoísmo é a vitalidade que anima tudo no universo. No entanto, por pura herança cultural, a palavra gera repulsa — e essa barreira semântica representava metade do meu problema para conduzir os alunos pelo caminho do autoconhecimento.