A dor controla o pensamento. Essa é uma característica básica do funcionamento humano. Belisque uma parte do seu corpo, a orelha, por exemplo, toda sua atenção será direcionado para orelha e você começará a pensar em como solucionar a dor na orelha. Imagina Einstein com dor de dente. No que Einstein iria pensar, no tempo e no espaço, ou no dente que está doendo dentro da boca?
O ser humano é Einstein com dor de dente. Ou seja, é um ser muito inteligente, mas que só consegue pensar na dor que está sentindo. O ser humano não se interessa pelo estudo da natureza da realidade porque a dor humana não permite. A inteligência humana está dominada pela dor da fome, da sede, do frio, do calor, da doença, enfim, da sobrevivência.
E quando consegue escapar da dor da sobrevivência, é dominado pela dor da convivência: rejeição, decepção, frustração. Por isso o ser humano só pensa em ficar rico. O dinheiro é a promessa para o fim de todas as dores. E como se não bastasse o obstáculo da dor, ainda tem o obstáculo do academicismo. Ninguém precisa ser diplomado para investigar e entender a natureza da realidade.
Mas a crença acadêmica diz o contrário. O resultado disso, é que a coisa mais óbvia da experiência humana, a realidade, é completamente ignorada pelo experimentador: o ser humano. É como se o ser humano nascesse dentro de uma sala de cinema, assistisse um filme (que ele chama de vida) e morresse sem perceber o óbvio: que a vida era um filme.
Quem percebe isso durante o filme é chamado de gênio ou iluminado. Mas essa nomeação é apenas mais um obstáculo para manter o ser humano afastado do estudo da natureza da realidade. Todo ser humano é capaz de entender a natureza da sua realidade sem necessidade de professor ou escola. Basta observar e pensar o que está constantemente experimentando.
É isso que os seres considerados gênios ou iluminados fazem. É isso que você pode e deve fazer se quiser ir além da dor de dente. “Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu”. Fernando Pessoa ALÉM DAS REGRAS DO JOGO + Só existe jogo onde existe imprevisibilidade. Pense em qualquer jogo que você conhece e observe que ele é baseado na imprevisibilidade.
Mas onde está a imprevisibilidade de um jogo se todo jogo é um conjunto de regras fixas? Pegando o xadrez como exemplo, as pedras brancas não ficam pretas e as pretas não ficam brancas, isso é previsível. O quadriculado não muda, isso é previsível. Como as peças se deslocam também não muda, também é previsível. Se tudo em um jogo de xadrez é previsível, cadê a imprevisibilidade?
A imprevisibilidade transcende as regras do jogo. Como assim? Imagine que você decida jogar xadrez sozinho. O que irá acontecer? De um lado você mexe as peças pretas, do outro lado você mexe as peças brancas. Quem irá ganhar o jogo? Ninguém, o jogo ficará empatado. Por quê? Porque sendo que seu adversário é você mesmo, você consegue prever as jogadas de ambos os lados.
A imprevisibilidade está no arbítrio do jogador. O mesmo acontece com a vida. As regras do jogo são fixas e previsíveis. Todo dia os seres humanos acordam e continuam sendo humanos, exatamente como foram ontem e como serão amanhã. Mas as decisões que cada um toma no jogo não fazem parte das regras do jogo, fazem parte do ato de jogar que é o ato de decidir (arbítrio).
O arbítrio do jogador é a vida do jogo. Sem arbítrio não haveria jogo, só haveriam regras. Pense, por exemplo, que só existem sete notas musicais no jogo da música. Agora pense em quantas músicas diferentes existem feitas com as mesmas sete notas. De onde vem tanta diversidade e riqueza musical? Vem do arbítrio dos jogadores (músicos).
Contudo, entretanto, todavia e porém, não falta guru espiritualista e ignorante para espalhar o equívoco de que você não tem arbítrio. Escolha deles acreditar nesse equívoco e propagá-lo como verdadeiro, mas não precisa ser escolha sua.