O universo é como uma folha em branco: tudo é permitido. O feio e o bonito. O certo e o errado. A paz e a guerra. O círculo, o quadrado e o triângulo. O preto, o branco, o amarelo e o verde. O universo é regido por uma única lei: liberdade de expressão absoluta.
Em termos de comunicação, todos os seres do universo tem igual lugar de fala. Não existe censura no universo. Contudo, você é um ser humano e sabe que não é assim que a banda humana toca. Sua liberdade absoluta de expressão é garantida pelo universo, mas é censurada pela sociedade, inclusive com previsão de punição.
Por que e como a censura acontece? Essa é uma das perguntas que esse livro visa responder. Outra pergunta é: por que você permanece calado mesmo podendo falar e qual é o resultado pessoal e social dessa opção?
Boa leitura e muitas Euekas!
Todo computador possui um sistema operacional (OS). Um dos OS mais famosos do mundo é o Windows. Todos os aplicativos que você usa no seu computador, em última análise, são diferentes subsistemas do Windows.
O Word é um subsistema do Windows para escrever textos. O Media Player é um subsistema do Windows para assistir vídeos e ouvir música. O Explorer é um subsistema do Windows para navegar na internet.
São infinitos os subsistemas que podem derivar do sistema Windows. Mas, embora todos sejam feitos de farinha do mesmo saco, o Windows, cada um possui diferentes regras de funcionamento (programações).
Se você tentar abrir um arquivo de mp3 com o Word, por exemplo, não vai funcionar. As regras de programação do Word são incompatíveis com as regras de programação de um arquivo de mp3. Ambos são feitos de Windows, mas cada um é um subsistema diferente.
O mesmo acontece com todos os sistemas do universo. O universo é o sistema operacional fundamental e absoluto de onde derivam todos os sistemas do universo. O universo é como o Windows. Todo resto são subsistemas.
Sua natureza humana é um subsistema do sistema universal, é como se fosse um Word. Todos os seres humanos se comunicam porque são seres universais que estão usando um aplicativo compatível: a natureza humana.
A regra fundamental do OS universal é liberdade absoluta: tudo pode. Em outras palavras: não existe censura no universo. Mas esse fato leva a uma pergunta paradoxal:
Se tudo pode, se não existe censura no universo.
Sendo que a sociedade humana é um subsistema do universo.
Por que existe censura na sociedade humana?
A resposta é simples: porque tudo pode!
A liberdade absoluta possibilita tudo, inclusive a censura.
Assim como o Word censura arquivos mp3 e só permite arquivos doc, a sociedade humana também tem regras de censura e permissão. Essas regras sociais são conhecidas como leis. Existem dois tipos de leis na sociedade humana:
Leis jurídicas
Leis morais
Vamos estudar cada uma a seguir.
Viver em liberdade absoluta é viver livre de censura e obrigação. Porém, é muito perigoso. O outro pode matar você a qualquer instante e vice-versa. Além de perigoso, é muito estressante. Para você se manter vivo, você precisa estar sempre armado e dormir com um olho fechado e o outro aberto.
Durante muito tempo os seres humanos tentaram conviver em liberdade absoluta. Não havia lei. Cada um fazia o que queria. Cada um por si e morte para todos.
Nasce, briga, mata, morre… Nasce, briga, mata, morre… Nasce, briga, mata, morre… Até que os seres humanos concluíram que liberdade absoluta não estava bom para ninguém. Mesmo o ser humano mais forte do planeta poderia ser morto por um fracote armado.
Foi então que, cansados de viver igual em um filme de bang-bang, os seres humanos decidiram fazer uma coisa genial que só é possível de ser feita entre seres humanos. Sabe o quê? Explico a seguir.
Cansados de viver igual em um filme de bang-bang, os seres humanos decidiram fazer um ACORDO. Isso mesmo! Um acordo! Fica proibido matar. Simples, né? Por que ninguém pensou nisso antes? Também não sei! Meu palpite é que o ser humano tem uma preguiça extrema com esse tipo de atividade: pensar. Mas enfim, alguém venceu a preguiça mental e sugeriu: “Que tal fazermos um acordo? Ninguém mata ninguém. Quem quebrar o acordo, daí, sim, morre enforcado!” E foi assim que surgiu a primeira censura: não matarás!
O acordo verbal “não matarás” não funcionou, era muito volátil, se perdeu no vento. Para solidificar o acordo, Moisés escreveu a primeira censura na pedra e mostrou a assinatura de Deus. Mas também não funcionou.
“Algo precisa ser feito!”, pensou Rousseau, John Locke e Thomas Hobbes. A solução foi redigir a primeira censura em uma folha de papel, levar todos os seres humanos até um cartório, fazê-los assinar e reconhecer firma.
Claro que não foi assim, tô zuando, mas o principal é entender que foi maisomenos assim que nasceu o famoso Pacto Social, que você nunca assinou, aliás, que ninguém nunca assinou, mas todos obedecem como se tivessem assinado.
Leia abaixo uma explicação formal do pacto social:
A noção de pacto social vincula-se a uma linha de filosofia política que, no século XVII, buscava um contraponto às teorias de direito divino que justificavam o poder absoluto dos reis com base em uma suposta nobreza inerente. Este direito divino fazia dos monarcas a voz de Deus entre os homens…
Opondo-se à defesa intransigente do sistema monárquico que respeitava apenas, ou principalmente, a vontade de um rei, os jusnaturalistas, ou defensores do direito natural, apresentaram uma noção de governo e sociedade que não dependia e não decorria diretamente da tradição bíblica, mas sim, da natureza e da existência prévia dos homens às formações sociais então conhecidas na Europa…
O homem, assim, possuía uma série de direitos que nasciam com ele, inalienáveis, dos quais ele poderia abrir mão apenas em decorrência de um ato voluntário. O pacto social representava um ato voluntário, através do qual a sociedade dos homens era fundada, dando um fim ao estado de natureza em que antes se encontravam, estado este, em geral, retratado como perigoso e pouco produtivo…
A noção de pacto social rompia violentamente com as tradições de pensamento que sustentavam regimes despóticos, em especial os derivados do direito divino, já que atrelavam a soberania do governante (fosse quem fosse, rei, assembleia, conselho de anciãos, presidente) ao compromisso com o povo, que era a verdadeira origem da soberania e que, voluntariamente, havia escolhido abrir mão da sua liberdade natural para viver sob o domínio de um sistema político…
A primeira censura não evitou todos os assassinatos, mas diminuiu bastante. Entusiasmados com o sucesso da primeira censura, os seres humanos produziram milhares de outras censuras, que, juntas, se transformaram em uma bíblia social conhecida como legislação.
Leia abaixo uma definição jurídica de legislação:
O que é legislação?
Em resumo, a legislação de um estado democrático de direito é originária de processo legislativo que constrói, a partir de uma sucessão de atos, fatos e decisões políticas, econômicas e sociais, um conjunto de leis com valor jurídico, nos planos nacional e internacional, para assegurar estabilidade governamental e segurança jurídica às relações sociais entre cidadãos, instituições e empresas.
Censuras jurídicas não são chamadas de censuras, são chamadas de leis. A violação de uma lei é chamada de crime. Mas o que é preciso para um comportamento ser considerado um crime? Já pensou nisso? É preciso duas coisas:
Primeiro é preciso que esse comportamento seja possível, porque é impossível censurar um comportamento impossível. Por exemplo, é impossível censurar a caça de unicórnios, porque não existem unicórnios.
Segundo, é preciso proibir o comportamento colocando a palavra “não” antes dele. Veja alguns dos dez mandamentos, por exemplo:
Não matar.
Não pecar contra a castidade.
Não furtar.
Não levantar falso testemunho.
Não desejar a mulher do próximo.
Não cobiçar as coisas alheias.
Mas o simples fato de transformar um comportamento em crime, não evita a execução do comportamento. É preciso algo mais poderoso do que a censura para gerar obediência à lei. Esse algo é o castigo, a punição, a pena.
O motivo pelo qual você nunca roubou um banco, não é porque roubar é crime. O motivo é que será punido com prisão.
Resumindo, toda e qualquer censura só funciona por que sua violação resulta em posterior castigo. Censura sem previsão de castigo não produz obediência.
Leis jurídicas são explícitas. Roubo e assassinato são crimes e implicam em pena de prisão. Tanto as leis jurídicas como as respectivas punições estão publicadas na legislação e qualquer um pode pesquisar na internet. Não tem nada oculto ou implícito sobre as leis jurídicas.
Só que as leis jurídicas não são as únicas que censuram o comportamento e demandam obediência. Tem outro tipo de lei social, que não está publicada em lugar nenhum, que ninguém sabe de onde veio, que não faz parte da legislação, mas que também censura e pune os infratores.
Me refiro a lei moral. Por exemplo, não existe nenhuma lei jurídica que diga que é crime homem usar roupa cor de rosa. Contudo, se você for homem, provavelmente você nunca teve e jamais terá uma roupa cor de rosa. Por que não? Porque na sociedade masculina, usar cor de rosa é um crime moral.
Homem que é homem não usa cor de rosa. Essa é a lei moral masculina. Cor de rosa é proibido. Todo homem deve saber disso e qualquer homem que desobedeça essa lei, a punição é garantida. Sua reputação é jogada na lama e pisoteada por todos os outros integrantes. Isso na melhor das hipóteses.
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse.
Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Mannix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas. HQEH não diz "com licença" quando passa por uma mulher. Diz: "Cuidado, se não eu te piso!".
HQEH é o bastião da moral e dos bons costumes. E é por isso que ele é o pior inimigo da mulher. A mulher, segundo o HQEH, foi feita para ficar em casa, cuidando dos filhos e esperando o marido com a janta pronta e a cerveja gelada. E ai dela se não estiver! HQEH é um anacronismo. Mas ele resiste.
Não se sabe onde, nem quando, nem por quem a lei moral foi criada. Ela é transmitida de geração em geração, de pai para filho, de mãe para filha, através da educação e do exemplo. A lei moral é o que chamamos de cultura, tradição, costume.
Diferente da lei jurídica, que é imposta pelo Estado, a lei moral é imposta pela sociedade. O castigo para quem desobedece a lei moral não é a prisão, mas a exclusão, o deboche, o cancelamento, a perda da reputação.
A lei moral só tem poder porque existe uma crença coletiva nela. Se todos os homens decidissem usar cor de rosa amanhã, a lei moral masculina deixaria de existir. A força da lei moral reside na nossa obediência a ela.
Nós somos os escravos e, ao mesmo tempo, os carcereiros da lei moral. Nós nos vigiamos uns aos outros para garantir que ninguém saia da linha.
Está chocado o suficiente? Ainda não? Então segura essa! Uma sociedade tem as leis que merece. Isso está correto. Porém, nada pode estar mais errado do que: “Ninguém está acima da lei”. Acima da lei estão os criadores da lei. Isso é óbvio! Sem os seres humanos, as leis jurídicas e morais não existiriam, pois os seres humanos são os criadores de ambas. Só queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee…. Os seres humanos esqueceram disso. O resultado desse esquecimento é que os criadores se tornaram escravos das suas criaturas. Esse é o pior tipo de escravidão que pode existir, pois você é escravo da sua própria ignorância.
Sendo que a lei jurídica é derivada da lei moral, não há necessidade da lei jurídica existir para sempre, leis morais são suficientes. Por outro lado, a lei moral nunca acabará, pois crenças são pensamentos e o pensamento faz parte da experiência humana. Sendo assim, o que nós, seres humanos, podemos fazer para revolucionar a qualidade da nossa convivência mesmo com a permanência da lei moral?
Vou dividir essa resposta em três passos:
1° passo: despertar
2° passo: pensar
3° passo: trair
Explico cada passo a seguir.
O primeiro passo para uma revolução social é despertar a consciência. Enquanto nós, seres humanos, não estivermos conscientes que somos os CRIADORES e MANTENEDORES das crenças e as crenças são nossas CRIATURAS, vamos continuar escravos das nossas criaturas.
Uma crença é como uma lenda, não existe por si e também não se mantém por si, existe pela criação do pensamento e se mantém pelo arbítrio (decisão de acreditar). A lenda do Papai Noel, por exemplo, é uma criação do pensamento que só se mantém enquanto acreditamos.
Livre-arbítrio significa liberdade para acreditar. Por maior que seja a influência da lei moral, a decisão de acreditar é nossa. Livre-arbítrio é incorruptível. Não somos obrigados a acreditar no que a lei moral nos diz. E podemos alterar a lei moral simplesmente mudando de ideia. O heliocentrismo é o maior exemplo disso.
Durante muito tempo todos acreditavam que a terra era o centro do universo. A lei moral mantinha essa crença punindo qualquer um que discordasse com a pena de queimar na fogueira. Até que Nicolau Copérnico propôs mudarmos de ideia, dizendo que o sol era o centro e a terra girava em torno no sol. Conforme todos os seres humanos foram mudando de ideia, a lei moral foi sendo alterada. E é por isso que ninguém mais vai para fogueira por acreditar que o sol é o centro do sistema.
Crenças não são nossos donos, são nossos escravos, pois somos nós que as criamos e as mantemos. Por isso, o primeiro passo para uma revolução social, é voltarmos a ter consciência disso.
Quanto antes melhor!
Crença é feita de pensamento. E, muitas vezes, feita de pensamento equivocado. Então, o segundo passo para a revolução social é pensar o pensamento.
Imagine que lhe diga que 1+1=7. Estou lhe dando uma crença, um pensamento. Se você acreditar nesse pensamento sem analisá-lo, você estará acreditando em um equívoco. Equívocos produzem mal viver. Você vai viver mal.
Para que você pare de acreditar em um pensamento equivocado, você deve investigá-lo, analisá-lo, estudá-lo. Ou seja, você deve pensar o pensamento.
Foi isso que Nicolau Copérnico fez com o geocentrismo (crença de que a terra é o centro do universo). Era ilógico a terra ser o centro do universo. Os planetas e as estrelas se comportavam de forma muito estranha segundo essa crença.
Quanto mais Nicolau Copérnico pensava sobre o geocentrismo, mais ele percebia que essa crença estava equivocada. Até que ficou óbvio para ele que essa crença era um equívoco. O resto é história. Mas se Nicolau Copérnico não tivesse pensado a respeito do geocentrismo, como teria descoberto que era uma crença equivocada? Não teria!
Outro exemplo: a censura masculina sobre usar roupa cor de rosa. Por que nenhum homem pode usar cor de rosa? Qual é o problema? De onde vem isso? Por que você deve obedecer isso? Se você pensar no assunto, descobrirá que não precisa obedecer e talvez mude de ideia. Mas se não pensar, nada muda.
Por isso, o segundo passo para revolução social é pensar.
Quanto mais, melhor!
A lei moral é a ditadura da maioria. Nenhum homem pode usar cor de rosa porque a maioria dos homens acredita que homem não pode usar cor de rosa. É assim que funciona. Mas você pode desobedecer a ditadura da maioria. Você tem arbítrio para isso. Ao invés de continuar fiel à lei moral, você pode ser um traidor. Você pode comprar uma calça rosa, uma camisa rosa, um tênis rosa, bater uma foto e colocar no instagram.
A definição clínica de loucura é repetir o mesmo comportamento e esperar um resultado diferente. Nenhuma lei moral jamais irá mudar enquanto não for traída. É a fidelidade a uma lei moral que mantém essa lei moral funcionando.
Por isso, o terceiro passo para revolução social é a traição.
Quanto mais, melhor!
Jesus foi o maior traidor do mundo. Para começar, Jesus, que era judeu, traiu o judaísmo. Depois, traiu o antigo testamento, trazendo a boa nova. Depois, traiu o capitalismo, dizendo que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Depois, traiu os acadêmicos, chamando-os de doutores da lei.
A lista de traições de Jesus é interminável. Mas a pior traição, a traição mais imperdoável, foi trair o materialismo, dizendo que o reino de Deus não é desse mundo. Aí foi pacabá!
Você pensa em traição como algo errado e fidelidade como certo. Sim, faz sentido. Mas certo e errado são relativos ao objeto da fidelidade. Quando você é fiel, você é fiel a quê? Quando está traindo, você está traindo o quê? O que tem de certo em ser fiel a algo errado? E o que tem de errado em ser traidor de algo errado?
Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente. Jesus traiu a doença humana. Mas tinha muita gente interessado na doença. Tinha muita gente que se beneficiava da doença. Tinha muita gente que não queria que a doença acabasse. Imagine um mundo sem doença. Todo mundo saudável. Seria bom, não seria? Mas será que todos que vivem da perpetuação da doença iriam gostar disso?
A traição que Jesus propôs era gratuita, pacífica e simples: amar. Só que ninguém estava interessado. Então, os doentes se juntaram para eliminar o traidor da doença. Jesus foi cancelado na cruz. Fim do problema! Doença restaurada.
Mundo doente, mundo feliz. E ainda sobrou a festa de aniversário, dia 25 de dezembro, para os fiéis fazerem amigo secreto e encherem a pança.
Esse é um trecho do filme “Freud além da alma”. Mostra o mestre de Freud pedindo para ele trair o pensamento acadêmico da época. Imagina se Freud tivesse se negado a fazer isso, se tivesse decidido continuar fiel à lei moral da academia, provavelmente ainda estaríamos tratando problemas psicológicos com choques elétricos.
“O que mais devo fazer além dos três passos? Devo juntar um exército? Devo fabricar uma bandeira? Devo compor um hino?”, você pensa. Não! Você não precisa fazer mais nada. Os três passos da revolução social são radicais, atuam na raiz da estrutura social. O que está acima da raiz é efeito, não tem como se manter quando você atua na causa. Se você anseia por uma revolução social, seja radical. Pratique despertar, pensar e trair com o máximo de empenho e dedicação. Quanto mais praticar, melhor. Boa prática!
Não tem como. A traição social, por definição, gera uma reação da maioria. O castigo (exclusão, crítica, cancelamento) é a ferramenta que a sociedade usa para tentar te trazer de volta para a linha. A revolução acontece justamente quando você está disposto a pagar o preço da sua liberdade.
Para você, sim. A lei moral só tem poder sobre quem acredita nela ou teme o castigo. Quando você desperta e percebe que ela é uma criação humana, ela perde a autoridade interna. No entanto, ela continuará existindo como uma força externa exercida pelos outros que ainda acreditam nela.
Não. A revolução social, tal como proposta aqui, é um movimento individual com efeitos coletivos. Quando indivíduos despertam, pensam e traem as leis morais obsoletas, a "média" da sociedade muda. A sociedade só muda quando as peças que a compõem (nós) mudam.