Realidade é multimídia. Sei que isso parece estranho. Ou pior! Parece absurdo. O caminho para transformar esse absurdo em obviedade é praticar autociência. Por isso, ao invés de ler esse livro, use-o como apontamento para comprovar por si mesmo e em si mesmo o que está sendo explicado aqui. Boa leitura e muitas EUrekas!
Realidade é tudo que você experimenta. Essa é a definição experimental de realidade. A definição física não inclui você (experimentador), pelo contrário, a definição física exclui você. Realidade é tudo que você experimenta, é uma definição autocientífica, objetiva, direta e prática. Basta você pegar tudo isso que você está experimentando agora e sempre e escrever na legenda: realidade. Pronto! Ao fazer isso, você já sabe, agora e sempre, sem teoria, o que é realidade. Não tem complicação nessa explicação. Não tem nenhuma teoria. Tudo que você experimenta = realidade. Realidade = tudo que você experimenta.
Mas você também experimento imaginação. Imaginação também é realidade? Sim! Sendo que realidade é tudo que você experimenta. Sendo que você experimenta imaginação. Então, imaginação é realidade. É por isso que estamos partindo da definição de que realidade é tudo que você experimenta. Não tem definição mais abrangente do que essa. Tudo é tudo. Tudo é sem exceção. Estamos começando do tudo, sem exceção, para depois entrarmos nas particularidades desse tudo.
Realidade é tudo que você experimenta. Tudo é tudo, sem exceção. Só que esse tudo que você experimenta, que você está experimentando agora e sempre, é multimídia. Então, tudo é feito de tudinhos. Em outras palavras, realidade é feita de sub realidades. Essas sub realidades da realidade que você está experimentando agora e sempre são as mídias da realidade.
Realidade feita de sub realidade é como as mídias do audiovisual. Quando você está assistindo a um filme na televisão, você está experimentando duas mídias simultaneamente: a mídia da imagem e a mídia do som. Por serem simultâneas e sincronizadas, você tem a experiência de filme.
Realidade também é multimídia. Agora e sempre você está experimentando mídias simultâneas e sincrônicas que resultam nessa realidade que você está experimentando agora e sempre. Mas assim como você não percebe que um filme é multimídia (imagem e som), você também não percebe que sua realidade é multimídia. E por que não? O que falta para você perceber?
Falta discernimento para você perceber que sua realidade é multimídia. Você não tem clareza, lucidez, de que essa realidade que você está experimentando é feita de mídias em sincronia. Você não está consciente de que sua realidade é multimídia. Então, para decompormos sua realidade, o primeiro passo é dar nome aos bois, ou seja, nomear cada uma das mídias que compõem sua realidade. Conforme nomeamos as mídias, começamos a entender o que é uma, o que é outra, e no que uma difere da outra. Igual quando nomeamos as mídias de um filme com o nome de vídeo e áudio, as palavras vídeo e áudio são fundamentais para o entendimento e para diferenciação.
Uma das mídias dessa realidade que você está experimentando é a mídia da realidade objetiva. O que é realidade objetiva? É essa mídia que você chama de cinco sentidos. Você está agora e sempre experimentando visão, olfato, paladar, tato e audição. Você está experimentando constantemente o fluxo dessas cinco mídias. Junte essas cinco mídias em uma só e escreve na legenda: realidade objetiva.
Isso que você está vendo, o frio que você está sentindo, o som que você está ouvindo, é você experimentando a mídia da realidade objetiva. Quando você fala “o mundo”, você está se referindo à realidade objetiva. Uma câmera fotográfica fotografa a realidade objetiva.
Realidade objetiva é uma sub realidade dessa realidade que você está experimentando agora e sempre. Você tem experiência de objeto através da mídia da realidade objetiva. Essa cadeira, essa mesa, essa parede, esse computador, seu corpo, tudo isso é você experimentando a mídia dos sentidos, a mídia da realidade objetiva.
Só que você não experimenta objetos feitos de realidade objetiva. Por exemplo: pense em uma rosa. Sinta o cheiro dessa rosa. Segure no cabo da rosa e sinta os espinhos. Percebe? Você experimenta objetos mesmo sem estar experimentando a mídia da realidade objetiva.
Tem outra mídia que também possibilita a você ter experiência de objeto. Que mídia é essa? Você chama essa mídia de imaginação. E através dela você experimenta objetos e acontecimentos como se fosse a mídia da realidade objetiva, como se fosse a mídia dos sentidos. Quando algo é “como se fosse”, esse algo é uma cópia, uma imitação.
Quando você imagina um objeto, ou um acontecimento, não é mídia da realidade objetiva, mas é como se fosse mídia da realidade objetiva, então, é uma mídia de realidade simulada. Imaginação é outra sub mídia da realidade que você está experimentando agora e sempre, mas sendo que imaginação é simulação da realidade objetiva, sendo que imita a realidade objetiva, a partir de agora, vamos chamar a imaginação de mídia da realidade simulada.
Sendo assim, já temos duas mídias que compõem sua realidade. Tem uma mídia que é a mídia dos sentidos, nomeada mídia da realidade objetiva, e tem uma mídia que simula a mídia da realidade objetiva, que é a imaginação, e que vamos nomear de mídia da realidade simulada.
A mídia da realidade simulada (imaginação) não é como a mídia da realidade objetiva (sentidos), que você já nasce experimentando. A mídia da imaginação é construída. Como isso acontece? Acontece através das experiências de realidade objetiva.
Para simular uma rosa na imaginação, primeiro você precisa ter a experiência objetiva de rosa, você memoriza, e então, pode simular uma rosa na sua imaginação. Se você não teve a experiência objetiva da rosa, se nunca viu uma rosa, como vai conseguir simular na imaginação o que você nunca viu? Simular é imitar. Como imitar algo que você nunca experimentou?
Quanto mais experiências de realidade objetiva você tem, mais você está construindo potencial de realidade simulada, mais você está agregando repertório para criação de realidade simulada. Assim que você tem uma experiência de rosa-objetiva, já pode imaginar uma rosa-simulada. Assim que você tem uma experiência de melancia-objetiva, já pode imaginar uma melancia-simulada. Assim que você tem uma experiência de cavalo-objetivo, já pode imaginar um cavalo-simulado. E assim por diante.
Quanto mais experiência de realidade objetiva, mais repertório para produzir realidade simulada. Quando você tem experiência de realidade objetiva, o que essa experiência está fazendo com você? Está criando memória. Por isso, se eu falar uma palavra agora, você vai experimentar essa palavra através da mídia de realidade objetiva e depois vai conseguir simular a imagem referente a essa palavra. Por exemplo: beterraba. Se eu te perguntar qual palavra eu falei, você vai imitar o que memorizou e me dizer: beterraba.
Você é um gravador ligado. Tudo que está chegando em você pelo gravador, ou seja, pelos cinco sentidos, você está registrando e uma vez registrado, você consegue simular. Você não consegue não registrar, não memorizar. A produção de memória é um processo ininterrupto e involuntário.
Experimentar realidade objetiva traumatiza a sua memória. Assim como o som traumatiza a memória de um gravador, tudo que você experimenta da realidade objetiva, você registra, memoriza. Trauma não é negativo, nem positivo, trauma é impacto. A mídia da realidade objetiva impacta a sua memória e produz um trauma, um registro, um arquivo de memória.
Eis como se deu a gênese da sua realidade simulada: trauma, trauma, trauma, trauma…
Trauma é marca, registro, memória. Tudo que você experimenta gera memória. Viver é traumatizante. Viver gera memórias. Acontece que você usa a palavra trauma só para memórias desagradáveis, mas tanto memórias desagradáveis como memórias agradáveis são traumas.
Entendido isso, é importante perceber também que você precisa da memória para viver. Sem memória é impossível fazer qualquer coisa, pois tudo que você sabe é tudo que lembra.
Saber algo é reviver um trauma. Isso não é bom nem ruim, é fato. A forma como você lida com esse fato pode resultar em viver bem ou viver mal. Para lidar bem, é preciso lucidez, para lidar mal, ignorância basta.
A separação entre a mídia da realidade simulada e a mídia da realidade objetiva não é uma separação de fato, é uma separação de discernimento. De fato, o que você experimenta, é a mídia da realidade simulada indivisivelmente sobreposta à mídia da realidade objetiva. Sobreposição é uma coisa por cima da outra. A mídia da realidade simulada é a imaginação sobreposta à mídia da realidade objetiva.
Por exemplo: você experimenta na realidade objetiva a visão objetiva de uma pessoa andando pela rua usando uma camisa vermelha sem estampa. Só que você pode, através da sobreposição simulada, colar bolinhas brancas na camisa da pessoa, listras pretas, ou mesmo tirar a camisa da pessoa, tirar toda a roupa e deixar a pessoa pelada.
Esse discernimento era o que não acontecia com o John Nash, no filme Uma Mente Brilhante. O John Nash confundia realidade simulada com realidade objetiva. Ele não tinha o discernimento de que eram duas realidades sobrepostas. Ele fundia ambas as realidades em uma, ou seja, co-fundia (confundia). Ele vivia a realidade simulada supondo que era objetiva. Era essa confusão que atrapalhava ele viver bem.
Quando você dorme e sonha, você faz a mesma confusão do John Nash. Por isso você entra em pânico quando está em um pesadelo. Você supõe que o sonho seja mídia de realidade objetiva. Você só percebe que sonho é realidade simulada quando acorda. Nesse sentido, John Nash acordava, mas continuava sonhando.
Você também acorda, mas continua sonhando, pois continua imaginando. Só que você tem um bom discernimento de que são realidades sobrepostas. Se você perde esse discernimento, você passa a viver igual ao John Nash. E muitas vezes você perde. Não tão profundamente como John Nash, mas perde e vive mal.
Tem uma cena no filme Uma Mente Brilhante, em que o John Nash diz ao seu médico: “Eu só tenho que resolver um problema e resolver problema é minha profissão”. E o médico responde que no caso dele, o problema não era que ele tinha um problema, o problema era que ele não tinha ciência do problema que ele tinha.
O problema do John Nash não era uma gripe, um tumor, uma dor de dente, enfim, algo que ele tinha, o problema dele era algo que ele não tinha. O problema dele era falta de discernimento. Por isso ele não conseguia resolver.
John Nash é um caso gritante e extremo que mostra o que acontece quando você confunde realidade objetiva com simulada. Se fosse possível desligar seu discernimento, você viveria igual o John Nash.
Qual é a diferença entre a xícara e o penico? Se você não sabe, não me convide para tomar café na sua casa. kkkkk Pode rir, eu espero. Pronto? Bom, essa brincadeira, aparentemente boba, aponta para uma sabedoria profunda: sem discernimento é impossível viver bem.
Você não se dá conta disso porque discernimento é um processo mental que acontece de forma automática. Você só percebe que está sempre discernindo quando o discernimento falha. Por exemplo, quando você pega a colher para cortar o pão, ou veste a camisa do pijama para ir trabalhar. Quem nunca?
Discernimento é mais que importante, é questão de sobrevivência. Imagina se você fosse incapaz de discernir a diferença entre carro e árvore, você morreria atropelado. Mas discernimento entre objetos não é um problema. Você tem bastante competência nisso. O problema é outro tipo de discernimento. Me refiro ao discernimento psicológico. Assim como é fundamental discernir entre um carro e uma árvore, também é fundamental discernir entre amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, medo, inveja, ciúmes, ansiedade e todos os sentimentos e emoções que você experimenta ininterruptamente.
Mas esse também não é o principal problema. Tem um terceiro tipo de discernimento em que você fracassa muito e não percebe. É o discernimento entre realidade e imaginação. Você acredita que tem esse discernimento apurado, mas não tem. Se você tivesse, não vivia sofrendo por hipótese.
John Nash, do filme Uma Mente Brilhante, por falta desse tipo de discernimento, acreditava que era perseguido por uma organização secreta e que seus colegas e familiares faziam parte de uma conspiração contra ele. Isso afetou sua vida pessoal e profissional, levando a períodos de internação em hospitais psiquiátricos e à perda de sua posição acadêmica.
“John Nash era esquizofrênico”, você pode dizer, tentando se colocar para fora do hospício. Mas você também não conversa com seus pensamentos? Ora, pode ir para o hospício também! Todo ser humano é esquizofrênico, pois é natural da experiência humana viver simultaneamente em duas realidades: objetiva e simulada (imaginária). A diferença é que os lúcidos sabem que são loucos, enquanto os loucos acreditam que são lúcidos. Resultado? Os lúcidos tomam café em xícaras e os loucos em penicos.
Se você anda tomando café em penico, não se desespere, tem solução! Até John Nash conseguiu vencer sua esquizofrenia. Discernimento é como um músculo: quanto mais você exercita, mais seu discernimento se desenvolve. Então, bora! Todo instante é uma oportunidade de prática.
John Nash decidiu que iria encontrar uma solução para sua falta de discernimento. E encontrou. O filme Uma Mente Brilhante mostra qual foi a solução. Tem uma cena no filme que ele diz para a esposa que a criança imaginária nunca envelhece. O que ele entendeu nesse momento? Ele entendeu que a mídia da realidade simulada funciona de forma diferente da mídia da realidade objetiva.
Imagine que você está segurando uma rosa na mão. Você está experimentando essa rosa simulada na sua mão simulada agora mesmo. Mas como é que essa rosa se fez presente na sua mão? Como chegou até você? Você plantou a rosa? Regou? Foi até uma floricultura? Comprou a rosa? Pagou com dinheiro? Não! Nada disso. Eu falei, você imaginou e a rosa-simulada está aí na sua mão-simulada, como por mágica.
Na mídia da realidade objetiva, o funcionamento é diferente. Para você segurar uma rosa na sua mão, tem todo um processo objetivo e temporal de realização. Você precisa plantar a rosa, regar, esperar crescer, colher e daí segurar a rosa na sua mão. Ou então, você precisa sair de casa, caminhar até a floricultura, comprar a rosa, pagar com dinheiro e daí segurar a rosa na mão.
Realidade objetiva e realidade simulada funcionam de forma diferente. É percebendo isso que você consegue separar uma da outra, embora você esteja sempre experimentando ambas sobrepostas.
O bicho-papão dentro do armário só existe na mídia da realidade simulada. Quando você abre o armário e vê o armário vazio, o que aconteceu? O bicho-papão sumiu? Não, continua no mesmo lugar de sempre, na mídia da realidade simulada. O que sumiu foi o equívoco, a suposição de que o bicho-papão é realidade objetiva.
Agora que já separamos realidade objetiva de realidade simulada, vamos juntar ambas por semelhança. O que realidade simulada e realidade objetiva têm em comum? A resposta é: ausência de significado.
Pense em um filme, o que você vê na tela é só imagem, não tem significado em si. Realidade objetiva e realidade simulada são apenas significantes. Quando você experimenta uma imagem, você está apenas experimentando a imagem. Quando você escuta uma palavra, você está apenas escutando um som.
Significante não tem significado em si. Essa é uma das coisas mais difíceis de discernir, porque quando você experimenta um significante (objetivo ou simulado), simultaneamente você experimenta também um significado. Por exemplo, quando você imagina uma rosa, junto com a imaginação você experimenta um significado também. Você tem sentimentos em relação à rosa, tem valores, tem gostos, tem preferências, etc. Tudo isso são significados.
Por que isso acontece? Porque realidade é multimídia. Junto com a experiência dos significantes você também experimenta os significados.
Realidade objetiva e simulada é sua experiência de objeto. Mas atenção! Pois tem experiência “de” objeto e tem experiência “com” o objeto. Experiência “de” objeto é quando você toma consciência do objeto. Só isso. Experiência “de” objeto é significante. O significado que você experimenta e que supõe estar nos objetos, não está nos objetos, está associado aos objetos através da mídia dos significados.
Pense no seu marido, ou filho, ou irmão. Você experimenta um significado junto com a imagem deles, não é? A mídia do significado é sua experiência “com” o objeto. A mídia do significado são os valores pessoais que você tem associado aos objetos. Sendo que você experimenta significados, sendo que realidade é tudo que você experimenta, então, significado também é realidade.
Vamos chamar a mídia do significado de Realidade Significativa. E vamos definir o termo.
Realidade Significativa é a mídia de valor que você associa aos seus significantes.
Assim, já temos discernidas três mídias com os seguintes nomes:
1) Mídia da Realidade Objetiva
2) Mídia da Realidade Simulada
3) Mídia da Realidade Significativa
Da mesma maneira que a realidade simulada é construída em você através da memória, a realidade significativa também. Viver é traumatizante. Sua memória é marcada tanto com os significantes como com os significados. A diferença é que realidade simulada é feita da sua memória DE objeto e a realidade significativa é feita da sua memória de interação COM o objeto. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (objetiva ou simulada) você também tem lembrança de interação COM o objeto. Vamos entender isso.
Fogo é um objeto, é um significante. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE fogo (objetiva ou simulada), você também tem lembrança de interação COM o fogo. Essa lembrança de interação pode ser, por exemplo, se queimar, e consequentemente, a conclusão “fogo é ruim”. Fogo é objeto, significante. Ruim é significado, resultado da sua interação com o fogo.
Tem outros tipos de significados e variantes de significados que você pode criar. Por exemplo, sua interação com o fogo pode ser de calor numa noite de frio. Daí você cria o significado “fogo é bom”. Sua interação com o fogo pode ser de iluminar um ambiente escuro. Daí você cria o significado “fogo é útil”. E assim por diante, você pode ter vários significados para o mesmo significante.
Em um dos mais famosos textos do filósofo Platão, intitulado Hípias Maior, Sócrates questiona seu interlocutor sobre a beleza. A pergunta de Sócrates é: o que é o belo? O texto termina sem resposta objetiva. E por que? Simples! Porque beleza é significado e significado é sempre subjetivo, pessoal, relativo, particular, nunca é objetivo.
Por mais estranho que possa parecer, não existe beleza no mundo, só existe mundo. Objetivamente falando, uma flor não é bela, uma flor é uma flor, o canto do rouxinol não é bonito, o canto do rouxinol é o canto do rouxinol. Não existem significados na realidade objetiva, só existem significantes, formas, objetos. Os significados que você vê constantemente no mundo, não estão no mundo, é projeção da sua memória pessoal.
Se você ainda não está consciente disso, se você ainda confunde significante e significado, tem um jeito muito fácil de você sair da confusão. Pegue seu telefone celular e ligue a câmera. Tudo que você conseguir fotografar, está no mundo, é significante. Tudo que você não conseguir fotografar, está dentro da sua cabeça, é significado.
Se você considera o Elvis Presley bonito, pegue o celular e tente fotografar a beleza do Elvis Presley. É impossível. Você só conseguirá fotografar o Elvis Presley, pois beleza é significado, não é significante. Se você considera errado roubar, pegue o celular e tente fotografar o errado. É impossível. Você só conseguirá fotografar pessoas roubando, pois errado é significado, não é significante. Se você considera chocolate gostoso, pegue o celular e tente fotografar o gostoso. É impossível. Você só conseguirá fotografar bombons e barras de chocolate, pois gostoso é significado, não é significante.
É por isso que pessoas diferentes veem significados diferentes em um mesmo objeto (significante), o significado não está no objeto, está dentro da cabeça das pessoas. Entendido isso, para viver bem, é fundamental estar consciente também que o significado que você projeta no mundo está intimamente ligado a cultura em que você foi criado. Uma vaca, por exemplo, significa religião para um indiano, mas significa churrasco para um brasileiro. Qual é o significado certo? Qual é o significado objetivo? Qual é o significado absoluto? Nenhum. Não existe significado objetivo e absoluto, significado é sempre subjetivo e pessoal.
Vaca não é religião, nem churrasco. Vaca é vaca. Mas na cultura indiana uma vaca significa religião e na cultura brasileira uma vaca significa churrasco. Então, pessoas que foram criadas na cultura indiana irão projetar o significado de religião e idolatrar a vaca, e pessoas de cultura brasileira irão projetar o significado de churrasco e comer a vaca.
Até aí, tudo bem! Projetar o significado da cultura em que você foi criado é natural e inevitável, não tem nenhum mal nisso. O mal viver começa quando você ignora que o significado projetado é projeção sua. Quando você ignora isso, você cai no equívoco de acreditar que o significado que você está projetando está objetivamente no mundo, logo, todas as pessoas devem ver o mesmo significado que você está vendo. Não bastasse isso, o outro, também ignorante do processo de projeção de significado, vai fazer o mesmo com você, tentando impor o significado dele a você. Entende como a convivência ignorante do processo de projeção do significado se torna uma conversa de surdo mudo?
O filme Silêncio mostra isso. Para os portugueses, a cruz é sagrada, pois eles foram criados em uma cultura cristã. Para os japoneses, a cruz é demoníaca, pois eles foram criados em uma cultura budista. A cruz é sagrada ou demoníaca? Nem sagrada, nem demoníaca. A cruz é cruz. Sagrado e demoníaco são projeção de significado. Se você considera a cruz sagrada, pegue o celular e tente fotografar o sagrado. É impossível. Você só conseguirá fotografar uma cruz, pois sagrado é significado, não é significante.
Lourenço, o protagonista do filme O Cheiro Do Ralo, ganha a vida comprando e vendendo coisas usadas. Cada cliente que chega em seu estabelecimento coloca uma coisa em cima da sua mesa e conta uma história para valorizar o produto. Só que a história da coisa não está na coisa. Tem uma cena em que Lourenço deixa isso explícito. Um cliente chega com uma caixinha de música e conta que era da falecida mãe e que ela usava a música para fazer ele dormir. Lourenço pega uma caneta e diz ironicamente: “Escreva a história da sua caixinha nesse papel que coloco dentro e vai virar caixinha com historinha”.
Lourenço não faz isso para explicar o funcionamento do sistema significativo humano, mas é isso que ele está fazendo. Coisas são só coisas. Tudo que você vê de significado em uma coisa, não está na coisa, está em você. Não é visão, é projeção da memória.
Olhe para um objeto, qualquer um. O que você está vendo? Você está vendo o objeto, só isso, nada além disso. Isso é visão. Quando você nomeia o objeto, não é mais visão, é projeção da memória. Vamos supor que o objeto observado seja uma caneta. Cadê a caneta no objeto? O objeto tem características, é cilíndrico, comprido, pontudo, etc. Mas cadê a característica caneta no objeto? Não existe. Por que não? Porque caneta é o nome do objeto e nome não é visão é projeção da memória.
Assim como os clientes do Lourenço, você também tem uma historinha para tudo que vê. Tudo, tudo, tudo. Absolutamente tudo. E assim como os clientes do Lourenço, você também não percebe que essas historinhas não estão nos objetos, que são projeções da sua memória.
Como evitar a projeção da memória? Impossível. A projeção da memória acontece subconscientemente, logo, automaticamente. O que você pode fazer é ficar consciente da projeção da memória acontecendo. Isso, sim, é possível e muito benéfico, pois evita conflitos de convivência.
As coisas têm o valor que a memória dos indivíduos diz que tem. Por isso que a caixinha de música vale muito para o cliente e não vale nada para o Lourenço. A memória do cliente está projetando a mãe amada na caixinha, a memória do Lorenzo está projetando o caminhão de gás. Cada ser humano tem uma memória diferente, logo, ninguém projeta o mesmo significado nas coisas.
Somos 8 bilhões de seres humanos no planeta, então, são oito bilhões de significados divergentes para cada objeto. Mas até aí, tudo bem. É assim mesmo que funciona, não tem como as projeções de memória serem iguais e o fato de serem divergentes não é problema nenhum. O problema é a ignorância desse funcionamento. Quando você ignora que o significado que você está vendo nas coisas não estão nas coisas, está em você, que é uma projeção da sua memória, você vive mal e convive mal porque parte da premissa equivocada de que o seu significado pessoal está no objeto e é absoluto.
O mau cheiro não está no ralo, está em você. O ralo é o ralo. O cheiro é o cheiro. Mau é significado projetado pelo observador. Você vive mal e convive mal porque parte da premissa equivocada de que todos os seres do universo estão vendo no objeto o mesmo significado que sua memória está projetando sobre ele. Memória é pessoal. Logo, significado é sempre pessoal, nunca absoluto.
Por fim, coisas são só coisas, mas funcionam como espelhos quando você vivencia conscientemente o processo de significação acontecendo. Quanto mais você faz isso, mais autoconhecimento pessoal você produz. Quanto mais autoconhecimento, mais você vive bem.
Significante e significado juntos formam uma estrutura mental. Essa estrutura é o que você chama de crença. Crença é uma memória feita de duas memórias: significante e significado. Crença = significante + significado.
O que a crença faz? Qual é o poder da crença? A crença possibilita você PREVER o futuro. Essa que é a função das crenças. Possibilitar que você possa atribuir significado aos objetos com os quais você interage e assim prever e optar pelo tipo de interação melhor para você.
Por exemplo, é através da crença, “fogo queima, queimar é ruim”, que você pode prever e optar por não colocar a mão no fogo. Se você não tivesse crenças, você não poderia prever que “fogo queima, queimar é ruim”, e assim, não poderia optar pela melhor opção de interação com o fogo.
Crenças são explicações que nascem da ignorância e só sobrevivem na ignorância. Você só acredita quando ignora. Quando é óbvio, acreditar é impossível, pois a própria evidenciação é a explicação.
Quando você é criança, por exemplo, você ignora como nasceu. Então, você vai perguntar sobre seu nascimento a alguém que, segundo sua memória, já existia antes de você existir. Você pergunta aos seus pais: “Como eu nasci?”.
Seus pais decidem que não é apropriado lhe apresentar ao óbvio ainda e respondem: “Uma cegonha trouxe você”. Para reforçar essa crença, eles lhe mostram uma linda ilustração. Você acredita por ignorar o óbvio.
Passado algum tempo, se você é homem, você introduz o óbvio em sua parceira, ou então, se você é mulher, o óbvio é introduzido em você. Nove meses de gestação. Nasce seu filho. Morre a crença na cegonha.
Ter crenças ajuda você a viver bem, pois ajuda você a lidar bem com os objetos. Saber que fogo queima, por exemplo, te ajuda a lidar bem com o fogo (conviver bem com o fogo). Mas então, por que as crenças são tão condenadas como se fossem um problema? Qual é o problema das crenças?
Uma crença é problemática quando é uma crença de correlação equivocada. Se você acreditar que fogo molha, por exemplo, essa crença é uma crença equivocada. Você vai tentar tomar banho com fogo e vai se queimar. Se for uma crença de correlação correta, não tem problema. Se for de correlação incorreta, daí ao invés de te ajudar a viver bem, vai te fazer viver mal.
Se você acreditar que dentro do armário tem um bicho papão, essa crença não vai te ajudar a viver bem. Se você acreditar que dentro do armário tem roupa, essa crença vai te ajudar a viver bem.
Vamos agora à pergunta fundamental. Caminhamos até aqui para responder essa pergunta: “Como é possível produzir uma crença equivocada?”. Através de informação não comprovada. Eu falo para você que fogo molha. Você simula essa experiência de que fogo molha. E passa a acreditar que essa sua experiência simulada é objetiva. Se suas crenças fossem criadas a partir da sua própria experiência, haveriam menos equívocos e menos mal viver. Ou seja, você vive mal porque suas crenças não são suas.
Como voltar a viver bem? Caindo do cavalo. Desmascarando suas crenças e percebendo que não são suas, que não foram criadas a partir da sua própria experiência. Dando a si mesmo o que está faltando: a experiência, o óbvio. Por exemplo, se você acredita que “fogo molha”, basta você colocar a mão no fogo e pronto! Fim do equívoco. Fogo não molha, fogo queima. Óbvio.
Mostrando a si mesmo que essas crenças são o que são: crenças. O problema é você dar as crenças o status de fato, quando, de fato, para você, são apenas crenças (teorias). E não precisa ser uma teoria tabu como o inferno. Vamos supor que você me diga que gosta de chá de boldo. Para você é fato, para mim, é crença. Não acredito, nem desacredito, considero. Se dou ao que você está dizendo o status de fato, daí é problema, porque você pode estar mentindo.
Como matar minha família igual você matou a sua?Isso não é algo que você faz, é resultado do despertar da consciência. Quando você desperta para o óbvio de que você é um ser humano convivendo com outros seres humanos, o que você chama de família, desaparece. Para mim, é óbvio que meus familiares são seres humanos brincando de ser humano assim como eu. Quando você ainda não despertou fica parecendo que isso é ruim, que é o fim do mundo, que é o fim da convivência, mas é justamente o oposto, só a partir daí você finalmente começa a ver o outro como outro e conviver com o outro como outro. Antes disso, o outro não existe. O que existe é mãe, pai, filhos, esposa, chefe, cliente, patrão, empregado, cachorro, planta, mesa, etc… E o outro? Não existe!!! Como pode existir o outro quando você ignora a si mesmo? Não pode. É impossível.
Como perceber melhor a realidade objetiva?Colocando o foco do seu saber nos cinco sentidos. Observe a visão. Observe o paladar. Observe a audição. Observe o tato. Observe o olfato. Quanto mais você praticar ficar consciente dos seus sentidos, melhor você vai perceber sua realidade objetiva.
Como saber quais crenças criei e quais são emprestadas?É impossível saber, mas também é irrelevante. Que diferença faz se foi você que colocou açúcar no seu café ou o café já veio adoçado. É irrelevante. O que importa é que você queria seu café doce e doce ele está. O mesmo com as crenças. Não importa de onde suas crenças vieram, o que importa é se elas são crenças verdadeiras ou falsas, se elas são crenças que lhe ajudam a viver bem ou que lhe fazem viver mal. Só isso importa.
De onde você tirou essa ideia de significante e significado?A primeira vez que ouvi essas duas palavras foi na faculdade de comunicação, numa matéria chamada semiótica, que todo mundo levava bomba. Eu quase levei bomba também. A professora explicava, explicava, mas a explicação não entrava na minha cabeça. Achava que semiótica era uma grande besteira. Quando despertei a consciência existencial, os termos “significante e significado” encaixaram feito luva na minha EUreka.
Na semiótica, o conceito de significante é usado apenas para símbolos e signos de comunicação. Na 1ficina, extrapolei o conceito para toda realidade objetiva e simulada. É difícil discernir o significante e o significado na concepção da semiótica, então, é mais difícil ainda na concepção da 1ficina, que extrapola o conceito e o explica como parte da realidade multimídia.
Em que ajuda nomear as mídias?A nomeação ajuda na prática do discernimento. Imagine que você está bebendo um suco agridoce. Você não entende aquele gosto, daí o barman te explica: “Isso é uma mistura de suco de limão, que é ácido, e açúcar, que é doce, por isso o gosto agridoce”. O barman não passou uma faca na bebida e separou o ácido do doce, mas ao dar nome aos sabores, ajudou você a discernir que agridoce = ácido + doce. Analogamente, quando esse livro dá nome aos “sabores da realidade”, o nome não está lhe dando o discernimento, isso é impossível, mas está lhe ajudando a discernir.
Em que ajuda nomear as mídias?Não! Você vive mal devido à qualidade dos seus condicionamentos. Quando uma programação mental está em desacordo com sua unicidade, você vive mal, mas quando está em acordo, você vive bem.
Programação mental é ferramenta para você viver bem. Agora, como você utiliza sua ferramenta é opção sua. Ferramenta não tem consciência, não sabe o que é certo e errado, então, não tem responsabilidade. Quem sabe o que é certo e errado para você é você, usuário da ferramenta.
Responsabilidade de uso é do usuário. Assim como você é o responsável por instalar e desinstalar os programas no seu computador, você também é o responsável por instalar e desinstalar suas mentalidades.
Mentalidade é memória?Você já viu uma construção feita com peças de lego? Memórias são peças de lego. Mentalidades são construções feitas com essas peças de lego. Sem memória você não tem repertório para construir uma mentalidade. Suas memórias antecedem e são o alicerce das suas mentalidades.
Vamos supor que você tenha uma mentalidade vitimista. Como essa mentalidade nasceu em você? Como ela foi construída? Foi construída através da memorização de experiências em que você se sentiu vitimizado.
Tem um filme chamado “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” em que o personagem tenta eliminar um comportamento usando uma máquina de apagar memórias. Se isso fosse possível, se você pudesse apagar todas as memórias que produzem sua mentalidade vitimista, por exemplo, você deixaria imediatamente de ser vitimista. Mas não é possível apagar memórias. O que você pode fazer é ficar consciente delas, analisá-las e deixar de acreditar nelas, mesmo que elas continuem caminhando ao seu lado.
Minha realidade são minhas crenças materializadas?Sua realidade é seu arbítrio realizado. Só que você opta usando seu cardápio de crenças. Então, sim, faz sentido você pensar que sua realidade são suas crenças realizadas.
Para viver bem devo ficar apenas na realidade objetiva?Isso é impossível. Não tem como você ficar só na realidade objetiva porque realidade é multimídia. Para viver bem você deve ficar consciente de que realidade é multimídia. Você vive mal quando confunde. Para viver bem, saia da confusão, para sair, fique consciente.
Por que no sonho posso voar e na realidade objetiva não?Porque são mídias diferentes e funcionam diferente.
Por que todo ser humano é esquizofrênico?O termo “esquizofrênico” é clinicamente atribuído a pessoas que confundem realidade simulada com realidade objetiva, só que todos os seres humanos fazem essa confusão em maior ou melhor grau. Se todos confundem, então, todos são esquizofrênicos. Porém, só é clinicamente considerado esquizofrênico quem faz essa confusão em alto grau. Assumir a esquizofrenia é o primeiro passo para nos curamos dela. Foi isso que John Nash fez. Primeiro ele negou a esquizofrenia, mas negar não ajudou em nada, só piorou. Ele assumiu e procurou um caminho para não cair na confusão. Assim que encontrou o caminho, começou a viver bem. E o caminho é a auto-observação. John Nash observou o funcionamento da esquizofrenia e a observação o fez consciente do funcionamento da esquizofrenia. Uma vez consciente, começou a lidar bem com sua esquizofrenia.
Por que imaginação parece realidade?Imaginação não parece realidade, imaginação é realidade. Só que é realidade simulada e não realidade objetiva.
Posso sofrer com a imaginação?É exatamente isso que você faz todos os dias. Primeiro você imagina unicórnios assassinos e depois começa a sofrer com o ataque deles.
Preciso ter sangue de barata para viver bem?É comum as pessoas me qualificarem como frio, insensível ou outro adjetivo que remeta a ausência de emoção. Imagina, por exemplo, dizer para uma pessoa com câncer que isso é só um fato. Total ausência de sentimento e empatia, não é? Sei que parece isso. Mas não é isso.
Eu sinto emoções como todo ser humano e tenho empatia pela dor alheia, mas observo minhas emoções e as alheias como um cientista observa as ondas do mar, não como uma pessoa se afogando.
O SÁBIO FLUTUA NO MESMO OCEANO QUE O IGNORANTE SE AFOGA.
Discernimento não é bloquear as emoções, é experimentá-las, porém, com lucidez sobre a realidade multimídia.
Quando você se permite experimentar suas emoções com o propósito de estudá-las, elas ficam até mais fortes, mas você está consciencialmente forte também, então, você entra nas emoções como quem entra em um furacão, mas não sai rodopiando para todo lado, fica no olho do furacão observando tudo.
Quem vê você de fora pensa que você é frio e não tem empatia, mas é o contrário, você está fervendo e empático, só que está vivenciando as emoções com lucidez, sem confundir significante e significado, por isso está vivendo bem e convivendo bem.
Qual a relação entre observação, mentalidade e crença?Mentalidade e crença são o mesmo. Sua mentalidade é feita de crenças. Uma mentalidade é um conjunto de crenças. Crenças são objetos da sua observação. Você observa suas crenças. Sua observação altera suas crenças. Por exemplo, você acredita que as crianças vêm ao mundo trazidas pela cegonha. Você observa uma mulher grávida em trabalho de parto e essa observação altera sua crença sobre o nascimento das crianças.
Qual é a diferença entre realidade e verdade?Realidade é tudo que você experimenta. Verdade é tudo que você acredita que é verdadeiro.
Qual é a relação entre desejo e significado?Falando de uma forma bem simplificada, um significante pode ter dois tipos de significado. Se for um significante desejado, terá um significado positivo. Se for um significante indesejado, terá um significado negativo.
Qual é o problema das crenças?Absolutamente nenhum. Crenças são apenas crenças. Crenças são fundamentais para experiência humana. Sem crenças é impossível brincar de ser humano. O problema é quando você acredita em crenças que não foram produzidas a partir da sua própria experiência. E você faz isso o tempo todo no automático. Isso lhe impede de viver bem. Por exemplo, vamos supor que você quer ter um companheiro, tipo um marido ou namorado, mas você acredita que homem não presta. De onde vem essa crença? Sua bisavó foi uma esposa em 1900 que sofreu com os homens, daí criou essa crença e passou para sua avó, que passou para sua mãe, que passou para você. E aí está você, vivendo sozinha porque acredita numa crença herdada da sua mãe, que nem era dela.
Qual é o significado da realidade objetiva?Nenhum. Realidade objetiva é apenas experiência sensorial, experiência DE objeto, não tem valor nenhum em si, não tem significado nenhum, é apenas significante.
Realidade simulada é subjetividade?Não, esse termo da psicologia se refere a realidade significativa. Realidade simulada é sua imaginação.
Se realidade objetiva e simulada são significantes, então, ambas são objetivas?Não, realidade simulada é simulação da realidade objetiva. Vou usar dois termos para possibilitar discernimento e comunicação. Você experimenta dois tipos de significantes, ou seja, dois tipos de objetos:
A) Objeto-objetivo – mídia de realidade objetiva, por exemplo: visão de cadeira.
B) Objeto-Simulado – mídia de realidade simulada, por exemplo: imaginação de cadeira.
A diferença entre um objeto-objetivo e um objeto-simulado é que você não é fonte de manifestação do objeto-objetivo, mas você é a fonte de manifestação do objeto-simulado. Por isso que você pode fazer um objeto-simulado aparecer e desaparecer apenas usando a imaginação, mas não pode fazer o mesmo com um objeto-objetivo.
Sendo que multimídia é tudo junto e misturado, como separar?Mídias não são coisas, então, não adianta usar faca para separar. Não tem espaço entre as mídias. Não é possível colocar uma mídia em cima e outra em baixo. São inseparáveis. A separação só é possível pelo discernimento.
Significante é o objeto que estou vendo?Significante é forma sensorial. Como a visão é o sentido mais dominante e mais usado, é quase inevitável pensar em significante como objeto. Mas as formas dos outros sentidos também são significantes. Por exemplo, cor é significante, som é significante, calor é significante, sabor é significante, aroma é significante, etc.
Sonho é realidade?Sim, sonho é realidade simulada.