O que é uma crença?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Crença é um pensamento ou um conjunto de pensamentos.
Por que gato não tem religião?
Por que não existe abacate comunista?
Por que vaca trabalha aos domingos?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Porque não pensam. Religião, ideologia, regra social: tudo isso é construção do pensamento. Quem não pensa não tem onde construir.
Se você fosse incapaz de pensar, existiria crença?
Sim? Não? E por quê?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Não. Porque crença é pensamento. Sem pensamento, não existe crença.
Sendo que crença é pensamento, qual é a função da crença?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
A crença tem a função consciencial de determinar e automatizar o que é verdade.
O que é verdade?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Verdade é uma correlação entre duas entidades mentais: dois pensamentos.
EXEMPLO (1):
Pensamento (1): Tomate
Pensamento (2): Fruta
Verdade (correlação): Tomate é fruta.
EXEMPLO (2):
Pensamento (1): Fogo
Pensamento (2): Queima
Verdade (correlação): Fogo queima.
EXEMPLO (3):
Pensamento (1): Ferrari
Pensamento (2): Melhor professor de autociência da galáxia
Verdade (correlação): Ferrari é o melhor professor de autociência da galáxia.
Quais são os dois tipos de correlação possíveis?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Correlação verdadeira e correlação falsa.
O que é uma correlação falsa? Qual é outro nome que damos a uma correlação falsa?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Equívoco.
Qual é o problema de uma correlação falsa? Em outras palavras: qual é o problema de uma crença equivocada?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Ela impossibilita você de lidar bem com o objeto da sua crença. Em outras palavras: impossibilita você de viver bem.
Sendo que crença equivocada produz o mal viver, como viver bem?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Saindo do equívoco.
Como sair de um equívoco?
Em outras palavras: como ficar consciente de que uma crença que você considera verdadeira, na verdade, é falsa?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Verificando a veracidade da crença em questão.
Como verificar veracidade?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Quando o equívoco é sobre uma crença verificável pelos 5 sentidos, você verifica a veracidade usando os 5 sentidos: observação e análise.
OBSERVAÇÃO E ANÁLISE = CIÊNCIA
EXEMPLO:
Verdade: O muro da casa da esquina é azul.
Ciência: Você vai até lá, olha para o muro e verifica que ele é amarelo.
FIM DO EQUÍVOCO
Quando o equívoco é sobre uma VERDADE que só o 6º sentido alcança, aquilo que acontece dentro de você, você verifica a veracidade usando o 6º sentido: AUTO-OBSERVAÇÃO E AUTOANÁLISE.
AUTO-OBSERVAÇÃO E AUTOANÁLISE = AUTOCIÊNCIA
EXEMPLO:
Verdade: Eu não tenho medo de barata.
Autociência: Você olha para o seu medo de barata e verifica que tem medo.
FIM DO EQUÍVOCO
CASO 1 — Você é um detetive.
Crença: Roberto é um bom homem (inocente).
Você executa a investigação (análise) e descobre que é um equívoco. Roberto não é inocente. Roberto é um serial killer.
Análise SEM resistência.
CASO 2 — Você é um detetive.
Crença: Roberto é um bom homem (inocente).
OBS: Só que Roberto é o seu filho amado.
Você não quer executar a investigação. Seu chefe te obriga, senão você perde o emprego. Então você finge que investiga: nega e distorce as evidências para que o equívoco permaneça. Roberto é um bom homem (inocente).
Análise COM resistência.
Por que o caso (1) não tem resistência e o caso (2) tem?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Porque o objetivo do analista é diferente.
NO CASO 1 — O objetivo do analista é:
A) Verificação da veracidade.
B) Através da DEScoberta do equívoco.
NO CASO 2 — O objetivo do analista é:
A) Autodefesa.
B) Através da ENcoberta do equívoco.
Que resistência é essa?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Narcisismo.
EXEMPLO 1 — A CRENÇA EM DEUS
Você é um aluno de autociência.
Crença: Deus existe.
Você executa a investigação, a prática de autociência, e descobre que essa crença é um equívoco. Deus não existe. Deus é uma fantasia humana.
Análise SEM resistência.
= = =
Você é um aluno de autociência.
Crença: Deus existe.
OBS: Só que a crença em Deus é parte fundamental da sua moralidade. Todo o seu sistema de crenças e valores está alicerçado em Deus.
Você não quer executar a prática de autociência. Seu professor te obriga, senão você é retirado do ciclo de estudos. Então você finge que pratica: nega e distorce as evidências para que o equívoco permaneça. Deus existe.
Análise COM resistência.
EXEMPLO 2 — A CRENÇA NA MATÉRIA
Você é um aluno de autociência.
Crença: Matéria existe.
Você executa a investigação, a prática de autociência, e descobre que essa crença é um equívoco. Matéria não existe. Matéria acontece.
Análise SEM resistência.
= = =
Você é um aluno de autociência.
Crença: Matéria existe.
OBS: Só que a crença na matéria é parte fundamental da sua moralidade. Todo o seu sistema de crenças e valores está alicerçado na existência da matéria.
Você não quer executar a prática de autociência. Seu professor te obriga, senão você é retirado do ciclo de estudos. Então você finge que pratica: nega e distorce as evidências para que o equívoco permaneça. Matéria existe.
Análise COM resistência.
O que é suspensão moral?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
É ciência do óbvio — raciocínio analítico.
Como executar a suspensão moral?
🤔Pense e responda por si antes de ler a resposta.
Usando o raciocínio com o objetivo de verificar a veracidade da crença, em vez de usá-lo para defender o equívoco. Em vez de advogado da crença, você é o detetive.
Pensar é a única ferramenta capaz de desfazer equívocos. Porém, é a mesma ferramenta que cria e mantém os equívocos. Por isso é muito mais difícil um erudito sair de um equívoco do que um leigo. O erudito tem muito mais raciocínios para proteger seus equívocos.
Para não ficar preso ao equívocos de usar mal o pensamento, é preciso usá-lo sobre si mesmo: pensar o pensamento. Essa prática é a autociência — auto-observação e autoanálise. E o que mais atrapalha a autoanálise é não conseguir fazer a suspensão moral.
Vou contar um caso para ilustrar.
Uma pessoa me pediu ajuda para fazer autoanálise. Era um problema de convivência, de relacionamento. Assim que começou a contar, a pessoa começou a fazer maledicência e a injuriar o outro lado.
Na hora, eu entendi tudo. Ela não.
Ela nem percebeu que estava fazendo maledicência e injúria. Por quê? Porque a moral dela estava no controle.
Quando você faz maledicência e injúria, o seu objetivo não é se esclarecer. É proteger a sua crença. Para a análise acontecer, o objetivo da análise precisa ser a descoberta da veracidade, sempre.
Durante uma autoanálise, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo. Você faz a maledicência e a injúria, e observa a maledicência e a injúria. Vê o seu objetivo de falar mal e de injuriar, e analisa aquilo.
Você pensa o seu pensamento. Analisa sua moralidade. É o paciente e o terapeuta numa pessoa só: você. Quem observa a moralidade não é a moralidade. É o analista — aquele que tem como objetivo o esclarecimento, a DEScoberta, e não a ENcoberta.
E por que eu consegui fazer a análise que a própria pessoa não conseguiu? Porque eu era o terapeuta do lado de fora. Não precisava proteger nada. O meu objetivo era só a análise: verificar, descobrir o que exatamente estava acontecendo ali. A pessoa, não. Ela tinha envolvimento moral com a questão. Por isso não conseguia analisar a própria moralidade.
O mesmo aconteceu aqui, quando fomos investigar a crença em Deus. Fiz as primeiras perguntas e quem tinha questão moral com a crença em Deus já começou a descer a lenha. Saiu da análise da veracidade e foi direto para a injúria. Injuriou o objeto da crença, Deus. Injuriou quem acredita em Deus também.
Quem tinha questão moral com a crença em Deus, mudou de objetivo. Já não era analisar a veracidade. Era validar a própria moralidade, injuriando a crença que considera errada.
Quando o objetivo da análise muda de busca pela veracidade para proteção da moralidade, a possibilidade de esclarecimento desaparece.
Você não vai mais ao encontro do esclarecimento. Vai ao encontro da confirmação da sua moralidade, ou da negação de uma moralidade que você não quer que exista no universo.
Para suspender a moralidade, para ser amoral, você deve se manter no objetivo de verificar a veracidade.
Aí você vai ao encontro do óbvio. E o óbvio se revela. E você fica consciente.
Vou compartilhar uma observação de professor.
Quando a 1ficina pratica autociência para investigar a crença em Deus, ateus e materialistas ficam felizes da vida:
— Isso, 1ficina, desce o pau nessa crença absurda! Vamos esquartejar Deus!
E os espiritualistas ficam escandalizados e acuados.
Aí a 1ficina mete o pau no materialismo.
Daí é a vez dos espiritualistas fazerem a festa:
— Tá vendo, seus materialistas ignorantes!
E a 1ficina não está nem aí com nenhum do lados. Ela não defende nem ataca, nem Deus, nem o materialismo. O objetivo da prática da autociência é o óbvio, não tomar partido. E esse é o problema.
Nem os materialistas nem o espiritualistas têm por onde pegar um autociêntista. A prática da autociência é amoral. E a amoralidade é uma mala sem alça.