Páscoa com autoconhecimento

Literatura religiosa não é para ler igual bula de remédio, é para ler igual poesia. Para entender uma explicação religiosa, é preciso pensar de forma analógica, a lógica literal não funciona. Por exemplo, quando você diz “hoje estou com a macaca”, não tem nenhuma macaca do seu lado, o que você está querendo dizer é que você está agitado. O mesmo acontece com as tradições religiosas. Cristo, por exemplo, não é uma pessoa, é uma metáfora para o despertar da consciência. 

Mas a falta de pensamento analógico não é o único obstáculo para o entendimento das tradições religiosas. Para entender um simbolismo religioso, é preciso autoconhecimento também. Imagine que você é cego e escute um poema que expresse a beleza das cores da aurora boreal. O que você irá entender desse poema? Nada! E por que não? Porque você é cego e a ignorancia das cores impossibilita seu entendimento. O mesmo acontece com as religiões. Não basta pensamento analógico para entender um simbolismo religioso, você precisa ter autoconhecimento também. 

Sem autoconhecimento, a Páscoa, por exemplo, é apenas a história de um homem chamado Jesus, que viveu há dois mil anos atrás, foi crucificado, morto e ressuscitou no terceiro dia. Como entender a ressurreição cristica se você mesmo não passou pelo despertar da consciência? Não tem como! Sua ignorância lhe condena ao entendimento literal. 

Para lhe ajudar na interpretação, as religiões tem sacerdotes. O problema é que, na maioria das vezes, esses sacerdotes também não possuem autoconhecimento. Então, a maneira mais fácil, direta e garantida de entender os simbolismos religiosos, é abandonando os intermediários e indo direto ao autoconhecimento. Fazer isso é dar início a via-crúcis. No final, você chega na Páscoa.