Manual Do Aluno
Marcelo Ferrari
Marcelo Ferrari
Um grupo de pessoas se perdeu numa floresta, durante a noite. Quando já estavam desesperados, ouviram uma voz:
— Sigam em frente! Vocês estão prestes a sair da floresta. Mas antes de saírem, peguem o máximo de pedras que encontrarem pelo chão. Assim, quando saírem, ficarão felizes e tristes ao mesmo tempo.
As pessoas, para evitar o peso, pegaram poucas pedras e seguiram caminhando. Quando saíram da floresta e tiraram as pedras dos bolsos, ficaram felizes e tristes ao mesmo tempo.
As pedras eram diamantes.
Esse livro — Manual Do Aluno — é a voz na floresta.
Foi escrito para que você não desperdice o ciclo de estudos Eureka.
E para que, ao terminá-lo, fique mais feliz do que triste.
Boa leitura!
Já estive no seu lugar de aluno.
Então, antes de começar esse ciclo de estudos, vou te contar o que você está buscando aqui e por quê.
Vou explicar de forma simplificada, assim como um adulto explica coisas complexas para uma criança.
O que você está buscando não é autoconhecimento.
Não é sabedoria, nem iluminação, nem despertar da consciência, nem espiritualidade, nem evolução, nem empoderamento, nem transformação pessoal, nem qualquer outra coisa.
O que você está buscando é fe-li-ci-da-de.
Você prefere autoconhecimento ou felicidade?
Sabedoria ou felicidade?
iluminação ou felicidade?
Despertar da consciência, espiritualidade, evolução, empoderamento, transformação pessoal ou felicidade?
É óbvio que prefere felicidade.
Afinal, de que adianta tudo isso sem felicidade? Não adianta nada.
Mas tem um porém.
Para viver mal, ignorância basta. Para viver bem, só com autoconhecimento.
Esse é o motivo de você estar aqui.
Você quer felicidade, mas autoconhecimento é a porta.
É impossível ser feliz sem autoconhecimento, assim como é impossível ser saudável sem saúde. Felicidade depende de autoconhecimento. Autoconhecimento depende de aprendizado. E aprendizado coloca você na desagradável posição de aluno.
Por que desagradável?
Porque você não sabe. E o pior — nem sabe que não sabe.
Você pensa que sabe. Você acredita.
Mas acreditar não é saber.
Saber e acreditar são coisas diferentes. Quem acredita, não sabe — acredita. Quem sabe, não acredita — sabe.
Imagine uma pessoa que não sabe o que é salmorejo, mas pensa que sabe. A ignorância dela é dupla. Além de não saber, ela não sabe que não sabe.
Mas até aí, tudo bem. Viver em dupla ignorância é desagradável, mas nem tanto. O problema é que você tem ignorância tripla.
Você não sabe.
Não sabe que não sabe.
Mas é convicto de que sabe.
Como sair de tanta ignorância?
É preciso que algo ou alguém esfregue sua ignorância na sua cara.
Esse algo é o ciclo de estudos EUreka.
Chegamos então ao entendimento final da desagradável posição de aluno.
Decidir ser aluno do ciclo de estudos EUreka é pedir para apanhar.
Você está aqui para levar uma surra de obviedade.
Cada livro, cada passo, cada aula, é uma martelada na sua cabeça dizendo:
"Acorda! Acorda! Acorda!".
Se você espera outra coisa, aproveite esse alerta e saia daqui agora mesmo.
Se espera conforto, saia.
Se espera confirmação dos seus equívocos, saia.
Se espera que seja gentil com sua ignorância, saia.
Mas se vier de mente e peito aberto — pro que der e vier.
Dá play no áudio abaixo:
Já estive no seu lugar de aluno. Então, antes de começar esse ciclo de estudos, vou te contar o que você está buscando aqui e por quê. Vou explicar de forma simplificada, assim como um adulto explica coisas complexas para uma criança.
O que você está buscando não é autoconhecimento.
Não é sabedoria, nem iluminação, nem despertar da consciência, nem espiritualidade, nem evolução, nem empoderamento, nem transformação pessoal, nem qualquer outra coisa.
O que você está buscando é fe-li-ci-da-de.
Você prefere autoconhecimento ou felicidade? Sabedoria ou felicidade? Iluminação ou felicidade? Despertar da consciência, espiritualidade, evolução, empoderamento, transformação pessoal ou felicidade?
É óbvio que prefere felicidade. Afinal, de que adianta tudo isso sem felicidade? Não adianta nada.
Mas tem um porém. Para viver mal, ignorância basta. Para viver bem, só com autoconhecimento. "Não tem outro jeito, Ferrari? Nem ficando rico?", você pode perguntar. A resposta é não. Dinheiro compra conforto e prazer, mas não compra felicidade. Se dinheiro comprasse felicidade, ricos não teriam depressão, não viveriam mal, não sofreriam.
Seu nível de felicidade é diretamente proporcional ao seu nível de autoconhecimento. Felicidade não tem nada a ver com riqueza, status, erudição, fama. Tem a ver apenas com seu nível de autoconhecimento.
Se o seu nível de autoconhecimento é 5,73, sua felicidade é 5,73. Se o seu autoconhecimento sobe para 5,78, sua felicidade sobe para 5,78.
Você busca felicidade. Mas é impossível ser feliz sem autoconhecimento, assim como é impossível ser pintor sem visão, ou músico sem audição.
Então você veio aqui à procura de autoconhecimento. Mas não como um fim — como um meio para encontrar o que você busca desde que nasceu: felicidade.
Essa é a desagradável posição de aluno: você ainda não sabe o que é, o que é ser humano. Você não tem autoconhecimento.
Mas até aí, tudo bem. Não saber de si é desagradável, mas nem tanto. O desagradável mesmo é que você pensa que sabe.
Acreditar não é saber. Saber e acreditar são coisas diferentes. Quem acredita, não sabe — acredita, pensa que sabe. Você não sabe de si por consciência própria. Apenas acredita em crenças religiosas, filosóficas, espiritualistas.
Sua ignorância é dupla: além de ignorar o que é ser humano, você ignora que ignora.
Imagine uma pessoa que não sabe o que é salmorejo, mas pensa que sabe. A ignorância dela é dupla. Além de ignorar o que é salmorejo, ignora que ignora. E quanto mais ela acha que sabe, mais continua na ignorância.
Mas até aí, tudo bem também. Viver em dupla ignorância é desagradável, mas nem tanto. O principal motivo para a posição de aluno ser desagradável é que aluno é alguém que decidiu sair do estado de ignorância. Não existe aluno antes dessa decisão. Antes dela, existe apenas a ignorância dupla.
"Você não tem culpa de ignorar, você tem culpa de continuar na ignorância". Essa é uma frase emblemática da 1ficina. Você nasce em absoluta ignorância. Ignorar não é culpa sua. Permanecer na ignorância, sim — porque é uma decisão sua. Você pode sair se decidir sair.
Mas como sair da ignorância, se você nem sabe que não sabe? É preciso que algo ou alguém deixe explícito, óbvio, ululante, que você está equivocado. É preciso que algo ou alguém esfregue sua ignorância na sua cara. Senão, você continua nela.
Esse algo é o ciclo de estudos EUreka. A cada passo que você avançar, vou esfregar sua ignorância na sua cara — um pouco mais, um pouco mais, um pouco mais. Até você abandonar o diploma de sabe-tudo e assinar o atestado de ignorante.
Chegamos então ao entendimento final da desagradável posição de aluno.
Decidir ser aluno é pedir para apanhar. Você está aqui para levar uma surra. Cada livro, cada passo, cada interação minha com você, tem apenas um propósito: esbofetear sua consciência adormecida.
"Acorda! Acorda! Acorda!".
Se você espera outra coisa do ciclo de estudos EUreka, aproveite esse alerta e caia fora agora. Se quer continuar pensando que sabe, não perca seu tempo com esse ciclo de estudos, nem faça a 1ficina perder tempo com você. O ciclo de estudos EUreka não tem nada para te dar além de socos, tapas e pontapés na sua consciência adormecida.
Se você quer sair da ignorância e vier pro que der e vier, dá play no áudio abaixo e seja bem-vindo!
Autoconhecimento é uma jornada do ponto A até o ponto B, mas não é uma jornada de deslocamento. Você não viaja de carro — é uma jornada consciencial. O ponto A é a ignorância sobre o que é ser humano. O ponto B é o estado desperto.
Eis o problema.
Você já é um ser humano. Então acredita que já sabe. Tem convicção — tanta, que até dá conselhos. Só que não sabe. Pensa que sabe. Se soubesse mesmo, não viveria mal.
Viver mal é a prova de que você não sabe o que é ser humano.
Mas é pior. Além de não saber, você não sabe que não sabe. Você ignora que ignora. E como pensa que sabe, conclui: "Por que vou me dar ao trabalho de descobrir o que já sei?".
Assim seu autoconhecimento termina antes de começar.
Você é um aluno que acredita que é professor.
Eu chamo isso de ignorância Phd.
O problema da ignorância Phd é o mesmo de acreditar que sabe pilotar um avião quando, de fato, ignora. Acidente garantido!
É por isso que você vive mal: impossível viver bem em estado de ignorância.
E como sair da ignorância Phd?
O primeiro passo é admiti-la.
Teve uma época que frequentei um trabalho espiritualista. Eram palestras com grupos pequenos, entre 20 e 30 pessoas. O professor tinha o hábito de me chamar de sábio.
Por um lado, achava o máximo. "Até que enfim alguém me reconheceu!", pensava. Mas quando a esmola é demais, o santo desconfia. Comecei a ficar desconfiado.
O professor continuou me chamando de sábio. Sábio pra lá, sábio pra cá.
Às vezes, alguém fazia uma pergunta e ele encaminhava a pergunta para mim: “O que você acha, sábio?”. Eu papagaiava um monte de conceitos filosóficos, psicológicos e espiritualistas.
Muito tempo depois, fui acompanhar esse professor em outra palestra. Nesse dia, tinha uma pessoa do tipo sabe-tudo na plateia. De repente, o professor começou a chamar essa pessoa de sábio. Lembrei dele fazendo o mesmo comigo e a ficha caiu!
Quando o professor me chamava de sábio, não estava elogiando minha sabedoria. Estava apontando minha ignorância Phd.
Eu não sabia: pensava que sabia.
Entendeu, sábio leitor?
Humildade não é murchar feito uva-passa. Não é virar capacho. Humildade é justiça — é ser exatamente do tamanho que você é, nem mais, nem menos.
Não arrote iluminação só porque devorou a biblioteca. Não banque o escolhido só porque assistiu Matrix. Seja do seu tamanho, sem Photoshop.
Você é um aluno de autoconhecimento. Aluno é quem está em estado de ignorância.
Ter uma mochila cheia de mapas não significa que você conhece o território.
Tenha a humildade de admitir que você não sabe — apenas acredita.
Assumir isso não é demérito. É nobre.
Quando for sábio de verdade, faça o mesmo: tenha a humildade de reconhecer sua sabedoria. Seja também do seu sábio tamanho.
Um barco ficou à deriva em alto-mar. Veio um mecânico que cobrava mil reais e passou uma semana mexendo no motor. Não conseguiu consertar.
O capitão decidiu chamar o melhor mecânico do mundo, custasse o quanto custasse. O tal mecânico chegou, olhou o motor por 15 minutos, pegou um martelo e deu uma martelada. O motor voltou a funcionar.
O capitão ficou contente com o conserto. Mas na hora de pagar, levou um susto. O conserto custou dez mil reais.
— 10 mil reais por uma martelada?!
O mecânico respondeu:
— Não. A martelada custa um real. Saber onde martelar é que custa 9.999."
Suponho que você já fez de tudo para consertar sua vida.
Vou te dar uma martelada grátis.
Seu fracasso em viver bem não é falta de esforço, nem de vontade.
É falta de autoconhecimento.
Viagem tem dois sentidos: ida e volta. A experiência humana é semelhante — ou você está subindo no cavalo, ou está caindo do cavalo.
Subir é adormecer na ignorância de si.
Cair é cair em si — e despertar para o que é ser humano.
Subir no cavalo é tão fundamental quanto cair.
Não dá para colocar a queda na frente da subida. Primeiro é preciso esconder o tesouro, para depois brincar de caça ao tesouro.
Quanto mais você pratica autociência, mais cai do cavalo.
Quanto mais cai, mais desperta.
Entregue. Confie. Aceite. Agradeça.
A viagem do despertar é a volta dos que não foram.
Caia do cavalo e celebre seu fracasso!
Não sou formado em filosofia, nem psicologia, nem nada.
O que me capacita para a função de professor do ciclo de estudos EUreka é que sei praticar autociência. Sou um praticante dedicado.
Quanto mais pratico, mais consciente fico do que é ser humano.
Os conteúdos da 1ficina sou eu explicando o que, em mim, é óbvio para mim.
Você também é um ser humano.
O que explico serve para você.
Não sei quem é você. Mas sei que é um ser humano, igual eu. E que, ao decidir participar desse ciclo de estudos — consciente ou não — me escolheu para ser seu professor.
Meu compromisso, durante todo o ciclo EUreka, é honrar essa escolha.
A maneira como vou fazer isso é sendo o melhor professor de autociência que posso ser. Mas quando digo "melhor professor", não estou dizendo bonzinho. Não estou dizendo que vou te paparicar. Muito pelo contrário — vou ser o demônio, o capeta, o diabo.
Minha função é te ajudar a se esclarecer sobre o que é ser humano. Dar o melhor de mim é me esforçar ao máximo para destruir sua ignorância Phd.
Só que você adora suas crenças equivocadas. São crenças de estimação, cultivadas com carinho e dedicação por anos. Algumas, desde o nascimento.
Dar o melhor de mim é te ajudar a desmascarar essas crenças, para que se liberte delas. E para isso, preciso esbofetear, socar e martelar seus equívocos.
Isso não é agradável. Dói.
Quanto mais inconsciente você estiver dos seus equívocos, mais vai doer.
E quanto mais doer, mais você vai pensar que não estou cumprindo minha promessa de melhor professor. Você vai pensar: "O Ferrari falou que iria me honrar como aluno, e agora está batendo em mim".
Você ficará com raiva de mim.
Raiva é pouco — ficará furioso e magoado. E provavelmente, como a maioria dos alunos, vai sair do ciclo de estudos só para me mostrar que o errado sou eu.
Se você sair, não vou me alegrar.
Sei que dói receber marteladas na cabeça, e que seu instinto de proteção é fugir do martelo. Mas isso não vai me fazer bater com menos força.
Martelar seus equívocos é, ao contrário do que parece, eu honrando sua escolha de me ter como professor. Se eu te mimar e bater palmas para seus equívocos, não estarei te ajudando. Estarei apenas alimentando o que te faz viver mal.
Tente se lembrar disso: a dor da martelada dura pouco.
A recompensa de acordar dura a vida toda.
Você é um boi manso e sofredor pastando na ignorância e na mediocridade.
O trabalho de um professor de autociência não é lhe ajudar a continuar assim. É ser um demônio, um fdp, um estorvo, um obstáculo, um pé no saco. Por isso o professor enfia o dedo em suas feridas.
Ele quer incomodar você. Quer que você tenha pesadelos e insônia. Quer que você fique com tanta raiva dele que suas tripas virem do avesso e seu sangue comece a borbulhar. Quer que você vire um touro e venha enfurecido para cima dele.
Um professor de autociência é um toureiro. Você não tem como acertá-lo. Então, quanto mais raiva você sente dele, melhor, pois raiva é energia e você precisa de energia para sair do estado em que está.
Cada vez que você tenta chifrá-lo, você dá um passo para fora e ele se enche de alegria.
Você ganhou da sua ignorância e mediocridade.
Cada vez que você se conforma, o professor se entristece.
Você perdeu!
Parte do trabalho de um guru é apontar para o seu cu, para sua ferida, para seu equívoco, para causa do seu sofrimento. Mas se seu guru não for humano igual você, se não tiver cu igual você, que competência ele tem para falar do cu seu?
Daí fica igual padre dando conselho de casamento.
Minha sugestão é que você levante a batina do seu guru e confira a humanidade dele. Se ele tiver cu igual você, se for humano: ponto para ele.
Mas não pare com sua investigação no primeiro cu.
Guru que é guru tem dois cus.
O primeiro cu é o que faz dele humano igual você, o segundo cu é o que faz dele guru: iniciativa em ser o primeiro a colocar o cu na reta: ser praticante do que professa. Afinal, não é preciso maestria para falar do cu filosófico, nem do cu alheio.
Assim, se você tiver um guru, este é meu conselho, investigue debaixo da batina dele, se não tiver dois cus, tenha você.
Desista dele!
Você chegou até aqui por interesse.
Provavelmente alguém lhe disse: "Tem um curso lá, vai lá, entra lá".
Isso é interesse.
Interesse não vai levá-lo até o autoconhecimento e, consequentemente, até a felicidade.
Interesse é igual paixão — fogo de palha.
Se você quer mesmo produzir autoconhecimento, precisa de absoluto comprometimento. A-b-so-lu-to comprometimento. E não comprometimento com a 1ficina, ou comigo.
Comprometimento com a prática da autociência.
Para entender a diferença, uma metáfora.
No café da manhã você come ovos com bacon. A galinha está envolvida — ela botou o ovo. O porco está comprometido — ele teve que morrer e dar a pele.
Absoluto comprometimento significa praticar autociência 25 horas por dia, 8 dias por semana. Significa que, em vez de encaixar a autociência na sua vida, você encaixa sua vida na autociência. Significa que você decidiu virar os olhos do avesso e não desvirá-los jamais.
É você que está em estado de ignorância.
É você que está vivendo mal e sofrendo.
Então é você que precisa se comprometer com a prática da autociência.
A função do ciclo de estudos EUreka é te ensinar a pescar, não te dar o peixe.
Te ensinar a andar, não te carregar nas costas.
Te ensinar a praticar autociência, não praticar por você.
Minha responsabilidade é ser o melhor professor que posso.
Isso eu faço.
Vou dar o melhor de mim como professor. Espero o mesmo de você como aluno.
Mas minha experiência me diz que você não fará isso. Você não vai dedicar nem 10% do seu potencial e tempo aos estudos. Se você fizer a tarefa, já é muito. Se chegar até o final do ciclo, é quase um milagre.
Mas será maravilhoso se você decidir dar o seu melhor.
Não por mim. Não para me agradar.
Dê o seu melhor porque você mesmo vai ganhar com isso.
Quando você é o melhor aluno que pode ser, recebe o melhor autoconhecimento correspondente. Eu e seus colegas nos beneficiamos com o seu melhor, mas o maior beneficiário é você.
Se você faz o ciclo de estudos nas coxas, o que recebe é autoconhecimento nas coxas.
Imagine um músico tocando mal. Ele é o primeiro a ouvir a própria música ruim.
Não seja um aluno medíocre. O único prejudicado com sua mediocridade é você mesmo.
Eu não me prejudico. Não é legal, mas não me atinge. Atinge só você.
Também não estou cobrando excelência. Nada no EUreka é obrigatório, só a tarefa.
Estou te dando uma dica valiosa. Aproveite.
Quando a 1ficina começou, eu apenas escrevia livros. Depois publicava na internet.
Não tinha ciclo de estudos.
Conversava aleatoriamente com os leitores — pessoas de culturas diferentes, níveis diferentes de autoconhecimento — todos juntos no mesmo grupo de WhatsApp.
O que eu falava com um atrapalhava o entendimento do outro.
Era uma bagunça. Não tinha nenhuma pedagogia.
Foi então que entendi: precisava construir uma escada pedagógica e ir subindo com as pessoas, do subsolo à cobertura, sem pular nenhum degrau do despertar da consciência.
Todo processo de aprendizagem requer uma escada. Quando você aprende matemática, primeiro vêm os números, depois a tabuada. Não dá para começar pela tabuada.
Não dá para queimar etapas fundamentais.
Queimar etapas prejudica qualquer aprendizagem. Mas no autoconhecimento é pior — porque autoconhecimento não é aprendizagem, é despertar consciencial.
Tive que sofrer muito para entender isso.
Mas entendi.
E foi a partir daí que comecei a construir o ciclo de estudos EUreka, tijolo por tijolo, parede por parede.
O ciclo de estudos EUreka tem muitos degraus.
E a cada ano eu acrescento mais.
Quando percebo que o salto está grande demais para os alunos, construo um novo degrau e coloco no meio, entre os que já existem.
Menos é mais.
Esse é o lema pedagógico do ciclo de estudos EUreka.
Quanto menor o passo, melhor.
Se você quer viver bem, não pode pular nenhum degrau na jornada do despertar da consciência.
Sei que você tem pressa de chegar. Que acredita que pode pular passos. Que acredita que já sabe tudo e podia até dar aula no lugar do professor.
Mas se isso fosse verdade, você não estaria vivendo mal como está.
Diminua a ansiedade.
Baixe a bola.
Caminhe passo a passo.
Já faz tempo que você é um ser humano. Então, já deveria saber o que é ser humano. Só que não sabe. Você só nasceu humano — não tem consciência sobre o que é.
Daí professores como eu têm que vir explicar o óbvio.
Um professor de autociência é uma pessoa vendendo água engarrafada na beira do rio. Ser humano é algo completamente disponível para você — 24 horas por dia, do nascimento até a morte. Mas em vez de beber direto do rio à sua frente, em vez de se conhecer pela prática da autociência, você prefere comprar água engarrafada.
Sugiro que jamais faça isso com os conteúdos da 1ficina.
Se você quer despertar a consciência, queime os livros e leia-se!
Inclusive os livros da 1ficina.
Use os livros da 1ficina apenas como combustível para a prática da autociência.
Você não é teoria.
Não compre água engarrafada.
Beba direto da fonte.
Uma pessoa que não entende aritmética pode querer muito entender álgebra. Mas não vai entender — porque aritmética é pré-requisito.
O mesmo acontece com o autoconhecimento. Querer despertar é fundamental, mas só querer não basta. Você precisa estar maduro para ter EUrekas mais profundas.
Estar verde significa estar adormecido, inconsciente. Estar maduro significa estar acordando, com sono leve.
Fruta verde aguenta tempestade, agarrada no pé. Fruta madura cai com uma brisa.
Você pode explicar álgebra mil vezes para quem não entende aritmética — não vai adiantar. Você pode ler mil vezes uma explicação da 1ficina e não vai entender, se ainda estiver inconsciente de algo anterior ao que está sendo explicado.
Direcione sua vontade de aprender para a prática da autociência. Quanto mais pratica, mais maduro fica.
Até que, de repente, a fruta cai.
EUreeeeeka!
Você vai ficar ansioso para pular etapas. Não faça isso. Mantenha-se fixo no passo do momento. Quando chegar no próximo passo, aí sim você se preocupa com ele.
Eu já cogitei fazer o ciclo de estudos EUreka sem responder nenhuma pergunta. Sem aula. Só leitura dos livros e tarefas.
Acredito que, no fim, ninguém teria dúvida nenhuma. Por quê? Porque o próximo livro sempre responde às dúvidas do livro anterior.
Mas se fizesse isso, o ciclo ficaria sem graça — principalmente para mim. É sua interação comigo que dá vida aos estudos. Por isso nunca coloquei essa ideia em prática.
Só estou contando isso para você confiar: até o final do ciclo, vai entender tudo.
No fim, tudo se resolve. É sempre assim.
O ciclo de estudos EUreka dura 10 meses.
Cada semana, um passo. Cada passo, um livro. Cada livro, um universo.
Daria para passar um ano estudando cada livro. Daria para passar um ano estudando uma única frase da 1ficina — por exemplo: "Com consciência tudo se resolve, sem consciência tudo se complica". Um ano estudando o que é consciência, o que é ausência de consciência, por que consciência resolve, etc.
Uma semana para um livro é muito pouco.
10 meses passam voando.
É muito conteúdo, em pouquíssimo tempo de digestão. Se você não se concentra, termina com a sensação de que não pegou tudo que tinha para pegar.
Se você faz nas coxas — se não se empenha em extrair o máximo a cada semana — é como perder um ano inteiro em uma semana.
O ciclo de estudos EUreka é igual montanha-russa.
Quando começa, não dá tempo nem de respirar. Você vira do avesso, se perde, não sabe mais onde é o pé e a cabeça. A velocidade é intensa, louca, frenética.
É muita coisa para ficar consciente em muito pouco tempo — um bombardeio de apontamentos. Você pisca e acabou. Dez meses passam voando.
Fica esperto. Senão você não aproveita.
E pior: acaba saindo.
Tem uma frase que uso para explicar as desistências: "Só sai quem nunca entrou".
Significa que estar aqui não quer dizer que você realmente está aqui.
Não adianta só entrar no grupo. Para entrar de fato no ciclo de estudos, você precisa estar comprometido, acompanhando o ritmo. Senão, você sai porque nunca entrou — porque nunca se comprometeu.
Eu vejo isso acontecendo repetidamente.
Não falo como censura, mas como alerta. É sempre assim: só sai quem nunca entrou.
Quem entra mesmo, nunca sai — gruda no trabalho da 1ficina igual sarna, porque sabe que não tem contraindicação, só benefício.
Então, já que você chegou até aqui — já que entrou no grupo — aproveita e entra no ciclo de estudos também.
Senão, vai sair. Porque nunca entrou.
Faça uma coisa revolucionária.
Dedique um ano da sua vida ao autoconhecimento.
Um ano e nada mais.
Um ano e você vai se agradecer pelo resto da vida.
Um ano e você vai se livrar de sofrimentos que carrega nas costas há anos.
Um ano olhando menos para a televisão e mais para si.
Dê esse presente para você: um ano sabático.
Faça do ciclo de estudos EUreka um divisor de águas na sua vida. Não será um ano perdido — pelo contrário, você ganha autoconhecimento e bem viver. Vai se libertar de padrões recorrentes de maneiras que nem consegue imaginar.
Será sensacional. Você não vai se arrepender.
Se seguir essa dica, vai me agradecer — e se agradecer pela decisão.
Se não seguir, vai se lastimar.
Imagine que você está assistindo um filme e toca o telefone, toca a campainha, sua mãe entra conversando, seu cachorro late.
Você assiste o filme, mas não entra no filme.
Quando termina, você assistiu, mas não viu.
A maioria das coisas que a 1ficina aponta, você jamais iria enxergar por conta própria.
É muito sutil.
É preciso parar tudo para enxergar.
Um ano sabático é parar tudo para enxergar.
Só que tem o ideal de prática e tem o praticante na prática.
É raro o praticante que realmente se entrega ao ciclo de estudos. A maioria vai de vez em quando, quando dá, quando lembra.
O ciclo de estudos EUreka acontece inteiramente pela internet. Mais especificamente, pelo Telegram. A comunicação pela internet já é cheia de ruídos e obstáculos. Se você aumentar esses obstáculos, o difícil vira impossível.
Então: nunca, jamais, em hipótese alguma, silencie seu Telegram. Eu preciso me comunicar com você. Se você silencia as notificações, quando eu precisar falar com você, como faço? Fica impossível.
Todo dia, duas vezes por dia, abra o Telegram e leia as mensagens. Porque se você não lê, é como se eu não tivesse falado.
Acordou! Olha no Telegram.
Vai almoçar! Olha no Telegram.
Antes de dormir! Olha no Telegram.
Pelo menos para ver o que está acontecendo.
Autoconhecimento é ficar explícito para si. Então é fundamental que você pratique se expor.
Eu sei que esse é o maior desafio do aluno.
Sei que aluno morre de medo de se expor. "O que vão pensar de mim? O professor vai rir de mim?". Toda essa autocensura na orelha.
Ignore a autocensura. Exponha-se.
Tem uma frase da 1ficina: "Quem não se coloca para fora continua preso por dentro". Você quer continuar preso por dentro? Tenho certeza que não. Ninguém quer. Todo mundo quer ser o que é, espontaneamente.
Exponha-se no limite do seu limite. E vá aumentando esse limite.
Não tenha medo de perguntar. Nunca. "Ah, essa pergunta é besta", você pode pensar. Mas não existe pergunta besta. Se você tem a pergunta, ela não é besta.
Faça a pergunta. Deixa que eu decido se ela é besta ou não.
Não se reprima. Pergunte.
Toda pergunta dá para aproveitar de alguma forma.
O ciclo de estudos EUreka tem três fases: existencial, psicológica e convivência. Começa pela existencial, depois vai para a psicológica, depois para a convivência.
Por que começa pela existencial? Porque não se constrói uma casa começando pelo telhado. Você é um ser humano. O alicerce do humano é o ser — a existência.
A maioria dos conteúdos de autoconhecimento na internet trata de convivência. E fazem sucesso. Por quê? Porque a convivência é tudo na vida. Você está o tempo todo nela. Todos os seus problemas são problemas de convivência.
Só que não adianta tentar entender a convivência sem antes entender seu funcionamento psicológico e a natureza da sua realidade. A convivência é o telhado. Estudá-la antes do existencial e do psicológico é pular etapas — é querer tabuada antes dos números.
O alicerce do ser humano é o existencial. As paredes são o psicológico. A convivência é o telhado. É por isso que o ciclo de estudos EUreka começa pelo existencial.
"Então a convivência não é importante?", você pode perguntar. Claro que é! Importantíssima. E você vai chegar lá.
Mas sem pular etapas.
A parte existencial do ciclo de estudos é a fase mais longa.
É ⅔ do ciclo.
É nela que a 1ficina explica o equívoco do materialismo — e não é fácil sair desse equívoco.
A maioria dos alunos se perde na fase existencial, porque o aspecto existencial do ser humano não é humano.
O que eu recomendo?
Não abandone o ciclo de estudos EUreka por causa da fase existencial.
Aguente firme. Não desista.
Quando chegar na parte psicológica e na convivência — mesmo sem ter atingido a iluminação — vai valer a pena.
Essas partes são o seu dia a dia.
Você vai entender tudo.
Escolas tradicionais separam os alunos usando paredes.
Quinta série, aqui — parede.
Sexta série, lá — outra parede.
Meninos, aqui — parede.
Meninas, lá — outra parede.
Alunos de matemática, aqui — parede.
Alunos de biologia, lá — outra parede.
Na 1ficina é tudo junto, misturado.
A 1ficina é uma escola sem paredes.
Idades misturadas, culturas misturadas, níveis socioeconômicos misturados, níveis de autoconhecimento misturados, traumas misturados.
Meu conselho: não se compare aos seus colegas. Não é justo — nem com você, nem com eles.
Todos são igualmente alunos da 1ficina.
Mas cada um é um aluno diferente do outro.
Você não é igual. É diferente.
Então, quando eu te tratar de forma diferente, lembre-se: é porque você é diferente.
Não espere que eu trate todo mundo igual — trato cada um de um jeito, porque cada um é de um jeito.
Claro que leva um tempo até eu entender o diferencial de cada aluno. Vou ouvindo as tarefas e aprendendo como falar melhor com um e com outro.
Se eu pegar no seu pé, tem motivo pedagógico. Nunca é à toa — eu não gasto energia à toa.
Eu não trato todos os alunos iguais.
Trato cada um diferente.
O ciclo de estudos EUreka é uma oportunidade de melhorar o próprio ciclo de estudos. Então, todo ano, faço muitas alterações. Deleto livros, escrevo e acrescento livros novos, mexo no site inteiro.
Não se espante se eu mudar tudo do dia para a noite.
A vida é animada.
A realidade existe para ser mudada. Se a mudança for para melhor, pode apostar que eu mudo.
"Ah, mas era assim! Você mudou!".
Pois é. Mudei porque fica melhor assim.
Eu me remexo muito.
Se acostume.
E fique ligado.
A única coisa obrigatória no ciclo de estudos é a tarefa.
Não vale nota. Não tem certificado homologado no final.
Vale o despertar da consciência.
Vale você sair do estado de ignorância.
Aproveite! A tarefa é a sua vez de falar.
É o seu momento.
Eu vou ouvir sua tarefa. Vou ouvir com atenção. Meu ouvido será todo seu. Pode alugar, sem problema.
Fala tudo que vier na cabeça. Você não precisa economizar — o ciclo de estudos é de graça, os kbytes são de graça.
Quanto mais você fala, mais você se escuta.
Isso é ótimo.
Então, sem economia, porra!
A aula vem depois de entregar a tarefa.
Primeiro você lê o livro da semana — os livros da 1ficina são bem pequenos, dá para ler rapidinho. Depois, você tem 5 dias para entregar a tarefa: falar o que entendeu da leitura.
Por fim, tem a aula, para conversar com o professor e tirar dúvidas.
Mas tem prazo para entregar a tarefa. Se você não entrega no prazo, eu te retiro do ciclo de estudos.
Se você não se dá ao trabalho de fazer a tarefa, eu não vou me dar ao trabalho de gastar meu tempo com você.
Você não está gastando seu tempo comigo.
Eu não vou gastar o meu com você.
Uma das coisas mais legais do ciclo de estudos EUreka é a interação entre 1ficineiros. É muito rica. Sempre.
No final do ciclo, muitos dos participantes serão amigos seus. Você não sabe disso ainda. Mas serão.
São 10 meses caminhando com os colegas, todos os dias — não tem como ser diferente.
Você vai se divertir muito aqui.
Quando for hora de zoar, eu zoo também. Quando for hora de ficar sério, eu coordeno isso também.
Aproveite a interação!
Você está na rodoviária do futuro.
Momento de decisão.
Você está decidindo em que ônibus entrar, que viagem fazer, que realidade quer experimentar — ou parar de experimentar.
Muitas pessoas queridas vão entrar em ônibus diferentes do seu. Rodoviária é momento de encontros e despedidas.
Não tem ônibus certo nem errado. Cada ônibus faz uma viagem diferente. E só cada um sabe o que é melhor para si.
Tem seres que desejam continuar na ignorância.
Tem seres que desejam ampliar seu estado de ignorância.
Há um propósito positivo nisso — é uma espécie de estratégia kamikaze, não muito diferente da que você usou para chegar até aqui.
Faça sua opção.
Honre a opção do outro.
Cada um no seu processo e todos no nosso.