Fim Do Mundo Externo
Marcelo Ferrari
Marcelo Ferrari
Assista o vídeo.
Observe que isso que você chama de corpo é um objeto contido no espaço. Observe que sem espaço, seu corpo não teria como nem onde existir. Observe que sem espaço, coisa nenhuma teria como e onde existir.
Observe que, sendo assim, tudo que você diz que existe tem sua existência no espaço e a existência de tudo no espaço tem começo, meio e fim, ou seja, é uma existência temporal. Observou isso? Está óbvio pra você? Ótimo!
Agora vou fazer uma troca de conceitos. Vou reescrever o trecho inicial do texto acima trocando o conceito de "existir" por "acontecer" e o conceito de "objeto" por "acontecimento". Fica assim: "Observe que isso que você chama de corpo um acontecimento temporal contido no espaço e acontecendo no espaço. Observe que sem espaço seu corpo não teria como nem onde estar".
O que minha troca de conceitos fez com o seu corpo? Fez com que seu corpo deixasse de ser um corpo, um objeto, uma entidade independente do espaço e o transformou em um acontecimento temporal oriundo e absolutamente dependente do espaço. Observou isso? Está óbvio pra você? Ótimo!
Agora me diga, minha troca de conceitos está errada? Está errado afirmar que um corpo é um acontecimento temporal, com começo, meio e fim, oriundo e absolutamente dependente do espaço? Óbvio que não! Está correto!
Agora observe o espaço. O espaço é um acontecimento temporal com começo, meio e fim? Onde o espaço começa? Onde termina? Quando o espaço começa? Quando termina? O espaço é oriundo e depende dos acontecimentos temporais ou é o oposto? O espaço está contido nos acontecimentos temporais ou é o oposto.
É óbvio que o espaço não é um acontecimento temporal, é o lugar onde todos os acontecimentos temporais estão acontecendo. É óbvio que o espaço não é oriundo nem dependente dos acontecimentos temporais, é o oposto. É óbvio que o espaço não está contido nos acontecimentos temporais, é o oposto. Tudo isso é óbvio pra você? Ótimo!
Agora considere que você está sonhando. Não use a imaginação. Não imagine que está sonhando, se mantenha consciente da realidade que está experimentando, tal como está experimentando, mas considere que essa realidade é um sonho. Sendo assim, tudo que você está vendo está acontecendo dentro de você, sonhador.
A parede, a porta, as cadeiras, as pessoas ao seu redor, etc. Tudo que você está vendo, tal como está vendo, são acontecimentos dentro de você, sonhador. Se você abrir a janela e olhar pro sol, pra lua, ou pras estrelas, o sol, a lua e as estrelas também são acontecimentos dentro de você sonhador. Dedos, suas unhas, seu abdômen, etc, também são acontecimentos dentro de você, sonhador.
Permaneça vendo o que está vendo e permaneça considerando que é um sonho. Enquanto estiver fazendo isso, seu raciocínio irá concluir algo assim: "Considerando que essa realidade que estou experimentando é um sonho e que sou o sonhador, concordo que tudo que estou vendo está dentro de mim, parede, porta, cadeiras, as pessoas, o sol, a lua, as estrelas e meu corpo. Mas não pode ser assim de fato, porque se for assim, EU SOU O ESPAÇO".
Puuuuuuf!
Fim do mundo (externo)!