Desmaterializando O Universo
Marcelo Ferrari
Marcelo Ferrari
O materialismo é o maior equívoco humano. Tão sutil, que só uma mínima porcentagem de seres humanos conseguiram desmascará-lo. Entre os que conseguiram, poucos explicaram o que descobriram. Suponho que por dois motivos. Primeiro, porque ninguém entende a explicação. Depois, porque explicar que o universo não é externo nem material, é pedir para ser internado em um hospício. Apesar disso, o objetivo desse livro é justamente ajudar você a desmascarar o equívoco do materialismo.
Quando você era criança, você acreditava piamente que Papai Noel existia. Seus colegas mais velhos lhe alertaram da farsa porém por mais que lhe dissessem, você continuava acreditando que Papai Noel existisse. Por que? Simples, porque você queria que Papai Noel existisse.
Eis a maior dificuldade de sair de um equívoco: sua vontade em acreditar nele. Você quer acreditar em Papai Noel, em unicórnios e em deusoutro. Você quer que o falso seja verdadeiro. Simplesmente quer. E por querer, faz de tudo para fugir do primeiro passo para desmascarar qualquer equívoco: questionar a veracidade da sua crença.
É impossível sair de um equívoco enquanto você não questionar a veracidade da sua crença. E como você pode fazer isso? Procurando por impossibilidades e fatos que demonstrem a farsa. Na infância, você poderia ter questionado a veracidade da existência do Papai Noel através das seguintes observações: "Eu moro em um apartamento e não tem chaminé aqui, como o Papai Noel consegue entrar na minha casa? São milhões de crianças no mundo, como o Papai Noel consegue entrar em todas as casas em uma só noite? São muitos presentes para entregar, como o Papai Noel consegue carregar tudo em um trenó só?".
Enfim, se é difícil desconfiar da existência de Papai Noel, muito mais difícil é desconfiar e sair do equívoco do materialismo. Esse livro contém quatro apontamentos para você começar a desconfiar que matéria não é material e desmascarar esse equívoco. Mas não é suficiente ler esse livro, pois o equívoco do materialismo está alicerçado na sua ignorância existencial. Use esse livro como ajuda na prática da auto-observação existencial. Só através da prática da auto-observação existencial você conseguirá comprovar o que está sendo apontado nesse livro.
O primeiro equívoco da mentalidade materialista é assim: o criador demorou seis dias para criar uma vaca. No sétimo dia o criador foi descansar. Daí para frente o problema da criação passou a ser da vaca.
Claro que essa mesma lógica se aplica aos seres humanos. Após criar a vaca, o criador criou o homem. Uma vez que os homens foram criados, o criador foi descansar. Daí para frente o problema da criação passou a ser do homem. O homem que fosse namorar a mulher para criar mais pessoas. O criador não tinha mais nada a ver com isso.
Qual é o equívoco dessa lógica? O equívoco é que o criador não cria a realidade e pronto, fim da criação. O criador está constantemente criando a realidade, caso contrário a realidade desaparece.
Toda a briga entre criacionistas e evolucionistas acaba com esse entendimento, porque criacionistas e evolucionistas pensam exatamente da mesma maneira, que a realidade foi criada e pronto, fim da criação. A diferença é que para os criacionistas o criador da realidade se chama Deus e para os evolucionistas o criador da realidade se chama matéria.
Nada nunca foi criado. As coisas não foram criadas. Realidade não é um criado. Realidade é criação. Ou seja, realidade está sendo criada instante após instante, agora, agora, agora, agora... Se a criação parasse de acontecer agora, tudo desapareceria agora porque não haveria mais criação para produzir realidade.
Observe uma vaca pastando na tela. Se o computador parar de criar a vaca na tela, o que acontece? A vaca desaparece imediatamente. Puf! Não tem mais vaca.
Vaca-pastando.mp4
Outro exemplo. Imagine uma vaca. Está vendo essa vaca na sua imaginação? Essa vaca na sua imaginação foi criada? Não, essa vaca na sua imaginação está sendo criada. Se você parar de imaginar essa vaca, a vaca imaginada desaparece.
Quer ver? Imagine a vaca se transformando em um coelho. Um coelho branquinho, fofinho. Está imaginando o coelho? Então, cadê a vaca? A vaca desapareceu. Agora imagine o coelho se transformando em um elefante grandão, pesadão. Está imaginando o elefante? Então, cadê o coelho? E cadê a vaca? O coelho desapareceu e a vaca desapareceu. E por quê? Porque você parou de criar (imaginar) a vaca e o coelho.
Nada jamais foi criado. Não existe passado. Tudo é constantemente criado aqui, agora e sempre. A realidade é uma criatura enquanto o criador está criando, se o criador para de criar, a criatura desaparece, pois não está mais sendo criada. Assim é com TUDO. Tuuuuuuudo, sem exceção.
Realidade não anda para frente, nem para trás, nem para cima, nem para baixo. Realidade não se desloca. Realidade é tudo. Tudo não tem para onde ir. Tudo vai e vem no mesmo lugar, feito imagem numa tela de televisão.
Tudo se transFORMA. De onde a realidade na televisão está vindo? Para onde está indo? Está indo e vindo do mesmo lugar: da transformação na tela. Cada novo estado da tela, não é uma nova tela, é a mesma tela transFORMAda.
O mesmo acontece com sua realidade: não se desloca, se transFORMA. O lugar onde sua realidade se transforma se chama: você. Big bang é um big engano. Você não está contido na realidade, é a realidade que está contida em você.
Se você não é o criador da sua realidade, sua realidade não tem relação causal com você. Logo, para que autoconhecimento se tudo que você experimenta é efeito de uma causa que não é você?
"Autoconhecimento para viver melhor!", mas se você não é o criador da sua realidade, você não vive, você é vivido, igual um boneco de marionete. Quando você vai para direita, não foi você que foi, não foi você que causou seu deslocamento, foi o criador-outro. Você é só uma criatura, um avatar na tela de um vídeo game que está sendo controlado por um criador que não é você.
O segundo equívoco da mentalidade materialista é o deusoutro (criador-outro). Para sair do equívoco do deusoutro, você precisa despertar para o fato que você é o criador da sua realidade. Você precisa despertar para o fato que Deus é você e não outro.
Você pensa assim: "Como posso ser o criador dessa realidade, se essa realidade é material e eu não sou criador da matéria? Como posso ser o criador do sol, das estrelas, dos planetas, dos bichos, das nuvens, das montanhas? Como posso ser o criador de todos os objetos se eu não consigo nem desenhar uma casa numa folha de papel? Impossível!".
Se o universo fosse externo e material, sim, seria impossível. Só que o universo não é externo nem feito de matéria.
Uma coisa é um objeto ser duro, grande, tridimensional, colorido, quente, etc. Outra coisa é você ter uma experiência de dureza, grandeza, tridimensionalidade, cor, temperatura e, por conta disso, supor um objeto externo com essas características. Você é sim o criador da matéria, pois matéria não é feita de matéria, matéria é feita de experiência.
Não existe objeto sol, existe experiência objetiva de sol. Sol é feito de experiência. Retire sua experiência de sol, que sol fica? Cadê o sol sem sua experiência de sol? Não tem sol sem experiência de sol. E por que não? Por que sol não é um objeto externo, é uma experiência dentro de você.
Está óbvio que tudo é feito de experiência? Ainda não! Então, descreva o sol. Descreva esse objeto que você chama de sol. Vamos supor que você descreva assim: "O sol é um objeto esférico, iluminado, quente, amarelo, que fica longe de mim".
Percebe que para descrever o sol você usa uma série de adjetivos: esférico, iluminado, quente, amarelo, distante? Onde estão os adjetivos? Nos objetos? Você supõe que sim. Você supõe que esférico, iluminado, quente, amarelo e distante saem do sol e entram em você. Só que não.
Os adjetivos estão em você. São atribuições mentais suas. E pior! Objeto também é um adjetivo. Sem forma nenhuma, que objeto seria o sol?
Matéria é feita de experiência e não de matéria. "Ah, mas tem o objeto em si, que eu vejo, e daí tenho a experiência de objeto dentro de mim", você pode dizer. Essa é exatamente a suposição equivocada da mentalidade materialista.
O quarto equívoco da mentalidade materialista é o dualismo. Você é a fábrica da realidade, mas não está além da realidade. Não tem criador e criatura: criador é criatura e criatura é criador. O criador da realidade não está separado da realidade. Esse é o equívoco do dualismo. Realidade é o estado do ser (criador). Eis o monismo. Fim da dualidade.
Vamos voltar ao exemplo da vaca pastando na tela do seu computador. Se você acreditar que a vaca é um objeto independente da tela, surge a dualidade: vaca e tela. Se você perceber que a vaca pastando no monitor são estados da tela, que é a tela se transformando, instante após instante, fim da dualidade. Eis o monismo. Só tem um único ser, uma única existência, a tela, que por estar se manifestando em forma de vaca pastando, produz a ilusão, o efeito, a realidade de vaca pastando. Não existe criador e criatura. A criatura é o criador se vendo como criatura.
Imagine que a tela do computador fosse consciente, mas só conseguisse ver o que ela cria. Quando a tela criasse uma vaca pastando, devido à impossibilidade de ver outra coisa senão o que está criando, o que a tela iria acreditar ser?
A tela iria acreditar que ela é uma vaca pastando. E se alguém dissesse para tela que ela é muito mais que uma vaca, que ela é uma tela, que ela é uma fábrica de realidade com potencial infinito. O que a tela diria?
Por favor, presta atenção, que agora é o ponto alto do equívoco. Vou repetir! Se alguém dissesse para a tela que ela é muito mais que uma vaca, que ela é uma tela, que ela é uma fábrica de realidade com potencial infinito. O que a tela diria?
Clique no play para ouvir o que a tela diria:
Mugido-03.mp3
Você é a fábrica da sua realidade. Mas quando eu lhe digo isso, o que você diz?
Clique no play para ouvir o que você diz:
Por que você afirma que uma maçã existe?
Porque eu vejo, pego, cheiro, saboreio, enfim, tenho uma experiência de maçã.
O que faz sua experiência de maçã ser diferente de uma experiência de abacate?
Maçã é uma experiência que tem forma, cheiro e gosto de maçã. Abacate é uma experiência que tem forma, cheiro e gosto de abacate.
Sendo assim, do que maçã e abacate são feitos?
São feitos de paladar, tato, cheiro, sabor e visão.
O que é paladar, tato, cheiro, sabor e visão?
São formas conscienciais. São feitos de consciência.
Sair da matéria é simples assim, basta você perceber que nunca esteve dentro. E esse tutorial não serve apenas para desmaterializar maçãs e abacates, tem o poder de desmaterializar toda matéria do universo, inclusive seu corpo.