Escrevo esse livro por dois motivos, ambos insolentes. O primeiro é porque alguém precisa esfregar a ignorância científica dos cientistas na cara deles. Como nenhum cientista me parece capaz ou disposto a fazer isso, vou me dar ao trabalho. Claro que, não sendo cientista diplomado, meu tapa autocientífico não vai nem arranhar a ignorância PhD dos cientistas, que ignoram minha existência, assim como suas próprias, mas o ato de fazer o que acho que precisa ser feito, já me basta.
O segundo motivo é que alguém precisa esfregar na cara dos espiritualistas que iluminação não é bacharelado espiritual, é o pré-primário da espiritualidade. Requer muita competência de pensamento, mas iluminação é ridiculamente fácil de alcançar. Qualquer ser humano pode atingir a iluminação a qualquer instante, sem complicação nenhuma, sem treinamento, sem porra nenhuma.
Ah, claro, tem um terceiro motivo que não é insolente, é empático. Também já busquei a iluminação e fiquei preso nos equívocos do materialismo e do dogmatismo da iluminação. Espero que esse livro possa ajudar você, buscador, a reconhecer esses dois equívocos e finalmente encontrar o que está procurando. Boa leitura!
Eu tinha muita vontade de experimentar caviar na infância, mas só servia em festa de adulto rico. Eu não era adulto nem rico, então, só me restava ficar fantasiando o sabor. Certo dia, um tio aventureiro viajou para Rússia e trouxe um pote de caviar de presente para minha mãe. Fiquei doido para experimentar. Minha mãe disse que caviar era iguaria e só seria aberto numa ocasião especial. Fazer o que? Continuei fantasiando. Quando chegou o natal, abriram o tal do caviar.
Creeeeeeeedo! Foi o sabor mais horrível que experimentei na vida. Caviar tem gosto de barraca de peixe em fim de feira. Não era nada do que imaginava. Fiquei muito decepcionado. Iluminação é o caviar dos buscadores espirituais. Só busca iluminação quem vive no mundo da fantasia e imagina que é algum tipo de experiência transcendental. Mas é o oposto disso. Iluminação é o fim do equívoco da transcendência. Iluminação não é sequer uma experiência, logo, nem gosto tem.
Quando você atinge a iluminação, você se dá conta do óbvio: eu existo. Só isso! E nada além disso. Só que não adianta explicar isso para um buscador espiritual. Ele quer se decepcionar por si mesmo, tanto com o caviar como com a iluminação. Se você é um buscador espiritual, boa viagem rumo a decepção. Quando atingir a iluminação, comemore com caviar.
No começo da minha jornada de autoconhecimento, participei de um grupo de ciências no Yahoo Grupos. Era um grupo formado por físicos e professores de ciências. Certa vez, abri um tópico nesse grupo para estudar a equação de Einstein: e=mc2. Todo professor adora um aluno bom de pergunta. Quanto mais eu perguntava, mais gostavam de mim. Diziam ser um excelente aluno, muito inteligente, que estava ajudando a elevar o nível da conversa no grupo.
Eram só elogios. Até que a conversa chegou na questão da medição. Não tem como fazer ciência sem medição. É impossível. Sendo impossível, a questão da medição é fundamental. Sendo fundamental, é preciso entendê-la. Foi então que fiz a pergunta que nunca deve ser feita a um cientista, a pergunta proibida na ciência: o que é medir?
Primeiro recebi respostas tipo: medir é pegar uma régua e medir. Refutei todas, dizendo que não me referia a métodos de medição, mas a natureza do verbo medir. Ninguém soube responder. Disseram que havia saído da ciência e começado a viajar na maionese. Passei de melhor aluno a pior aluno, de queridinho dos professores a persona non grata. Ao invés de elogios, virei alvo de chacota. Por fim, me expulsaram do grupo.
Sabia que isso ia acontecer. Me dei ao trabalho de questionar a equação de Einstein justamente para chegar na pergunta proibida. Queria ver os professores e Phds da ciência se remoendo com uma pergunta tão simples e de resposta tão óbvia.
Estava assistindo um debate sobre a natureza da realidade com um cientista Phd em física e um estudioso do budismo, aluno do Dalai Lama. O cientista era um escritor best seller, inteligente, bem-humorado e ótimo comunicador. Ele começou sua participação dizendo o seguinte: "Na ciência, tem mais coisas que não sabemos do que coisas que sabemos. Mas sabemos algumas coisas e vou compartilhar um pouco do que sabemos". Aí sim! Nota dez para os cientistas!
No meio do debate, o estudioso em budismo questionou o cientista sobre a consciência. Perguntou qual era a relação da consciência com a natureza da realidade. O cientista respondeu: "A consciência faz parte das coisas que ainda não sabemos". Aí não! Nota zero para os cientistas! Como não sabe o que é consciência? Consciência é saber e saber que sabemos é a única coisa que podemos saber sempre e sem sombra de dúvidas.
É hilária a erudição do ser humano. Uma pessoa é capaz de pensar centenas de teorias complexas e quando alguém lhe pergunta sobre o óbvio ululante, a pessoa responde, no apogeu da erudição, que "consciência faz parte das coisas que ainda não sabemos". A conta científica não fecha! E a matemática é simples: como um ser humano pode saber do que quer que seja sem consciência? Impossível! Ciência sem consciência é o mesmo que fotografia sem máquina fotográfica.
Para saber o que é consciência, basta saber que sabe. É simples! É direto! É fácil! É totalmente empírico! É 100% científico! Consciência é saber. Não precisa de ressonância magnética e tomografia do cérebro. Não precisa estudar. Não precisa teorizar. Não precisa sequer explicar, basta ficar consciente da consciência. Infelizmente o estudioso do budismo não soube esfregar essa obviedade na cara do cientista.
"Ninguém nasce sabendo", diz o ditado popular. Isso é um equívoco. Claro que você não nasce sabendo andar, falar português, nem nada do que aprende depois que nasce. Mas se você não nascesse sabendo, como saberia que nasceu? E mais! Quando você não sabe de algo, como saberia que não sabe?
O que você aprende depois que nasce, não é saber, é sabedoria. Andar é sabedoria, falar português, é sabedoria. Você pode aprender infinitas sabedorias, desde fazer tricô a dar um salto duplo mortal carpado, mas é impossível aprender a saber. Se fosse possível, bastaria matricular um cego em um curso de ótica e ele começaria a enxergar. Saber é capacidade perceptiva inata. Saber é anterior ao que você está sabendo.
Por isso que toda experiência passa e o saber permanece. Saber é parte da sua natureza existencial. Você é saber. Só que você não sabe disso. Você ignora sua natureza existencial. Por quê? Imagine que você fosse incapaz de fechar os olhos, o que aconteceria? (1) Você confundiria o que você está enxergando (visto) com a visão (ver). (2) Você não saberia o que é enxergar porque não saberia o que é não-enxergar. É impossível não saber, por isso: (1) Você confunde o que está sabendo (sabido) com o saber. (2) Você não sabe o que é saber porque não sabe o que é não-saber.
Se eu te perguntar o que existe, você irá apontar para tudo que está ao seu redor: estrelas, planetas, pessoas, bichos, plantas, pedras, cadeiras, paredes, etc. Se eu te perguntar com base em que você afirma a existência dessas coisas, você me dirá que é baseado na observação empírica (ciência). Se eu te pedir para continuar usando esse mesmo método e apontar para o observador que está observando tudo que você diz que existe, você irá apontar para o seu corpo. Eis quando ciência vira crença.
Localizar o observador (consciência) dentro do corpo, como sendo um produto da matéria, feito um programa de computador, não é observação empírica, é crença. Olhe para seu corpo. Não é óbvio que seu corpo se trata de um objeto que você está observando tal como qualquer objeto? Sendo assim, cadê você, observador que está observando o corpo?
Afirmar que você, observador (consciência), está dentro do corpo, não é uma afirmação baseada no empirismo, é baseada na imaginação. Sendo que é impossível observar a observação, seu último recurso para se localizar no espaço-tempo, é se imaginar como sendo um fantasma dentro da máquina (dentro do corpo). É por isso que os neurocientistas fazem tanto eletroencefalograma, ressonância magnética e tomografia do cérebro. Eles estão tentando fotografar você (observador): o fantasma dentro da máquina.
O que os neurocientistas não entendem é que é a máquina que está dentro do fantasma, ou seja, é o cérebro que está dentro da consciência. A resposta científica para a pergunta "cadê você, observador, que está observando tudo que existe?", é: não estou em lugar nenhum, pois não sou observável. Iluminação é isso! Ficar consciente que você, observador, é inegável, mas não é observável. Isso não é imaginação, não é crença, é constatação empírica. Você não consegue observar sua observação. Pronto! Está iluminado! Pode comemorar com caviar.
Você, observador, é a consciência que está observando tudo que existe, mas você não existe. Quando digo que você (observador) não existe, estou usando a lógica materialista e não a lógica iluminada. A lógica materialista iguala realidade com existência. Você observa algo, logo, esse algo é realidade, logo, existe. Segundo essa lógica, sendo que é impossível observar a observação, mesmo que você (observador) seja inegável, você não existe.
O que existe, existe. Não tem começo nem fim. Não termina porque nunca começa. Não está em lugar nenhum porque é o lugar onde tudo está. Não é produto do tempo e do espaço, é a fábrica deles. Não é observável porque é o observador. Fique consciente da consciência e perceberá que ela preenche todos esses requisitos. Logo, você, observador, é quem merece o título de existência. O que você observa não é existência, é realidade.
O que você observa é como um filme, temporal e dimensional; você, observador, é como a televisão, atemporal e adimensional. Só que você não está acostumado a separar existência de realidade, até porque, não existe linha divisória. A realidade acontece "dentro" da observação assim como um filme acontece "dentro" da televisão. O que separa existência de realidade não é uma linha, é a relação de causa e efeito. O filme não é o criador da televisão, é efeito.
Mas o rei está dormindo. E quando isso acontece, a realidade ataca o castelo da existência, senta no trono, coloca a coroa e se proclama existência. O resultado dessa inversão de causa e efeito é o reinado do materialismo e tudo que vem nesse pacote. Iluminação é o despertar do rei.
Era uma vez um cientista que negava a existência de câmeras fotográficas. A câmera fotográfica chegou primeiro e ficou aguardando o cientista. O tempo foi passando e o cientista não aparecia. Como já estava tarde e a câmera fotográfica precisava ir embora, ela bateu uma fotografia do laboratório e deixou a fotografia sobre o balcão. Com a fotografia, ela deixou um bilhete: "Caro cientista, estive aqui para o nosso encontro, mas como você não apareceu, deixo esta fotografia do laboratório como prova da minha existência".
No dia seguinte, o amigo do cientista lhe perguntou sobre o encontro. Ele respondeu: "Meu carro quebrou e quando cheguei no laboratório a suposta câmera fotográfica já havia ido embora, só tinha esta fotografia no balcão". O amigo indagou se agora, com a fotografia de prova, ele reconhecia a existência de câmeras fotográficas. O cientista respondeu: "Claro que não! Eu examinei cada detalhe dessa fotografia e não encontrei a câmera fotográfica em lugar nenhum da imagem".
Para entender a realidade não adianta olhar para fora e entrar dentro do fora, dentro do observado. É preciso inverter o olhar e entrar dentro do dentro, dentro do observador. Assim como é impossível a câmera fotográfica aparecer na fotografia, mas é evidente que ela existe, também é impossível observar a consciência, mas também é evidente que a consciência existe. O método científico da observação é o único método capaz de retirar um ser humano da superstição e levá-lo até o óbvio.
Porém, o método científico é alicerçado na mentalidade materialista e ao aplicá-lo no estudo da realidade, ele cria o problema que está tentando solucionar. Não tem como entender a realidade partindo da suposição de que a consciência é um produto da realidade. Acreditar nisso é o mesmo que acreditar que a câmera fotográfica é um produto da fotografia. Para entender a realidade é preciso aplicar o método científico no próprio método científico. É preciso observar a observação.
Achamos graça e rimos porque entendemos a burrice. Quando atingi a tão cacarejada iluminação, entrei em estado de graça e comecei a rir da minha estupidez. "kkkkk... Que burro! kkkkk... Como não percebi isso antes!" eu pensava e ria. Mas o que foi que eu percebi? Percebi que estava preso no mesmo equívoco do cientista que não acreditava na existência de câmeras fotográficas: a busca pela evidência.
Todo equívoco é sincero. Ninguém fica preso em um equívoco porque quer, mas por ignorância. Quando um cientista afirma que algo não existe por falta de evidência, ele está sendo sincero e defendendo a aplicação do método científico. Eu amo o método científico e também sou defensor do empirismo. Mas no caso da existência da consciência, esse cientista está equivocado. E pior! Está indo contra o método científico. O que pode ser mais evidente que a existência da consciência?
A coisa mais evidente que existe é a consciência! Como qualquer um, até mesmo um mosquito, poderia saber qualquer coisa sem a existência da consciência? Só que os sábios cientistas, presos no equívoco do materialismo, querem porque querem encontrar a câmera fotográfica dentro da fotografia. Tremendo equívoco! Evidenciar é a evidência. É simples assim.
Buscar a evidência é o que mantém você afastado da iluminação de que evidenciar é a evidência. Pare de buscar a câmera fotográfica dentro da fotografia e você verá a câmera fotográfica por todos os lugares da fotografia. Pare de buscar sua existência na realidade e você se verá em todos os lugares da realidade. Pronto! Está iluminado! Sugiro dar risada. A outra opção é chorar.
Buscador espiritual, iluminação não é mais, iluminação é menos! Menos o quê? Menos ignorância! Iluminação não acrescenta nada na sua experiência de ser humano, apenas retira seus equívocos. Um desses equívocos é sua crença de que iluminação é uma experiência. Iluminação não é uma experiência. Experiência tem começo, meio e fim. Iluminação é ficar consciente que você é consciência.
Perceba que você percebe. Perceber tem começo, meio e fim? Não! Saiba que você sabe. Saber tem começo, meio e fim? Não! Fique consciente que é consciência. Consciência tem começo, meio e fim? Não! Isso é iluminação. Não é uma experiência e nem precisa buscar. Sua busca pela experiência da iluminação até faz parte do seu processo de atingir a iluminação, mas não pelo êxito e sim pelo fracasso. Cada fracasso é você retirando de si a crença equivocada de que iluminação é mais. Iluminação é menos!
Você fala que quer atingir a iluminação, mas é mentira. Você não quer isso. Você quer o que acredita que vem junto com a iluminação. Você quer o Nirvana, ou seja, felicidade eterna. Por isso você não se conforma que iluminação é apenas ficar consciente que você é consciente. Ficar consciente disso é igual beber água, não tem gosto, nem cheiro, nem sabor.
Aliás, é pior do que beber água, pois beber água pelo menos mata a sede, ficar consciente que você é consciência não mata sua sede por felicidade, pelo contrário, aumenta. Por isso você toma chá de bambu, e faz yoga, e faz sexo tântrico, olha para parede, e viaja para índia, mas nada de felicidade que dure para sempre. Tudo acaba. Mesmo o pico de felicidade mais estratosférico, tem começo, meio e fim. Então cadê o Nirvana que vem com a iluminação? Simples! Não tem!
Materialismo é a suposição de que você é um corpo contido no espaço. Materialismo é um equívoco. Não existe espaço. Você não está contido no espaço. Você é o espaço onde tudo está contido, inclusive seu corpo. Porém, quanto mais forte é sua crença no materialismo, mais você resiste em perceber isso. Por isso iluminação é para os fracos.
Iluminação não te faz rico, não te faz bonito, não aumenta seu status, não deixa você mais atraente, não paga as contas no fim do mês, não coloca comida na sua mesa. Iluminação é inútil, só serve para você saber que existe. Nada além disso.
Iluminação não é o fim do sofrimento. Sofrimento é uma questão relacionada ao desejo e não à consciência. Por isso, quando você desperta, você pode continuar sofrendo, às vezes, até mais. Para sofrer menos, você precisa aprender a lidar bem com seu desejo, e para aprender isso, você precisa estudar seu funcionamento psicológico e pessoal. Iluminação não te ajuda com isso. Aliás, pode atrapalhar, pois quando você desperta, você pode acreditar que o psicológico e o pessoal é irrelevante, e essa crença irá perpetuar seu sofrimento.
Você lê sobre iluminação e chega à conclusão que está rolando uma festa para a qual não foi convidado. Você fica emputecido e quer entrar na festa de qualquer maneira. Faz meditação, reza, toma chá de bambu, lê tudo que tem para ler e ainda assim não chega nem na porta. Até que desiste e nuft! Desperta a consciência. Ufa! Iluminou! Agora pode voltar!
Como voltar! Dei um duro danado para chegar aqui. Tive que matar o materialismo dos cientistas e o catecismo dos religiosos. Agora sou um iluminado! Iluminados moram no paraíso, não é? O que você acha que vai fazer aqui no paraíso? Passar a eternidade tocando harpa e peidando nuvens? Pode voltar!
Quer dizer que a gente chega na iluminação só para voltar? É por isso que os iluminados chamam a iluminação de vazio absoluto, não tem absolutamente nada para fazer aqui. Aliás, nem "aqui" tem. E a festa? Cadê a festa? Não tem festa! Mas falaram que tinha. Pegadiiiinha!
Iluminação é o fim de um equívoco. O equívoco de que você é um corpo. O corpo desaparece com a iluminação? Não! O mundo deixa de ser tridimensional? Não! As paredes deixam de ser duras e a água deixa de ser mole? Não! O tempo para? Não! O sofrimento desaparece? Também não! Então, o que muda?
Iluminação muda seu senso de existência. Antes da iluminação sua noção de existência é física. Você acredita que é um corpo que tem cinco sentidos (visão, tato, paladar, audição e olfato). Depois da iluminação, sua noção de existência inverte e se torna consciencial, fica óbvio que você não é um corpo com cinco sentidos, você é os cinco sentidos criando a noção de corpo com cinco sentidos.
Essa desinversão é contraintuitiva, mas é óbvia. Faça um experimento. Feche os olhos e note o que acontece. Seu corpo desaparece imediatamente. Seu corpo só existe porque você pode vê-lo e tocá-lo. Ver é a visão. Tocar é o tato. Se você desligar a visão e o tato, puf! É o fim do corpo. Só que você não consegue desligá-los. E por que não? Porque tato, visão, olfato, paladar e audição é você, é sua existência.
Você não tem cinco sentidos, você é cinco sentidos. Audição, visão, tato, paladar, e olfato é você, existência senciente humanizada. O mundo que você está vendo existe na sua visão. No rigor empírico, o mundo que você está vendo é feito de visão. Você não é um corpo físico porque seu corpo físico não é físico, não é feito de matéria, é feito de visão e tato. Despertar para essa obviedade é a iluminação.
Sua noção de existência muda de "eu sou um corpo observando outros corpos através dos cinco sentidos" para "eu sou cinco sentidos criando a perspectiva humana de que sou um corpo observando outros corpos através dos cinco sentidos". No materialismo, você é um corpo contido no espaço; na iluminação, você é o espaço que contém tudo, inclusive seu corpo. Na iluminação, a matéria não existe, acontece em você.
Toda vez que você abre a geladeira, a luz está acesa, não porque fica acesa o tempo todo, mas porque abrir a geladeira faz acender a luz. O mesmo acontece com o despertar existencial. Toda vez que você observa a observação, você fica consciente da consciência, não porque estava consciente o tempo todo, mas porque a observação da consciência deixa você consciente da consciência.
A filosofia ocidental deixa de lado o existencial?Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e têm alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou Deus.
A sabedoria para viver bem vem junto com o despertar existencial?Não! O único autoconhecimento que você adquire com o despertar existencial é o existencial. O despertar existencial é existencial, não é psicológico, nem pessoal, logo, não produz nenhum autoconhecimento psicológico e pessoal. Para viver bem, você precisa descobrir como você funciona enquanto pessoa, praticando auto-observação psicológica e pessoal.
Bebês vão adquirindo consciência desde que nascem?Não, todo ser humano nasce sabendo. Caso contrário, os seres humanos nasceriam cegos, surdos, sem olfato, paladar, tato, e só iriam adquirir essas capacidades perceptivas conforme fossem crescendo. Mas não é assim. Os seres humanos nascem e morrem com os mesmos cinco sentidos. O que os seres humanos vão adquirindo a partir do nascimento não é consciência, é sabedoria.
Como identificar um ser iluminado?Para identificar se uma pessoa é iluminada, você deve se iluminar primeiro e depois conversar com a pessoa para verificar se a pessoa tem a mesma iluminação que você. Fazer isso sem se iluminar é como um cego tentar identificar quem tem visão.
Como me provar que eu-ser existo?Sempre através da auto-observação. Em algumas tradições budistas, a pedagogia consiste em provar para si que você não existe através da metáfora do carro: você desmonta o carro inteiro e mostra que não tem nada no carro que seja "o carro". Daí você faz o mesmo com você. Meu braço sou eu? Não! Meu pensamento sou eu? Não! Por fim, você provou que não existe como objeto! Mas quem fez isso e ficou consciente que você não existe?
Como surge o ser?Tudo que surge, desaparece. Ser não surge, nem desaparece, ser existe. O que surge e desaparece não existe, acontece. Tudo que você experimenta e chama de realidade não existe, acontece, pois surge e desaparece em um lugar. Esse lugar onde tudo acontece é permanente. Esse lugar é você.
Consciência é saber que sei?Não, isso é ficar consciente da consciência. Consciência é um dos três aspectos da sua natureza existencial: existência, potência e consciência.
Crenças espiritualistas dificultam o despertar existencial?Se você estiver consciente que essas crenças são crenças, não dificultam em nada. O problema é quando você atribui a uma crença o status de obviedade. Quando você pensa que sabe, você não tem motivo para descobrir, pois pensa que já sabe.
Descartes iluminou? Tenho duas hipóteses: ou Descartes iluminou, ou ficou na porta. Ele disse: penso, logo, existo. Gosto de pensar que ele usou "penso" porque na filosofia existe essa confusão entre pensar e saber. Se ele quis dizer "sei, logo, existo", ele iluminou.
Despertar existencial acaba com todos os equívocos existenciais?Só tem um equívoco existencial: o materialismo. Despertou do equívoco do materialismo, acabou o despertar existencial. Fim.
Despertar existencial é consequência do psicológico e pessoal?Não! Despertar existencial é consequência da prática de auto-observação existencial. Você pode despertar para sua existência, mas se continuar ignorante do seu funcionamento humano, continuará vivendo mal.
Escolaridade tem relevância no despertar existencial?Não! Todo ser humano tem a capacidade inata de praticar auto-observação e despertar a consciência.
Estar consciente que sou observador do pensamento é iluminação?Sim! O esperto pensa que sabe, o desperto sabe que pensa.
Eu sou infinito e eterno?Sim. Infinito é adimensional. Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O adimensional é a fábrica das dimensões. Você (ser) é a fábrica do espaço-tempo.
O que é espiritualidade?Espiritualidade é existencialidade.
O que é ficar no presente? É uma maneira de se referir à prática da auto-observação.
O que é ignorância PhD?É quando você pensa que sabe. Imagine uma pessoa muito culta que está de olhos fechados, mas acredita que está de olhos abertos.
O que muda com o despertar existencial?Muda sua noção de existência. Antes, você acredita que tudo no tempo e no espaço existe. Depois, fica óbvio que tudo no tempo e no espaço apenas acontece; o que existe é você, além do tempo e do espaço.
O que você faz para permanecer na consciência existencial?Essa necessidade de permanecer nela o tempo todo é uma neurose espiritualista. Não faço nada. Passo a maior parte do tempo na mentalidade materialista lidando com o dia a dia. A diferença é que sei onde fica a porta de entrada. Quando preciso, atravesso a porta e entro.
Onde fica a consciência?Lugar diz respeito a um corpo no espaço. Só que a consciência não está no espaço, a consciência é o espaço onde tudo está. Por isso é impossível localizar a consciência.
Para que serve existir?Existir não serve para nada. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem porque ser é existir.
Por que demorei para atingir a iluminação?Porque sua dor pessoal era grande. O foco da sua atenção estava capturado pela dor. Conforme você foi produzindo autoconhecimento pessoal, sua dor diminuiu e sua atenção foi liberada até que você pôde observar a observação por um segundo e puft! Iluminou!
Por que despertar existencial é raro?Porque a mentalidade materialista é muito convincente.
Por que despertar existencial é tão difícil?(1) Porque sua existência não é uma experiência. (2) Porque ela é tão óbvia que passa despercebida. (3) Porque você nasceu em uma coletividade de ignorantes existenciais. (4) Porque ninguém ensinou sua coletividade a praticar auto-observação.
Por que estudar o existencial primeiro?Porque não se constrói uma casa começando pelo telhado. Existência é o alicerce. Convivência é o telhado. Muitos trabalhos pulam o alicerce para apagar o fogo no telhado (conflitos humanos), mas melhor do que curar feridos é acabar com a guerra através do alicerce existencial.
Por que iluminação é menos?Se você retira a sujeira dos óculos, tem a sensação que sua visão aumentou, mas foi a sujeira que diminuiu. Não existe expansão da consciência, o que existe é diminuição da ignorância.
Por que ser não morre?Porque não nasce. O que não nasce, não morre. Você-ser não nasce, logo, não morre. Existência existe.
Qual é o objetivo da iluminação?Produzir autoconhecimento existencial e possibilitar que você viva melhor.
Qual é o problema da espiritualidade?Quem fala em espiritualidade geralmente não sabe do que está falando. Espiritualidade não é fazer reiki, ler livros ou fazer rituais. Espiritualidade é autoconhecimento existencial. Só isso!
Qual é o problema de confundir nascer com existir?Essa confusão faz surgir uma doença incurável chamada vida. Quem tenta te matar não é a morte, é a vida. A morte é o momento que você perde e a vida ganha.
Que vida vou viver após a iluminação?Exatamente a mesma vida humana que vive atualmente, porém, com melhor qualidade devido ao autoconhecimento.
Ser é feito de quê? Ser é feito de existência.
Existem 3 tipos de iluminação?Iluminação existencial (sobre o que é existir), iluminação psicológica (sobre o que é o humano) e iluminação pessoal (sobre o que é você como pessoa).