Os discípulos levam o velho mestre para o restaurante. A ideia é simples: testar aquela sabedoria que o tempo poliu.
Está tudo combinado.
Sob o teto baixo do restaurante, o garçom, cúmplice, serve sopa a todos os discípulos — mas nunca ao mestre.
Os pratos fumegam, as colheres tilintam, e o velho permanece ali, silencioso, observando o vapor subir das tigelas alheias.
Pratos limpos, palitos de dente em ação, todos prontos para irem embora. O mestre levanta o braço e chama o garçom. Com uma voz serena, de pura constatação, diz ao homem do avental:
— Meu filho, aqui não caiu nem um pingo de sopa.
O garçom, cumprindo sua parte no teatro, responde com desdém:
— Afff! Está caduco, velhote! Lhe servi sopa três vezes!
Há um silêncio na mesa, daqueles de entortar colher na Matrix. O mestre dá um sorriso de canto de boca, ajeita o guardanapo e, com a calma da Oráculo fazendo biscoito, responde:
— Puxa vida, é verdade. Memória fraca. Coisa da idade. Mas a sopa está tão deliciosa que vou aceitar ser servido uma quarta vez.
Você prefere ter razão ou tomar sopa?
Foca na sopa.
Foca na autorrealização.
Prefira ser feliz.