Você não é uma pessoa, você é um usuário da natureza humana. Você não está vivendo, está descobrindo o que é ser humano. Viver não é viver. Viver é uma atividade autocientífica. O dia que você descobre isso é o dia do seu apocalipse. Apocalipse não é o fim do mundo, apocalipse é o fim da ignorância. A palavra apocalipse significa descoberta. Apocalipse é você descobrindo o que é ser humano. O apocalipse não destrói o mundo, destrói sua ignorância sobre o que é humano e sobre o que é viver. Para entender o que é humano você não vai para uma escola, você se transforma na escola você se transforma em humano. Claro que se transformar em humano sem saber o que é humano é igual entrar em um labirinto de olhos fechados, você só consegue dar cabeçadas nas paredes. Mas se você já soubesse, como poderia brincar de descobrir?
O entendimento que ser humano é atividade autocientífica implica em várias mudanças de entendimento. A principal mudança é que você não é SÓ humano, é um SER humano. Você é um SER que está sendo humano. Assim como é preciso existir a televisão para ter onde o filme acontecer, também é preciso você existir (SER) para poder ser humano. Você é primeiramente um ser, e por isso, pode ser, secundariamente, um ser humano. Se você não fosse ser, como poderia ser humano? Não poderia. Essa lógica é simples e fácil de entender. O desafio é que você se chama de SER humano, mas se entende como SÓ humano.
É comum pessoas de culturas espiritualistas virem conversar comigo. É muito comum também, durante estas conversas, me perguntarem se acredito em espírito. Digo que não. Surge um mal estar na conversa. Primeiro deixo o mal estar fazer seu trabalho, depois explico que não acredito em espírito porque, para mim, é evidente, não é crença. O ânimo espiritualista volta. Daí me perguntam: "O que é espírito?". Respondo, olhando no olho da pessoa: "Espírito é você!". A pessoa trava. Impressionante. A pessoa já leu todos os livros, sabe tudo sobre a vida dos espíritos, todas as fofocas, mas não sabe de si por si. "Como assim, espírito sou eu! Explica melhor!", as pessoas me dizem. Mas entendo a dificuldade. O que somos é mais perto do que perto. Por isso o oráculo aconselha: "Conheça a ti mesmo e conhecerá o universo e os deuses". Acreditar em espírito não é a solução para o despertar espiritual, é o problema, é o que bloqueia o despertar. Espirito é você e você não é uma crença. Para ter um despertar espiritual, você deve ser um cientista e não um crente.
Você é um ser que está usando a natureza humana para se manifestar. A natureza humana é tipo um sistema operacional de computador. Você, enquanto ser, enquanto usuário da natureza humana, está antes da natureza humana, assim como um usuário de computador está antes do programa que ele está usando. O usuário é anterior ao uso. A causa é anterior ao efeito. Sem usuário não tem uso. Sem causa não tem efeito. Você, enquanto ser, enquanto usuário da natureza humana, é a causa da sua experiência humana.
Você está sendo humano porque é um ser interessado em descobrir o que é ser humano. Seres interessados em descobrir o que é ser animal, estão sendo animais, seres interessados em descobrir o que é ser vegetal, estão sendo vegetais, seres interessados em descobrir o que é ser mineral, estão sendo minerais, e assim por diante. Cada ser está sempre sendo o que deseja experimentar.
Um dos grandes desafios de ser humano é que você ignora que está sendo humano por opção. Por causa disso, surge em você a lógica do vitimismo. Surge uma revolta que grita: "Eu não pedi para nascer!". Dentro dessa lógica, tudo que você experimenta, seja o que for, é injusto por princípio. A ignorância é fundamental para descoberta. Você precisa acreditar que é vítima para se descobrir responsável. Você precisa acreditar que é Só humano para se descobrir Ser humano.
Quando você está sofrendo, surge uma voz dentro de você que diz que o culpado pelo seu sofrimento é o outro. Esse outro pode ter muitos nomes, pai, mãe, família, sociedade, vizinho, motorista do carro da frente, patrão, funcionário, entregador de pizza, samambaia, açúcar, vírus, deus, diabo, destino, vida, etc. "Tadinho de mim! Pobre injustiçado sou eu!", diz o pensamento. E você acredita nele. Esse é o problema.
Essa voz é a mentalidade vitimista. Acreditar nessa mentalidade é o que te impede de viver bem. O truque é simples. Para viver bem você precisa descobrir o que está te fazendo viver mal, ou seja, a causa do seu sofrimento. Mas quando você acredita que o culpado pelo seu sofrimento é o outro, de que adianta autoconhecimento? Por isso, o primeiro passo para praticar autociência, é duvidar do vitimismo.
"Ops! Será que talvez, taaaaal veeeez... o culpado pelo meu sofrimento sou eu? Será que talvez, taaaaal veeeez... esse sofrimento está acontecendo por minha causa e não por causa do outro?". Sua mentalidade vitimista sofrerá uma rachadura e essa rachadura jamais irá se fechar, só irá aumentar. Até se transformar em uma obviedade: "Se sou culpado pelo meu sofrimento, então, também sou culpado pela minha felicidade!". Fim do vitimismo. Você deu o primeiro passo para se tornar um praticante de autociência e começar a viver bem.
Questões que antes eram raras e restritas estão surgindo e surgirão cada vez mais. O mundo não irá acabar. O resultado desse processo é muito simples: você irá assumir a responsabilidade por ser humano. Isso é inevitável, pois a lógica do vitimismo só se sustenta por ignorância.
Autoconhecimento é uma jornada do ponto A até o ponto B, mas não é uma jornada de deslocamento. Você não viaja de carro. Autoconhecimento é uma jornada consciencial. O ponto A é o estado de ignorância de si, ignorância sobre o que é ser humano. O ponto B é o estado desperto, consciente.
Eis o problema! Você já é um ser humano, então, você acredita que já sabe. Você tem convicção! Tanta convicção que até dá conselhos. Só que você não sabe. Você pensa que sabe. Se você soubesse mesmo, não vivia mal. Viver mal é a prova de que você não sabe o que é ser humano.
Mas é pior! Além de não saber, você não sabe que não sabe. Você ignora que ignora. Mas como você pensa que sabe, conclui: "Por que vou me dar ao trabalho de descobrir o que já sei?".
Eis como seu autoconhecimento termina antes de começar. Você é um aluno que acredita que é professor. Eu chamo isso de ignorância Phd. O problema da ignorância Phd é o mesmo de acreditar que você sabe pilotar um avião quando, de fato, ignora. Acidente garantido!
É por isso que você vive mal. É impossível viver bem em estado de ignorância. E como sair da ignorância Phd? O primeiro passo é admiti-la.
Teve uma época que frequentei um trabalho espiritualista. Eram palestras com grupos pequenos, entre 15 a 20 pessoas, então, podíamos interagir diretamente com o professor. Com o tempo, fiquei íntimo do professor. Então, de repente, ele começou a chamar de "sábio".
Por um lado, achei o máximo. "Até que enfim alguém me reconheceu!" pensei. Mas quando a esmola é demais o santo desconfia. Desconfiei mas fiquei na minha. O professor continuou me chamando de sábio. Sábio pra lá, sábio pra cá. Às vezes, alguém fazia uma pergunta e ele encaminhava para mim: "O que você acha, sábio?". Eu papagaiava um monte de conceitos filosóficos, psicológicos e espiritualistas.
Muito tempo depois, fui acompanhar esse professor em uma palestra. Nesse dia, tinha uma pessoa participando da palestra que era tipo sabe-tudo. De repente, o professor começou a chamar essa pessoa de sábio. Putz! Lembrei dele fazendo o mesmo comigo e a ficha caiu!
Quando o professor me chamava de "sábio", não estava elogiando minha sabedoria, estava apontando minha ignorância Phd. Eu não sabia, eu pensava que sabia. Entendeu, sábio?
Como você pode saber se está indo bem ou mal em descobrir o que é ser humano? Eis a função da felicidade e do sofrimento. Felicidade é indicativo que você está consciente e competente em ser humano. Sofrimento é indicativo que você está INconsciente e INcompetente em ser humano.
Assim como tocar bem piano é confirmação de lucidez e competência em tocar piano. Assim como dirigir bem um carro é confirmação de lucidez e competência em dirigir carro. Assim como falar bem um idioma é confirmação de lucidez e competência em falar aquele idioma. Viver bem é confirmação de lucidez e competência em ser humano.
Um homem culto precisava atravessar um rio e o único jeito era de balsa. Ele pegou a balsa e começou a conversar com o balseiro:
— Balseiro, você sabe matemática?
— Não! — respondeu o balseiro.
— Ah, então você perdeu metade da sua vida!
— Você sabe história grega?
— Não! — respondeu o balseiro.
— Ah, então, você perdeu metade da sua vida!
— Balseiro, você sabe química?
— Não! — respondeu o balseiro.
— Ah, então você perdeu metade da sua vida!
— Balseiro, você sabe literatura portuguesa?
— Não! — respondeu o balseiro.
— Ah, então você perdeu metade da sua vida!
No meio da viagem a balsa rachou e começou a encher de água. O balseiro perguntou ao homem culto:
— O senhor sabe nadar?
— Não! — respondeu o homem.
— Ah, então você perdeu sua vida inteira!
O barco afundando é o apocalipse, é o tira teima, é a hora de você avaliar se entendeu o que era fundamental entender com as experiências que teve: o que é ser humano. O homem culto é sua ignorância Phd, que sabe tudo de tudo, menos do que mais importa, saber de si. Por isso, o apocalipse é o fim da vida humana. O apocalipse deixa evidente se você sabe mesmo o que é ser humano, ou se você só tem cultura e teoria.
Você quer viver bem, quer ser feliz. Faz curso. Lê livros. Canta mantra. Faz mentalizações. Reza. E não entende porque continua estressado, angustiado, frustrado, depressivo, em pânico, etc. São dois motivos:
1) Conhecimento não é autoconhecimento
2) Acreditar não é saber.
Para entender porque sua vida não funciona você precisa entender como você funciona, você precisa de autoconhecimento. Esse é o primeiro passo. O segundo passo é parar de acreditar e começar a saber. Não importa se você tem uma mala cheia de cultura espiritual filosófica científica religiosa, se você não sabe, você não sabe.
Acreditar é entrar num quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá. Saber é acender a luz. Se alguma crença fosse capaz de resolver o sofrimento humano, já teria resolvido. Só a luz pode dar fim à escuridão. Só a consciência pode dar fim à ignorância. Praticar autociência é acender a luz.
Só existe crença em estado de ignorância, quando você está consciente, a consciência substitui a crença. Esse é o simbolismo do apocalipse. Apocalipse não é o fim do mundo, é o fim da ignorância. A palavra apocalipse significa descoberta. Apocalipse é o que acontece quando você pratica autociência e produz autoconhecimento.
Imagine que terminou o ano escolar e você resolveu fazer uma avaliação do seu nível de entendimento das matérias. Você conversa consigo mesmo:
— O que entendi de química?
— Não entendi nada.
— O que entendi de geografia?
— Não entendi nada.
— O que entendi de história?
— Não entendi nada.
— O que entendi de matemática?
— Não entendi nada.
— Então, não entendi nenhuma matéria?
— Não, pois você não assistiu às aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.
Vamos transpor essa conversa para você sendo humano.
— O que entendi das emoções?
— Não entendi nada.
— O que entendi do pensamento?
— Não entendi nada.
— O que entendi do desejo?
— Não entendi nada.
— O que entendi de ser humano?
— Não entendi nada.
— Não entendi o que é ser humano?
— Não, pois não assisti às aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.
O que você está fazendo quando mata aula? Você está matando o aluno em você. Que tipo de aluno você é quando mata o aluno em você? Você é um aluno morto. É por isso que no dia do julgamento final são julgados os vivos e os mortos. Julgamento final não é você sendo condenado ao inferno ou sendo abençoado com o paraíso, é você conversando com sua consciência, analisando, avaliando e julgando se você é um aluno vivo ou um aluno morto.
A todo instante você tenta viver a vida. Você fracassa repetidamente, mas persiste obstinadamente. E não entende porque fracassa. O motivo é simples. Você não consegue viver a vida porque não existe vida. O que existe é brincadeira de descobrir o que é ser humano, o que existe é atividade de autociência. Casamento, maternidade, profissão, medo de ladrão, medo da morte, solidão, raiva, decepção amorosa, festa, trabalho, férias, coçar o nariz, fazer xixi, comer pizza, etc. Tudo que você faz e experimenta é você brincando de descobrir o que é ser humano.
Você já leu todos os livros espiritualistas e está sempre em busca do próximo. Você está em guerra contra Carl Sagan e sua máxima que diz que você é feito de poeira de estrelas. A frase é bonita, mas só serve para ampliar sua angústia em escala astronômica. Esse seu conflito se chama materialismo. Nas palavras de Darwin, é a teoria que você é um espermatozoide em evolução.
O problema nisso é que tudo que evolui, involui, tudo que nasce, morre, e você não quer morrer. Ninguém quer morrer. Mas você não tem outra opção. Você é um espermatozoide que quanto mais corre mais se aproxima do cemitério. Mesmo que você seja um espermatozoide resignado como Jesus, ou um espermatozoide sábio e compassivo como Buda, ou um espermatozoide famoso como Michael Jackson, ou um espermatozoide rico e poderoso como Julio Cesar, você não deixa de ter o mesmo destino de todos os espermatozoides.
Se Carl Sagan e Darwin estão certos, seu fracasso é só questão de tempo. É angustiante isso. Como solução, você busca o extremo oposto, busca teorias espiritualistas, metafísicas, etc. "Poeira de estrelas seu cu, Carl Sagan! Eu sou espírito! Sou sopa quântica! Sou consciência cósmica!". Você aprende, decora e passa a acreditar com convicção nessas teorias. Só que teoria não resolve! Por mais forte que seja sua crença em uma teoria, você sabe que é teoria. Então, a angustia persiste. E persistirá até você sair do equívoco do materialismo.
Viver não é atividade biológica, é atividade pedagógica. Por isso, para viver bem, desista da pergunta: "Por que isso está acontecendo comigo?". A resposta para essa pergunta é muito simples: isso está acontecendo com você para que você produza autoconhecimento. O problema é que você ainda não entendeu isso. Você ainda acredita que viver é atividade biológica. Daí, ao invés de produzir autoconhecimento, você produz vitimismo e não avança para a próxima fase do jogo. Para subir de nível você deve mudar de pergunta. Seja lá o que aconteceu ou estiver acontecendo, se pergunte: "O que isso está me ensinando sobre ser humano e sobre minha pessoa?". Essa pergunta sim direciona sua consciência para o verdadeiro propósito do que você está experimentando: autoconhecimento.
Viagem tem dois sentidos: ida e volta. A experiência humana é semelhante, ou você está subindo no cavalo, ou você está caindo do cavalo. Subir no cavalo é adormecer na ignorância de si. Cair do cavalo é cair em si e despertar para o que é ser humano.
Subir no cavalo é tão fundamental como cair do cavalo. Não dá para colocar a queda na frente da subida. Primeiro é preciso esconder o tesouro para depois brincar de caça ao tesouro. Quanto mais você pratica autociência, mais desperta para o que é ser humano, ou seja, mais cai do cavalo.
Entregue, confie, aceite e agradeça. A viagem do despertar é a volta dos que não foram. Caia do cavalo e celebre seu fracasso!
Vida espiritual é exatamente essa vida humana que você nega na busca de outra. Não tem outra. Você é um ser humano. Ser é espírito, humano é seu estado de espírito atual. Você é um espírito humanizado. Quando você nega sua humanidade, você está matando exatamente a vida espiritual que está buscando, por isso nunca a encontra. Não é negando sua vida humana que você amplia sua vida espiritual pelo contrário é sendo humano ao máximo.
Você está na rodoviária do futuro. Momento de decisão. Você está decidindo em que ônibus deseja entrar, que viagem deseja fazer, que realidade quer experimentar ou parar de experimentar. Muitas pessoas queridas irão entrar em ônibus diferentes do seu. Rodoviária é momento de encontros e despedidas. Não tem ônibus certo nem errado. Cada ônibus faz uma viagem diferente e só cada um pode saber o que é melhor para si.
Tem seres que desejam continuar na ignorância. Tem seres que desejam ampliar seu estado de ignorância. Há um propósito positivo para isto. É uma espécie de estratégia kamikaze e não é diferente da que você esteve usando para chegar até aqui. Faça sua opção. Honre a opção do outro. Cada um no seu processo e todos no nosso.
Você existe. Logo, você vem de si e vai para si.
Despertar da consciência é natural?Sendo que tudo que faz parte das possibilidades da natureza é natural, sim, despertar da consciência é natural, pois é uma possibilidade. Contudo, nenhuma possibilidade se realiza sem que você execute a realização. Sendo assim, para ter um despertar existencial você precisa praticar auto-observação existencial, para ter um despertar psicológico você precisa praticar auto-observação psicológica e para ter um despertar pessoal você precisa praticar auto-observação pessoal.
Despertar existencial elimina as necessidades humanas?Despertar existencial altera seu entendimento sobre sua existência e não o modus operandi da natureza humana. Você deixa de se entender como só humano e começa a se entender como ser humano. Essa é a única mudança. Mas claro que essa conscientização lhe possibilita fazer melhores opções e, consequentemente, viver melhor.
Eu escolhi existir?Não! Você existe! Existir não é opcional, é existencial. Existir = ser. Nascer e existir não é a mesma coisa. A mentalidade materialista iguala nascer com existir. Existência existe. Existência não tem fim porque não tem começo. A morte é o fim de uma realidade e não o fim da fábrica da realidade. Você- ser é a fábrica da sua realidade.
Eu escolhi nascer mulher e pobre?Se não foi você que escolheu, quem foi?
Eu existo para além da carne?O que é carne? Ao que você está se referindo quando diz carne? Você está se referindo a uma experiência de carne. Sem a experiência de carne, que carne tem? Nenhuma! Por que não? Porque carne não é objeto físico, não é coisa feita de matéria, é objeto virtual, feito de experiência sensorial (visão, tato, paladar, audição e olfato). Todos os objetos que você supõe físicos, não são físicos, são objetos virtuais. Carne não existe, acontece. Se carne existisse, nunca deixaria de existir. Existência nunca começa, por isso, nunca termina. O que começa e termina não existe, acontece, igual um filme na tela da televisão. O filme começa e termina. Mas a televisão não começa com o começo do filme, nem termina com o fim do filme. A televisão existe antes do filme começar e depois que o filme termina. O filme acontece, a televisão existe. Se esses objetos que você supõe físicos, não são físicos, são virtuais: o que é isso que possibilita e dá corpo virtual a esses objetos? E mais! Pode isso que possibilita e dá corpo virtual aos objetos virtuais ser um corpo virtual também? Claro que não! A fábrica dos objetos está além dos objetos produzidos. É de outra natureza. Qual natureza? Existencial. E o que é isso que existe e produz os objetos virtuais? É você (você-ser).
Existe separação entre ser e humano?Sim e não. O problema nessa pergunta é o entendimento sobre separação. Na lógica materialista, separação necessita de espaço e tempo. A cadeira está separada da mesa no espaço-tempo. O passado está separado do presente no espaço-tempo. Se você tentar colocar o ser aqui e o humano ali, não irá conseguir, pois não existe essa separação espaço-temporal. Mas tem uma separação, mesmo que não seja espaço-temporal. E como separar o inseparável? Usando o discernimento. Essa é a função do discernimento: separar o inseparável. Por exemplo, olhe para um objeto, qualquer objeto. Você verá que esse objeto tem três dimensões: altura, largura e profundidade. Você consegue separar no espaço-tempo a largura da altura da profundidade? Não. São inseparáveis. Contudo, você sabe que são três dimensões distintas (separadas). Isso é óbvio. E como você sabe? Através do discernimento. Analogamente, também é através do discernimento que você separa o serumano em dois: ser e humano.
Humanização é um processo?Imagine que você vai jogar um videogame de realidade virtual. Você coloca o óculos, as luvas, tudo que é necessário. Imagine que nesse jogo você é um sapo. Quando você clica no botão iniciar, você precisa passar por um processo para virar sapo? Não! Sua transformação em sapo é imediata. Não tem processo nenhum, nem envolve aprendizagem. Clicou virou sapo. Metaforicamente, o mesmo acontece quando você-ser decide brincar de ser humano. Você clica na experiência humana e imediatamente você se transforma em ser humano. Também não tem processo nenhum, nem aprendizagem. Clicou virou humano. O que não significa que você já entra no jogo sabendo o que é ser humano. Pelo contrário, você entra no jogo em absoluta ignorância. Viver é você jogando o jogo para descobrir como o jogo funciona. Descobrir como o jogo funciona é produzir autoconhecimento. A produção de autoconhecimento é um processo.
Ignorar o observador é ignorar o ser que sou?Sim, exatamente! No estado de ignorância existencial você acredita que é SÓ humano, mas você não é SÓ humano, você é um SER humano.
Lucidez e maestria é a mesma coisa?Não! Lucidez é quando você sabe, quando você está consciente. Maestria é quando você tem competência na execução. Por exemplo, você pode ter lucidez sobre como se equilibra em uma bicicleta (teoria), mas não significa que tem maestria em executar o equilíbrio sobre a bicicleta.
O que é espiritualidade?Espiritualidade é existencialidade.
O que é estudar metafísica?É um equívoco! Meta significa além. Metafísica é além da física. Para existir metafísica é preciso existir física. Não existe física. Logo, não existe metafísica.
O que é ignorância phd?Ignorância PHD é quando você pensa que sabe. Imagine uma pessoa muito culta que está de olhos fechados, mas que acredita que está de olhos abertos. Isso é ignorância PhD.
O que significa a frase: a saída é entrar?Significa praticar autociência para viver bem. Autoconhecimento é diferente de conhecimento. Conhecimento é saber do mundo, do "lado de fora". Autoconhecimento é saber de si, do "lado de dentro". A palavra "saída" significa "solução". Solução para quê? Solução para o mal viver. Sem autoconhecimento é impossível viver bem.
Por que estudar o que é ser humano se um dia vou morrer?Porque esse dia ainda não chegou.
Por que fiquei irritado com a leitura do livro apocalip-se?Porque a função desse livro é cuspir na sua cara, xingar sua mãe e te chamar pra briga. Se você é um "sábio", você não quer autoconhecimento, não quer autociência. Vai fazer curso de floral, reiki, física quântica, lei da atração, barra de access, coaching, psicologia transpessoal e o escambau. Vai ler a biblioteca inteira de autoajuda. Vai tomar chá de bambu. Vai fumar folha de bananeira. Vai rezar. Vai fazer contato com extraterrestre em Machu Picchu. Vai fazer meditação com cobertura de ovomaltine. Vai assistir palestra no Youtube. Vai comprar cristal na feirinha hippie. Tanto faz. Toma a pílula azul e continua pensando que sabe. Autociência não é para você.
Por que julgamento final sou eu conversando comigo?Porque julgar é analisar e analisar é você conversando com você. Quando a análise é inicial, é julgamento inicial, quando a análise é final, é julgamento final.
Por que leio a explicação existencial e não entendo?Primeiro, porque não é de entender, é de ficar consciente. Depois, porque quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Ser Humano, mas você lê Só Humano. Até cair essa ficha, demoooora!
Por que me interessei em ser humano?Você que me diga, seu interesse é seu.
Por que ser não morre?Porque não nasce. O que não nasce, não morre. Voser (você-ser) não nasce, logo, não morre. Voser existe. Existência existe.
Qual é a diferença entre ser humano e só humano?Só Humano é o que você acredita ser, por estar adormecido na mentalidade materialista. Ser Humano é o que você descobre que é quando desperta.
Qual é a evidência de que optei por ser humano?A evidência é o arbítrio. Sua experiência atual (humana) é como toda e qualquer realidade que você experimenta: produto do seu arbítrio. Entendido isso, você não OPTOU por ser humano (OPTOU - verbo no passado), você ESTÁ OPTANDO por ser humano (OPTANDO - verbo no gerúndio). Esse é o equívoco da gênese materialista. No texto bíblico esse equívoco começa assim: "No princípio era o verbo.... e todas as coisas foram feitas..." Observe: "No princípio", então criação já foi, já aconteceu, no passado. "Era o verbo", então, criação já era, já foi, no passado. "Foram feitas", então, já foi feito, no passado. Exatamente o mesmo equívoco ocorre com a teoria do Big-Bang. Teve uma explosão, tudo foi criado no passado e pronto. Percebe? Essa gênese é morta. Essa gênese mora no passado. Gênese é criação. Criação é viva. Gênese é o verbo no presente contínuo (gerúndio). Gênese é agora, agora, agora, agora... Gênese é TIC TAC. Então... você não OPTOU por ser humano (verbo no passado). Isso é um equívoco. Você ESTÁ OPTANDO por ser humano (verbo no gerúndio). A prova disso é que você está sendo humano.
Qual é a principal doença humana?A principal doença humana, não é humana, é existencial. Esse é o problema. A principal doença do ser humano é a ignorância sobre o que é ser humano. Ignorância é uma questão consciencial, ou seja, existencial. O doente é você-ser e não você-humano. Sua doença consciencial é dormir (estado de ignorância) A natureza humana é apenas o programa que você-ser está usando. A natureza humana é como um carro. Você-ser é o motorista. O motorista dorme no volante e o carro cai no abismo. Que culpa tem o carro? Nenhuma!
Qual é o primeiro passo para sair da ignorância phd?O primeiro passo é admiti-la.
Qual é o problema de confundir nascer com existir?Essa confusão faz surgir em você uma doença incurável com a qual você irá lutar até a morte. Sabe que doença é essa? Chama-se vida. Tá espantado!? Fica um minuto sem respirar para você ver o que acontece. Quem tenta te matar não é a morte, é a vida. A morte é o momento que você perde e a vida ganha.
Qual o benefício do apocalip-se?Só tem duas maneiras de viver. Você pode: A) viver BEM ou B) viver MAL. Para viver BEM é preciso despertar para o que é ser humano. Para viver MAL, ignorância serve.
Qual sentimento você teve após o despertar existencial?Sentimento de perplexidade. É espantoso ver como o equívoco do materialismo é sutil.
Quando você diz que é um espírito, por que isso não é crença?Eu não sou um espírito. Eu sou o que sou. Eu sou eu. "Espírito" é apenas uma palavra da cultura espiritualista usada para expressar o óbvio existencial, não é o óbvio existencial. A explicação do óbvio não é o óbvio. Quando você desperta a consciência existencial, você não descobre que você é um espírito você descobre que você existe e que existência não é o que você acreditava ser. Algumas pessoas gostam de expressar essa descoberta usando a palavra espírito. Mas você pode usar outras. Eu nem gosto de usar a palavra espírito, acho muito poluída, prefiro usar a palavra "ser", que tem ligação semântica com "existir". Dito isso, quando digo que sou um espírito, não é crença porque minha existência é óbvia para mim, eu sei o que sou. Houve um tempo que não sabia. Eu pensava que sabia. Eu acreditava que era SÓ humano. Através da prática da auto-observação existencial eu descobri que estava equivocado. Eu não era SÓ humano, eu sou um SER humano. Isso não é uma crença para mim, é óbvio. E pode ficar óbvio para qualquer ser humano que praticar auto-observação existencial, pois todo SER humano é um SER humano, apenas acredita que é SÓ humano.
Que arbítrio tem uma criança que é estuprada?Não existe criança. O que existe é um ser brincando de humano numa fase da brincadeira que chamamos de infância. Você opta por brincar de ser humano, mas você não tem ideia do que irá experimentar nessa brincadeira, assim como quando você compra um disco que você nunca ouviu antes. Você compra para ouvir, para descobrir que música tem ali. Sua decisão é: vou entrar nessa brincadeira. Daí, você entra. Logo que entra, o médico te lasca um tapa na bunda. No dia seguinte, você sente uma puta dor de barriga. Creeeeedo! O que tá acontecendo? É vontade de cagar, mas você nunca cagou antes, não sabe o que está acontecendo. E assim você vai descobrindo o que é ser humano. Pode ser que você ganhe na loteria e pode ser também que você seja estuprado. Tudo faz parte das possibilidades. Seja qual for sua experiência na brincadeira, é sempre efeito da sua opção de estar brincando. Ninguém te obrigou a brincar de ser humano, nem tem esse poder. Você está brincando por opção sua. O mesmo com todos os seres humanos o que inclui o ser humano que você está sendo.
Se aqui e agora é tudo que existe, onde eu estava antes de estar aqui?Vou criar uma imagem para ajudar no entendimento. Você-ser é como uma televisão. O filme passando na televisão é o aqui e agora. Quando você muda de canal, muda o filme, muda o aqui e agora, mas não muda a televisão. A televisão continua sendo o que sempre é: a fábrica dos filmes. Metaforicamente, o mesmo acontece com você-ser. A realidade que você experimenta aqui e agora é um filme passando dentro de você-ser e não do lado de fora. Você-ser é a televisão e não o personagem no filme. Acreditar que você é só o personagem no filme, só humano, ignorando a televisão, é se ver como humano ser. Despertar a consciência para a televisão, para você-ser, é se ver como ser humano. Então, na verdade, você-ser, nunca esteve e nunca estará aqui e agora. Você-ser está sempre em si, na unidade existencial que você é, quer você esteja consciente disso ou não.
Se despertar a consciência não vou morrer?Sim, você vai morrer. Tudo que nasce morre. Você nasceu, então, vai morrer. O que acontece quando você desperta a consciência existencial, é que você fica consciente de que você existe e que sua existência não nasce nem morre, existe.
Ser é feito de quê?Ser é feito de existência.
Ser humano evolui? Para onde?Tudo que nasce, evolui, involui e morre. Você, enquanto pessoa humana, nasceu e por isso irá passar pelo processo de evolução, involução e morte. Você, enquanto ser, não nasce, não evoluiu e não morre. Você, enquanto ser, existe.
Só existe ser em estado de manifestação?Você-ser não precisa fazer nada para existir. Nem tem como você deixar de existir. Você-ser simplesmente existe. Só que até falar "ser existe" é errado e induz ao equívoco da dualidade. Não tem duas coisas: você-ser e existência. Você-ser é existência. Falar "ser existe" é pleonasmo, igual falar subir para cima. Mas toda linguagem é dualista, então, dizer "ser existe" é pedagógico e pode ajudar no entendimento.
Você passou a perceber algo metafísico com o despertar da consciência?Pior do que isso! Desmaterializei toda a matéria do universo. O despertar da consciência não faz você perceber além da matéria. Isso é impossível. O despertar da consciência deixa óbvio que matéria é apenas uma perspectiva perceptiva. Depois que você desperta a consciência, a matéria continua lá do lado de fora, dura e tridimensional, exatamente como antes. Nada muda. A única coisa que muda, é que antes de despertar, você ignora que matéria é perspectiva perceptiva, depois isso fica óbvio.