A prova
O coordenador do vestibular entrega os envelopes. Abro o meu. São quatro folhas. Na primeira está escrito:
— Quem é você?
Não sei responder. Pulo. Na segunda, está escrito:
— Qual é a pergunta que mais gostaria que fosse respondida?
Sem hesitar, transcrevo o enigma da folha anterior:
— Quem sou eu?
Sigo para a terceira folha, que ordena:
— Responda à sua pergunta anterior.
O silêncio ecoa no papel. Pulo novamente. A quarta é um deserto branco. Sem instruções. Sem saída.
Entrego a prova.
O coordenador a folheia sem pressa. Para na última página vazia, como se esperasse algo surgir ali. Então me devolve as quatro folhas.
— Leve com você — diz, em voz baixa. — Sempre.
Saio com as folhas nas mãos sem dedos.
Em casa, meus pais me recebem com alegria. Digo que fui reprovado. Mostro minha prova: em branco, apenas com a pergunta:
— Quem sou eu?
Eles riem. Mostram a prova deles. Também em branco. A mesma pergunta:
— Quem sou eu?
Eu rio junto! Seja eu quem for.