Você lê sobre iluminação, despertar da consciência, espiritualidade — e chega à conclusão que está rolando uma festa para a qual não foi convidado.
Fica emputecido.
Quer entrar na festa de qualquer maneira.
Faz meditação, reza, toma chá de bambu, tenta suborno, chantagem, lê tudo que tem para ler — e ainda assim não chega nem na porta.
Até que desiste.
Então: puft! Desperta a consciência. Atinge a iluminação.
E um anjo vem conversar com você:
—Ufa! Iluminou! Até que enfim! Agora pode voltar!
—Como voltar! Dei um duro danado para chegar aqui. Tive que matar o materialismo dos cientistas e o catecismo dos religiosos.
—Sim. E daí?
—Agora sou um iluminado!
—Sim. E daí?
—Iluminados moram no paraíso, não é?
—O que você acha que vai fazer aqui no paraíso? Passar a eternidade tocando harpa e peidando nuvens? Pode voltar!
—Quer dizer que a gente chega na iluminação só para voltar?
—É por isso que os iluminados a chamam de vazio absoluto. Não tem absolutamente nada para fazer aqui. Aliás, nem aqui tem.
—E a festa? Cadê a festa?
—Não tem festa!
—Mas falaram que tinha.
—Pegadinha!