A mamãe águia não tem dó. Joga o filhote penhasco abaixo.
Ou aprende a voar. Ou morre.
E sente culpa? Nenhuma. Porque a mamãe águia sabe o que a mãe humana esqueceu: viver bem requer maestria. É preciso saber voar. Ou voa — ou se esborracha no chão.
E o amor incondicional? O amor verdadeiro? O amor de mãe?
Fica assim:
Amor que corta as asas. Amor que corta a capacidade de pensar. Amor que deixa os filhos aleijados. Amor que deixa os filhos dependentes. Amor que mata os filhos enforcados no próprio cordão umbilical.
Isso não é amor.
É superproteção. É criação de super mimados, super dependentes, super incompetentes.
E você — supermãe — ainda reclama que sua vida é um fardo. Que vive sobrecarregada. Que está estafada.
Claro. Óbvio. Você está colhendo o que plantou.
Plantou filho dependente e espera colher filho autônomo?
Impossível. A colheita é sempre de acordo com o plantio.
Mãe boa é mãe desnecessária.