Você deseja beber água.
Na estratégia impositiva, você ameaça o outro:
— Seu filho da puta! Seu desgraçado! Me traz um copo d'água agora mesmo ou te mato.
Você pega um revólver e dá um tiro para cima.
Pega uma faca e finca na mesa.
— Vai logo — você ordena.
Só que o outro não nasceu para ser seu garçom e não vai.
Você tenta mil torturas para obrigar o outro a pegar o copo d'água para você.
Nada funciona.
Se você usasse 0,1% da energia que está disparando no outro para levantar a bunda da cadeira e pegar você mesmo o copo d'água, seu desejo já estaria satisfeito faz tempo.
Mas não!
Você é o sabidão.
Tão sabido que sabe que o culpado pelo seu sofrimento é o outro que está te enrolando.
Sendo que a tempestade por um copo d'água não está funcionando, você decide usar uma sabedoria mais impactante. Você decide apertar o botão vermelho e começar com a terceira guerra mundial.
Na estratégia submissa, você começa a fazer chantagem e vitimização para obrigar o outro a satisfazer seu desejo.
— Quem me ama pega um copo d'água para mim —você diz.
Só que o outro não nasceu para ser sua babá e não vai.
Você começa a choramingar:
— Você não me ama! Eu faço isso por você, faço aquilo, eu te dei a vida e você nem pega um copo d'água para mim! Você é um egoísta ingrato!
Se você usasse 0,1% da energia do mimimi para levantar a bunda da cadeira e pegar você mesmo o copo d'água, seu desejo já estaria satisfeito faz tempo.
Mas não!
Você é o sabidão.
Tão sabido que sabe que a culpa do seu sofrimento é do ingrato que está te enrolando.
Sendo que o mimimi por um copo d'água não está funcionando, você decide usar uma sabedoria mais impactante. Você entra em depressão, começa a tomar remédios tarja preta e por fim decide cortar os pulsos.