Somos oito bilhões de super-heróis. Todos tentando salvar o mundo.
O cristão quer salvar o mundo do islamismo. O islâmico quer salvar o mundo do cristianismo. O ateu quer salvar o mundo da crendice. O crente quer salvar o mundo do ateísmo. O heterossexual quer salvar o mundo da homossexualidade. O homossexual quer salvar o mundo da heterossexualidade. A esquerda quer salvar o mundo da direita. A direita quer salvar o mundo da esquerda. Os pais querem salvar os filhos. Os filhos querem salvar os pais.
Resultado: treta, guerra, soco, pontapé, facada, mágoa, inimizade, ódio.
Tudo em nome de salvar o mundo.
Salvar o mundo é piada.
Ninguém quer salvar ninguém. Cada um quer ajudar a si mesmo. Cada um quer que o mundo reze sua cartilha. Cada um quer que sua verdade seja absoluta.
Se ao menos fôssemos honestos sobre isso. Mas não. Somos todos santos. O vilão é sempre o outro. A culpa é sempre do outro. O errado é o outro. O inferno é o outro. O capeta é o outro.
Eu sou o salvador. E imponho meu certo e meu valor ao outro em nome da santidade absoluta, da verdade absoluta, do amor e da salvação.
Expor é diferente de impor. Explicar é diferente de implicar.
Você pode compartilhar sua opinião, seu critério, sua verdade — sem ser um caga-regras. Como? Exatamente como estou fazendo aqui: explicando. E só estou fazendo isso porque você veio se esclarecer. Se não tivesse vindo, não diria nada — seria invasão.
Expor e explicar produz bem viver.
Impor e implicar produz mal viver.
A diferença entre os dois é o mesmo abismo que separa o super-herói do vilão.