Pense numa pessoa que você ama muito.
Agora imagine que, sem que você saiba, essa pessoa é substituída por um clone — aparência idêntica, comportamento idêntico, memórias idênticas. Tudo igual.
Você continuaria amando esse clone?
Claro que sim.
Mas por quê — se o clone não é a pessoa, e seu amor é pela pessoa?
Porque seu amor nunca é pela pessoa.
Nunca é pelo outro. Sempre é pela felicidade que você experimenta em si durante a convivência com o outro.
O que você busca no outro nunca está no outro. Está em você. É produzido por você, para você, através da interação com o outro.
Quando o outro te beija, você experimenta felicidade. Mas essa felicidade não saiu da boca do outro e entrou na sua. Foi produzida inteiramente dentro de você — pelo seu sistema emocional, em resposta ao estímulo.
Você precisa do outro como estímulo. Mas o que você ama não é o outro.
A prova disso é simples: se o outro começar a te estimular sofrimento — você imediatamente para de amá-lo e começa a odiá-lo.
O outro não mudou. Mudou o que ele produz em você.
Mas não se preocupe que, por ficar consciente disso, deixará de amar quem ama.
Isso é impossível, porque você nunca amou.