O sonho dourado dos Alecrins Espiritualistas, mais esperado que a volta de Jesus, é “somos todos um”. No seriado Pluribus, através de uma pandemia, esse sonho milenar se realiza em 56 minutos.
E qual tem sido a reação dos Alecrins?
Celebração pelo fim do egoísmo?
Não! Tem sido a mesma reação da Carol: resistência.
E por que?
Não somos todos um, somos todos uns.
Não existe todos sem cada um. Não existe coletividade sem individualidade.
Cardume é um coletivo de peixes porque é um coletivo de indivíduos. Se todos os peixes se tornam um só, não tem mais coletivo, tem um peixe só.
Pluribus não é uma coletividade de mentes, é uma mente só se manifestando através de vários corpos (hardwares), igual o chatGPT se manifestando através de vários celulares.
Então, o sonho dourado do coletivismo é impossível por natureza?
Não, pois individualidade não é sinônimo de individualismo. Individualidade, eu, unicidade é da natureza do universo. Não é opcional, cada um é um por natureza. Individualismo sim é opcional, decisão do indivíduo em relação ao coletivo.
Todo indivíduo pode cooperar para o bem coletivo ou não. Quer um indivíduo opte por cooperar ou não, sua individualidade se mantém a mesma.
Perder a individualidade é impossível. Cada ser no universo está condenado a ser um. O que um indivíduo pode fazer é perder o individualismo.
Claro que o seriado Pluribus não explica isso. Primeiro porque isso requer autoconhecimento. Segundo porque Pluribus é um seriado de televisão, não é aula de autociência.
O seriado iguala individualidade com individualismo para confrontar você, indivíduo, com a seguinte pergunta: sim ou não?
O seriado mostra um mundo sem individualismo, onde todos os indivíduos interagem visando o bem de todos os indivíduos (bem coletivo).
Todos os problemas sociais desaparecem com o coletivismo, mas Carol ainda acredita que é melhor viver em um mundo individualista.
A resistência de Carol está alicerçada no equívoco da perda da individualidade.
Mas não é só isso!
Está alicerçada também, e principalmente, na resistência à doação.
Carol não quer dar, só quer receber.
Carol quer viver na ilha do narcisismo, onde tudo entra e nada sai, onde tudo gira ao redor do seu desejo, onde a função dos outros é lhe servir 24 horas por dia, 7 dias por semana, bastando digitar zero.
Um mundo cooperativista onde todos ganham na loteria ou um mundo competitivo onde todos perdem para só um ganhar?
Carol ganhou sozinha na loteria e foi convidada a trocar o bilhete premiado pelo fim da violência, da miséria, da escravidão, da segregação e todos os derivados da competição e do individualismo.
Carol disse não.
E você, Alecrim, o que diz?