A violência recebida justifica a violência entregue?
Vingança corrige erros?
Essas são perguntas que o filme Coringa coloca na tela e dentro da nossa cabeça.
Por um lado, concordamos com a vingança do Coringa.
Olho por olho, dente por dente.
Quem nunca quis matar seus algozes?
Quem não os mata mentalmente todo dia?
Quem nunca esfaqueou o chefe?
Quem nunca torturou o pai, a mãe, a esposa, o marido, os filhos?
Quem nunca metralhou os inimigos?
Quem nunca apertou o botão da bomba atômica e explodiu a porra toda?
Quem? Quem? Quem?
Somos vingativos.
Mesmo fingindo santidade, secretamente queremos vingança.
Por isso o filme do Coringa é perturbador. Projeta na tela o que desejamos em segredo e não temos coragem de admitir nem para nossa sombra.
Somos Coringas por dentro.
Batman por fora.
Mas nem mesmo o Coringa é Coringa no começo do filme.
Como ocorre a mudança?
O que faz um indivíduo decidir colocar a vingança em prática?
Necessidade inadiável de sair da posição de agredido.
Sim, claro! Necessidade natural, saudável e justa.
Mas será que a vingança é uma estratégia capaz de atingir o objetivo do vingador: o fim da violência?
O grupo de super-heróis mais famoso do cinema se chama: Vingadores.
O super-herói Batman nasce sob o juramento de Bruce Wayne de vingar a morte dos pais.
Dito isso, pergunto: por que o Coringa é vilão e o Batman é herói?