Teve uma época que frequentei um trabalho espiritualista. Eram palestras com grupos pequenos, entre 20 e 30 pessoas. O professor tinha o hábito de me chamar de sábio.
Por um lado, achava o máximo. "Até que enfim alguém me reconheceu!", pensava. Mas quando a esmola é demais, o santo desconfia. Comecei a ficar desconfiado.
O professor continuou me chamando de sábio. Sábio pra lá, sábio pra cá.
Às vezes, alguém fazia uma pergunta e ele encaminhava a pergunta para mim: “O que você acha, sábio?”. Eu papagaiava um monte de conceitos filosóficos, psicológicos e espiritualistas.
Muito tempo depois, fui acompanhar esse professor em outra palestra. Nesse dia, tinha uma pessoa do tipo sabe-tudo na plateia. De repente, o professor começou a chamar essa pessoa de sábio. Lembrei dele fazendo o mesmo comigo e a ficha caiu!
Quando o professor me chamava de sábio, não estava elogiando minha sabedoria. Estava apontando minha ignorância Phd.
Eu não sabia: pensava que sabia.
Entendeu, sábio leitor?