A palavra "discriminação" é usada de forma errada.
Discriminar significa separar em categorias. É um processo mental natural, saudável e inevitável. Sem ele, você estaria morto — incapaz de distinguir comida de veneno, amigo de predador, chão de abismo.
Dizer que abacate é fruta é discriminação. Dizer que fulano é brasileiro é discriminação. Dizer que beltrano é feio é discriminação.
Discriminar é classificar. É o que a mente faz o tempo todo, sem parar, sem pedir permissão.
Quando você "discrimina" alguém — no sentido em que a palavra é usada no dia a dia. Você não está classificando a pessoa na categoria em que ela está. Está exigindo que ela se encaixe numa categoria em que ela não está.
Quando você proíbe uma pessoa de ser gorda, não está discriminando. A pessoa gorda já está na categoria de gorda. O que você está fazendo é outra coisa: exigência.
Está obrigando que se encaixe na categoria de magra.
Isso não é discriminação. É uniformização.
Racismo. Xenofobia. Misoginia. Capacitismo. Etarismo. Aporofobia. Intolerância religiosa.
Nenhum desses é discriminação. Todos são uniformização — a exigência de que o outro se encaixe numa categoria que não é a sua.
E aqui está o detalhe que muda tudo:
Discriminar não é opcional. É automático. Acontece quer você queira quer não — sua mente classifica o tempo todo, é assim que funciona.
Uniformizar é uma escolha.
E uma péssima escolha — porque sendo impossível que algo deixe de ser o que é, a uniformização resulta sempre na mesma coisa:
Mal viver. Má convivência.