Você não compra coisas. Compra significados.
Produto é objeto — substantivo, coisa, matéria. Significado é adjetivo associado ao objeto. E o que você deseja nunca está na coisa. Está no significado que a coisa carrega. Por isso, tão logo você percebe que a coisa que comprou é apenas o que é — uma coisa — você perde o interesse.
Ver coisa como coisa retira da coisa o que nunca esteve nela: o significado.
O sorriso encantador não está no creme dental. A beleza não está no vestido, nem no sapato, nem nos cosméticos. O orgasmo não está na lingerie, nem no chocolate. A festa não está dentro da lata de cerveja. O sucesso e a masculinidade não estão no cigarro. A família feliz não está no pote de margarina. A juventude não está na garrafa de Coca-Cola. O American Dream não está no Big Mac.
E não para por aí.
O mesmo mecanismo psicológico opera nos produtos ideológicos.
O reino dos céus não está no cristianismo. A iluminação não está no budismo. A verdade não está no espiritismo. O bem-estar não está na yoga. A igualdade social não está no comunismo. A liberdade não está no capitalismo.
Consumo é você usando uma coisa — dinheiro — para comprar outra coisa. Mas a coisa que você realmente quer não é a coisa: é o significado.
Entender isso transforma seu consumismo numa aula de autoconhecimento.
Cada coisa que você deseja é uma pista sobre você.