Você tem um dicionário na cabeça.
É por causa dele que você olha para um amontoado de letras e surge entendimento. L-I-M-Ã-O não é uma fruta — é só cinco letras. Mas seu dicionário mental transforma essas cinco letras numa imagem verde, esférica, azeda, com cheiro e tudo.
A imagem não vem das letras. Vem do dicionário.
O mesmo acontece com E-G-O-Í-S-M-O.
Seu dicionário mental abre essa palavra e encontra: capeta. Demônio. Pecado. Ruim. Proibido. Errado. Vergonhoso.
Por isso dói quando alguém diz que amor é egoísmo. A frase machuca antes mesmo de ser pensada — porque o dicionário já reagiu.
Mas pense comigo:
Egoísmo é desejo. Desejo é amor. Logo, amor é egoísmo.
Não é provocação. É lógica.
O problema não é o conceito. É a definição que seu dicionário guardou.
Por isso tenho uma sugestão:
Apague a palavra amor do seu dicionário mental.
Substitua por desejo.
Mil por cento dos seus problemas com o amor vão desaparecer.