Você não ama o outro. Você ama a si mesmo no espelho do outro.
Narciso win.
A crença de que você ama o outro é um equívoco bonito, romantizado, cantado em verso e prosa. Mas é equívoco.
Primeira coisa a perceber:
Você não ama o outro. Você ama características do outro.
Sua esposa não é uma pessoa — é uma constelação de características. Cada uma delas é quase uma pessoa diferente. E você não ama todas. Ama algumas. Tolera outras. Odeia outras.
Você não ama ela. Você ama partes dela.
Segunda coisa a perceber:
Você não ama essas partes pelas partes. Você as ama pelo que proporcionam a você.
Ama o sorriso dela porque o sorriso dela é bom para você. Ama o talento culinário dela porque a comida é boa para você.
Pense nisso. Se o sorriso da sua esposa fosse horrível e a comida fosse ruim — você amaria esses aspectos dela?
Claro que não.
Você ama o que nela é vero, caro, bom e bem para você.
Amor não é santidade. Não é conto de fadas. Não é entrega total ao outro.
Amor não é amor.
Amor é egoísmo.
O amado é espelho. Você se vê nele — e ama (ou odeia) o que vê. O outro existe, sim. Mas o que você ama e odeia não é ele. É o reflexo do seu desejo no espelho que ele oferece.
Ninguém ama ninguém. E não tem problema nenhum nisso.
O problema é ignorar isso.