Conta a história que Sidarta Gautama, o Buda, passou anos imóvel sob a copa de uma figueira até atingir a iluminação. Vou te contar o que ele descobriu em um milésimo de segundo:
Viver dói.
No budismo, esse ensinamento é conhecido como a Primeira Nobre Verdade. E é tão óbvio que chega a ser constrangedor que precise ser ensinado. Só que você não aceita. Você insiste em acreditar que viver bem é habitar um mundo sem arestas, sem desconforto, sem perdas. Uma vida idílica, onde nada range e nada sangra.
Não existe isso. Viver dói poooorra!
Às vezes dói pouquinho.
Às vezes dói mazomenos.
Às vezes dói pracaraio.
Se Sidarta caminhasse pelo asfalto dos nossos dias e falasse a nossa língua, talvez resumisse a Segunda Nobre Verdade numa frase simples:
— Aceita que dói menos.
E tem mais: Sidarta não esgotou toda a nobre verdade sobre a dor. Faltou dizer a parte mais importante.
A dor é o mestre.
Não é Jesus. Não é Buda. Não é Maomé, nem o Espírito Santo, nem guru da barba azul.
O verdadeiro mestre — infalível, presente, que caminha ao seu lado em qualquer circunstância— é a dor. Também conhecido como sofrimento, desconforto, insatisfação, contrariedade, desagrado. Entre outros nomes.
O verdadeiro mestre — aquele infalível, que caminha ao seu lado em qualquer circunstância — é a dor. Também conhecido como sofrimento, desconforto, insatisfação, contrariedade, desagrado. Entre outros nomes.
É fundamental tomar consciência disso.
Só assim você deixa de apenas sofrer e começa a extrair aprendizado da própria dor. Do contrário, tudo o que você sofreu — e tudo o que ainda vai sofrer — terá sido sofrimento em vão.
E não existe desperdício mais doloroso do que esse.