Você não precisa vir-a-ser para ser.
Você é, sempre, inevitavelmente. Não há nada que você possa fazer para deixar de ser. É isso que algumas escolas e mestres orientais de autoconhecimento buscam explicar.
Esse ensinamento é verdadeiro.
Mas é incompleto — e faz você jogar fora o bebê junto com a água suja do banho.
O que falta nesses ensinamentos é a questão do SENDO.
Embora seja desnecessário vir-a-ser para ser, é imprescindível estar SENDO para estar SENDO.
Imagine que você é um gato.
Você não precisa vir-a-ser gato para ser gato — você é gato. Agora imagine que você é um gato cacarejando. Você não deixa de ser gato porque está cacarejando. Mas você cacarejando não está SENDO gato.
Você cacareja, muge, pia, relincha — reza a cartilha da bicharada toda, menos a sua própria. Por isso você sofre.
Você é um ser não SENDO você. SENDO outro.
Iluminação existencial é despertar para o ser. Mas você não é só ser — você é ser humano. Ficar consciente do ser não é suficiente para viver bem. É preciso ficar consciente do funcionamento humano e pessoal também.