Um fazendeiro estava caminhando por sua fazenda quando encontrou um filhote de passarinho caído no chão.
Ele procurou o ninho de onde o passarinho havia caído, mas não encontrou.
Para que o passarinho não morresse de fome, o fazendeiro o colocou para viver no galinheiro, junto com as galinhas.
Três anos depois, o fazendeiro recebeu a visita de um amigo especialista em pássaros.
Enquanto passeavam pela fazenda, o amigo viu o passarinho no galinheiro e disse:
— Esse pássaro não é uma galinha, é uma águia.
O fazendeiro, que já tinha percebido isso com o crescimento do pássaro, respondeu:
— Sim, é uma águia, mas foi criada como galinha. Ela acredita que é galinha, então não é mais águia.
— Águia é águia — retrucou o amigo. — Vou fazer ela voar!
— Não vai conseguir — insistiu o fazendeiro. — Ela acredita que é galinha, então jamais voará como águia.
O amigo propôs um teste.
Subiu com a águia até o telhado, ergueu-a bem alto e disse:
— Você é uma águia! Abra suas asas e voe!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do amigo como se fosse um poleiro.
Olhou para baixo, viu as galinhas ciscando e foi para junto delas para ciscar também.
— Eu avisei! — disse o fazendeiro. — Ela virou galinha.
— Faremos outro teste amanhã — disse o amigo.
No dia seguinte, o fazendeiro e seu amigo pegaram a águia e a levaram para a beira de um abismo no topo de uma montanha.
O amigo pegou a águia e a jogou no abismo.
A águia saiu voando.
A águia é você.
A galinha é tudo que você pensa que sabe.
O abismo é a prática da autociência.
Para sair do poleiro da crença e voar pelo autoconhecimento: pule no abismo.