Solucionática
Marcelo Ferrari
Marcelo Ferrari
Obviedades são aquelas coisas fáceis de saber, mas difíceis de explicar.
Todos sabemos empiricamente o que é vida, tempo, amor, verdade e sofrimento, por exemplo, mas é difícil explicar essas obviedades.
Problema também tem esse problema.
Todos sabemos empiricamente o que é problema, mas é difícil definir e explicar.
O primeiro problema para definir e explicar o que é um problema, é que existem problemas de diversos tipos, problemas matemáticos, problemas técnicos, problemas de convivência, problemas financeiros, problemas de saúde, entre outros.
Nesse livro vamos estudar o que é um problema de convivência.
Esse livro é uma adaptação da palestra abaixo, realizada em 27 de junho de 2022.
Boa leitura!
As imagens a seguir são perguntas e não respostas.
Cada imagem exemplifica uma situação de convivência e duas possíveis respostas:
( ) Solução ou ( ) Problema?
Pense a respeito de cada situação e responda mentalmente conforme for avançando na visualização e na leitura.
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
( ) Solução ou ( ) Problema?
Provavelmente você classificou todas as situações dos exemplos acima como “problemas” e você tem um motivo para ter feito isso.
Que motivo é esse?
Você consegue identificar porque você classificou todas as situações dos exemplos acima como problema e não como solução?
Se não, antes de continuar com a leitura, volte, pense e procure identificar qual é o problema que todas as situações dos exemplos têm em comum.
Todas as situações dos exemplos estão fora do seu controle.
Sendo assim, podemos forjar a seguinte definição:
Problema é tudo que você não controla.
Analise cada exemplo para verificar se essa definição de problema é verdadeira para todos os casos.
Por que você não tem controle sobre nenhuma das situações dos exemplos?
Simples! Porque seu arbítrio só funciona para controlar você, não funciona para controlar o outro.
Então, seu problema de convivência, na verdade, é uma burrice.
Qual burrice?
Tentar fazer o impossível: controlar o arbítrio do outro.
E qual é a solução para essa burrice?
Desistir da burrice!
Não é possível controlar o arbítrio do outro. Se isso fosse possível, você já teria conseguido pelo menos uma vez na vida, mas você nunca conseguiu.
E nunca irá conseguir, pois é impossível.
Então, só tem uma solução para seu problema de convivência: desistir da missão impossível.
Um oficial de saúde vai fiscalizar uma fazenda e pergunta ao fazendeiro:
— Que comida você dá aos porcos?
O fazendeiro responde:
— Dou bagaço de cana, sabugo de milho, lavagem, leite azedo, botina velha, tudo que não presta.
O oficial multa o fazendeiro por atentado contra a saúde pública.
Um ano depois, o oficial retorna e faz a mesma pergunta:
— Que comida você dá aos porcos?
O fazendeiro, prevenido, responde:
— Dou caviar, pizza quatro queijos, salmão defumado, lasanha, vinho do porto, tudo do bom e do melhor.
O oficial multa o fazendeiro por desperdício de comida.
Um ano depois, o oficial retorna e faz a mesma pergunta:
— Que comida você dá aos porcos?
O fazendeiro responde:
— Não dou comida nenhuma, dou um vale refeição para cada um, eles que decidam o que comer.
Moral da história.
Ao tentar controlar o outro, você fica escravo do outro, porque assume a responsabilidade do outro. Você coloca sobre seus ombros uma obrigação que não tem e fica preso nela.
Quer se libertar de todas as obrigações que nunca teve?
Desista do controle!
Dê liberdade ao outro.
Se você não controlar a mamadeira, você morre de fome. Se você não controlar a temperatura no inverno, você morre de frio. Se você não controlar seu carro, você morre acidentado. Enfim, se você não controlar o outro, você morre.
Só que tem outra coisa e tem outro ser humano.
E você acredita que é tudo a mesma coisa.
Vou te contar uma coisa: não é! Isso mesmo! Não é!
Uma coisa é uma coisa, outro ser humano é outro ser humano.
Ser humano não é mamadeira, não é carro, não é cobertor, não é tapete, não é sapato, não é telefone celular. Seres humanos não são coisas.
Cada ser humano, assim como você, tem sentimento próprio, valor próprio, pensamento próprio, vontade própria e… pasme! Cada ser humano tem inteligência e arbítrio para optar pelo que é melhor para si.
Então, embora você precise controlar as coisas para sobreviver, você não precisa e nem deve controlar os outros seres humanos.
Tudo que você consegue ao tentar controlar outro ser humano é viver em cabo de guerra, sofrer e gerar sofrimento.
Use sua inteligência e entenda isso.
Use seu arbítrio e liberte o outro.
Você irá descobrir que o prisioneiro era você.
Seu arbítrio só serve para controlar você, não serve para controlar o outro.
Ficar consciente disso é o primeiro passo para boa convivência.
Mas não é o último, pois sua burrice em acreditar que você consegue controlar o outro é um hábito. Então, mesmo que você se conscientize, ela ainda se repete no automático.
Como resolver isso?
Repetindo o processo de conscientização.
Quando?
Toda vez que sua burrice se manifesta.
E quantas vezes é preciso fazer isso?
Quantas vezes for necessário.
Boa prática!