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*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

UM SOU DOIS

02/09/2015 by in category Livros with 0 and 0

01 | OBSERVAÇÃO E CONHECIMENTO

Observar é o primeiro passo para conhecer. Se você não tivesse visão, tato, paladar, audição e olfato, o que você poderia conhecer do universo? Não poderia conhecer nada, pois você não teria acesso a nenhum tipo de informação sobre o universo. Mesmo que o universo estivesse ao seu redor, mesmo que você estivesse contido no universo, sem a capacidade de observar, você não conheceria nada do universo, seria como se o universo não existisse para você. Na terminologia científica, observar é medir. Todo conhecimento produzido pela ciência tem origem na medição. Os cientistas usam diversas ferramentas para medir as coisas e o comportamento das coisas, para observar as coisas e o comportamento das coisas. Só depois da observação e coleta de dados, começa a fase da produção do conhecimento científico.


02 | OBSERVADOR E OBSERVAÇÃO

Sem observação é impossível produzir conhecimento, isso é óbvio. Porém, tem algo que também é óbvio, mas que passa desapercebido para você e para a maioria dos seres humanos, inclusive dos cientistas. Que algo é esse? Sem observador é impossível existir observação. Observar só é possível porque existe um observador observando. É a existência do observador que possibilita a observação. Isso também deveria ser óbvio para você e para todos os seres humanos. Só que não é. Pelo contrário, essa obviedade é ignorada pela maioria dos seres humanos, inclusive pelos seres humanos mais inteligentes do planeta. E é essa ignorância que dá origem ao paradigma materialista da existência. Paradigma no qual está alicerçado todo conhecimento humano.


03 | OBSERVADOR E OBSERVADO

Despertar para o óbvio de que observar só é possível porque existe um observador observando é fundamental para a prática da ciência e produção de conhecimento científico. Porém, é mais fundamental ainda para a prática da autociência e produção de conhecimento autocientífico (autoconhecimento). Vou fazer um paralelo da ciência com a autociência para explicar o problema de ignorar o observador na produção de autoconhecimento.

A prática da ciência é feita através da observação e a prática da autociência é feita através da autoobservação. Então, na observação científica, por mais que o cientista ignore que ele é o observador, ele entende que não é o observado. Por exemplo, quando um cientista está observando um grão de areia, ele entende que o grão de areia não é ele, que o grão de areia é o objeto observado. Então, mesmo com pouca lucidez, a divisão observador e observado acontece na prática da ciência e produção de conhecimento científico.

Essa divisão entre observador e objeto observado é fundamental na ciência, mas é mais fundamental ainda na autociência. Porém, não acontece na prática da autociência. E por que não acontece? Porque você ignora o observador que você é. E por que você ignora? Porque sua observação não consegue observar sua observação.


04 | SER E ESTAR

Assim como sua visão não vê sua visão, mas vê apenas os objetos físicos, sua consciência também não vê sua consciência, vê apenas os objetos psicológicos, como lembranças, imaginações, pensamentos, sentimentos e emoções. Por ignorar o observador que você é, você se confunde com o observado, você se confunde com suas imaginações, lembranças, pensamentos, sentimentos e emoções. Você passa a acreditar que você é tudo isso que você está experimentando. De certa forma, você é sim tudo que você está experimentando (observando), mas existe também uma divisão entre observador (ser) e observado (estado). Quando você observa sua febre, por exemplo, a febre está em você, mas a febre não é você. A febre em você acontece (começa e termina). Você não acontece, você não começa nem termina, você é sempre você, ser.


05 | CEGO NO TIROTEIO

Para praticar autociência, é fundamental que você desperte para o observador que você é, caso contrário, jamais irá conseguir se autoobservar com eficiência. Ao invés de se observar, você ficará perdido e desesperado como um cego em um tiroteio, pois irá acreditar equivocadamente que você é sua imaginação, sua lembrança, seu pensamento, seu sentimento e sua emoção, sem perceber que você é o observador disso tudo.

Na prática da autoobservação, o observador é você mesmo e o observado também é você. Mas são dois, tem uma divisão. Não é uma divisão espacial, mas é uma divisão. O observador é o ser que você é, o observado é tudo que você está experimentando: imaginações, lembranças, pensamentos, sentimentos e emoções.

Sem a divisão observador-observado, você não consegue se aprofundar no seu objeto de estudo, porque não tem um observador para se aprofundar no objeto de estudo, só tem o objeto de estudo. Claro que sempre tem o observador, mas quando você se ignora como observador, sua atenção é carregada pelos objetos, você se perde na tempestade de imaginações, lembranças, pensamentos, sentimentos e emoções.


06 | FILME MENTAL

O que acontece quando você se ignora como observador é similar à quando você vai no cinema. Você esquece que está sentado na cadeira e entra no filme. Daí, se o filme é um dramalhão, você fica preso no dramalhão, se o filme é aterrorizante, você fica preso no terror, se o filme é raivoso, você fica preso na raiva.

Quando você olha para as paredes do cinema, você sai da prisão do filme e volta a ficar consciente que o filme é um filme e você é o observador do filme. Você deve fazer o mesmo para sair do cinema mental. O problema é que não tem parede no cinema mental para você olhar, só tem tela, e sua observação está colada na tela, como se a tela do cinema fosse sua retina.

Por isso é tão difícil se dividir em observador e observado na prática da autoobservação. Não tem espaço físico separando o observador do observado. No cinema a tela está lá e você está aqui, sentado na poltrona. Na experiência humana não tem essa distância, então, a divisão entre observador e observado não tem como ser feita com uma faca, colocando observador de um lado e observado do outro, a divisão entre observador e observado só acontece através de um despertar consciencial.

Você observa um pensamento, e enquanto você está observando o pensamento, você observa que você é o observador do pensamento. Você se dá conta que sem você, observador, como aquele pensamento poderia estar sendo observado por você? E assim por diante e com tudo que você experimenta. Você observa a imaginação, a lembrança, o sentimento, a emoção, e enquanto você está observando tudo isso, você observa que você é o observador disso tudo. Você se dá conta que sem você, observador disso tudo, como isso tudo poderia estar sendo observado?

É assim que você sai da confusão e separa o observador do observado. É simples assim! Você se dá conta que sem observador não tem observado, e como sempre tem observado, sempre tem você: observador.


07 | DESPERTAR EXISTENCIAL

Esse despertar é um despertar existencial, pois você, observador, é a existência observadora da realidade observada. Outras tradições chamam esse despertar de despertar espiritual, outras de iluminação e outras de estado meditativo. Para produção de autoconhecimento pessoal e psicológico, não importa o nome atribuído ao despertar, o que importa é despertar, pois antes desse despertar existencial a prática da autoobservação até acontece, mas fica com o freio de mão puxado. Só quando você desperta para o observador você solta o freio de mão.


08 | FILME REVÓLVER

O vídeo abaixo é um trecho do filme Revólver. Por favor, assista antes de continuar lendo.

Essa cena é ótima. Ilustra bem uma pessoa despertando para o observador. Jake tem pânico de ficar preso em lugares apertados. Em outra cena, mostra ele subindo e descendo pelas escadas para não usar o elevador. Nessa cena, Jack decide descer de elevador e acaba ficando preso. O pânico explode e Jake começa a experimentar um turbilhão de pensamentos, imaginações, sentimentos e emoções. Só que, de repente, ele diz sereno para o ataque de pânico: “Eu posso te ouvir”. Ou seja, “eu estou te observando”. Jake despertou para o observador.


09 | UM SOU DOIS

É muito comum pessoas despertarem para o observador no meio de uma crise de pânico. O testemunho do escritor Eckhart Tolle, na introdução do livro Poder do Agora, deve ser um dos exemplos mais populares disso, parece até que ele estava dentro do mesmo elevador que o Jake. Segue a transcrição:

Até os meus 30 anos, eu era extremamente ansioso, sofria de depressão e tinha fortes tendências suicidas. Hoje, parece que estou falando da vida de outra pessoa.

Tudo começou a mudar pouco depois do meu aniversário de 29 anos, quando acordei certa madrugada com uma sensação de pavor absoluto. Não era a primeira vez que eu tinha uma crise de pânico, mas aquela, com certeza, foi a mais forte de todas. Tudo parecia estranho, hostil, absolutamente sem sentido. Senti uma profunda aversão pelo mundo e, principalmente, por mim mesmo. Qual o sentido de continuar a viver com o peso dessa angústia? Para que prosseguir com essa luta? Um profundo anseio de destruição, de deixar de existir, tinha tomado conta de mim, tornando-se até mais forte do que o desejo instintivo de viver.

“Não posso mais viver comigo”, pensei. Então, de repente, tomei consciência de como aquele pensamento era peculiar. “Eu sou um ou sou dois? Se eu não consigo mais viver comigo, deve haver dois de mim: o “eu” e o “eu interior”, com quem o “eu” não consegue mais conviver”. “Talvez”, pensei, “só um dos dois seja real”.

Fiquei tão atordoado com essa estranha dedução que a minha mente parou. Eu estava plenamente consciente, mas não tinha mais pensamentos. Fui arrastado para dentro do que parecia um vórtice de energia. No início o movimento foi lento, mas depois acelerou. Fui tomado de um pavor intenso e meu corpo começou a tremer. Ouvia as palavras “não resista”, como se viessem de dentro do meu peito. Eu estava sendo sugado para dentro de um vácuo que parecia estar dentro de mim e não do lado de fora. De repente, perdi o medo e me deixei levar. Não me lembro de nada do que aconteceu depois.

No dia seguinte, fui acordado por um pássaro cantando no jardim. Nunca tinha ouvido um som tão maravilhoso antes. Meu quarto estava iluminado pelos primeiros raios de sol da manhã. Sem pensar em nada, eu senti – soube – que existem muito mais coisas para vir à luz do que nós percebemos. Aquela luminosidade suave que atravessava as cortinas da janela do meu quarto era o próprio amor. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu percebi que nunca tinha reparado na beleza das pequenas coisas, no milagre da vida. Era como se eu tivesse acabado de nascer de novo.


10 | FILME PEQUENO BUDA

O vídeo abaixo é um trecho do filme O Pequeno Buda. Por favor, assista antes de continuar lendo.

Essa cena mostra Sidarta Gautama, o Buda, sentado em posição de meditação, ou seja, desperto para o observador. Por isso ele não se abala com nada que acontece, pois não confunde observador com observado. No final da cena, tem uma provação final, quando ele se encontra consigo mesmo. Porém, Sidarta não se abala também, nem se confunde, ele coloca a mão no chão e diz que a terra é sua testemunha, ou seja, ele explica para si mesmo o que é observador e observado, igual Jake no elevador.


11 | PRIMEIRO PASSO

Quem é o observador? O observador é você, que está observando a realidade externa e interna. Só isso que você pode saber sobre você observador. Quem é o observado? É tudo que você, observador, está observando. Ou seja, são seus pensamentos, imaginações, lembranças, sentimentos e emoções. Para simplificar, vamos supor que seu nome seja Jake, como o personagem do filme Revólver. Praticar autoobservação é você, observador, observando o Jake. Observando o que do Jake? Tudo do Jake. Tudo, tudo, tudo mesmo. Quando você estiver com medo, por exemplo, você entenderá que Jake está com medo, e continuará calmo, mesmo com medo. Daí, e só depois disso, você vai conseguir dar o segundo passo.


12 | SEGUNDO PASSO

O segundo passo é conversar com o observado buscando descobrir o que ele tem para lhe ensinar sobre você e sobre ser humano. Vamos supor que seu nome seja Jake. Se você for o Jake com medo, o segundo passo é você conversar mentalmente com o medo. Busque entender o que é medo, qual é a causa do medo presente e o modus operandi do medo presente. Se você for o Jake com raiva, faça a mesma com a raiva. Se você for o Jake deprimido, faça a mesma coisa com a depressão. Seja qual for seu estado emocional, faça a mesma coisa.


13 | USO E USUÁRIO

A natureza humana é uma ferramenta extraordinária. Possibilita que você tenha noção de espaço (altura, largura, profundidade) e tempo (passado e futuro), possibilita você pensar e sentir, possibilita você aprender e inventar. Mas como toda ferramenta, a natureza humana não é usuária de si mesma. O usuário da natureza humana é você. E quando você, usuário da ferramenta, se confunde com a ferramenta, quando acredita que você é a ferramenta, o resultado é mal uso. Usar mal a natureza humana é viver mal. Para viver bem, saia da confusão. Você não é só ser, nem é só humano, você é ser humano. Você não é um, nem dois, você é umdois.

Fique consciente disso. E boa prática!

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA COMPLETA: A calma que experimentamos ao observar o medo, raiva, etc, como no exemplo do Jake, é do ser ou é humana?

São as duas coisas. Quando vc está consciente existencialmente (estado meditativo) você não tem medo do medo, não tem raiva da raiva, etc. Então, você se permite ter medo, se permite sentir raiva, etc. Ou seja, você-ser se permite ser humano. Ao se permitir, retira a desnecessária resistência (proibição). Ao retirar, fica em paz com o medo, com a raiva, etc. E daí pode começar a observar tudo isso, estudar e produzir autoconhecimento psicológico e pessoal. Essa permissão em ser humano só acontece quando você-ser está consciente existencialmente. Muito loco, né? Quanto mais consciente você fica de que não é só humano, mais humano você se permite ser.

PERGUNTA COMPLETA: Aquele clip do filme Revólver que está no livro, mostra o protagonista no elevador e duas vozes acontecendo simultaneamente na cabeça dele. A voz do medo é a voz do eu-psicológico ou do eu-pessoal? E a voz sábia é a voz do eu-ser?

Primeiro vou falar da questão da voz no filme. O produtor do filme queria mostrar a consciência (observador) no filme. Mas a consciência não é um objeto, a consciência é o sujeito que observa os objetos. Então, como ele iria colocar a consciência na tela do cinema uma vez que tudo na tela do cinema, inclusive os sons, são objetos observados? O truque cinematográfico que ele usou foi colocar a consciência como sendo uma VOZ, ou seja, como se fosse o PENSAMENTO do personagem. Só que a consciência não é voz nem pensamento, é o observador de tudo, inclusive do pensamento. Então, no rigor autocientífico, a tal da voz não é você-ser. Mas com licença cinematográfica, sim, o produtor do filme está sim tentando colocar você-ser na tela do cinema, e usou a voz (pensamento sábio) para representar isso.

Dito isso, vou falar do medo em si. Mas só um pouquinho, porque vamos estudar o medo com profundidade na parte psicológica do ciclo de estudos. Para falar do medo em si, vou encurtar sua pergunta:

PERGUNTA: A voz do medo é a voz do eu-psicológico ou do eu-pessoal?

Sim, o medo é um objeto psicológico e pessoal (você-psicológico e você-pessoal). O medo em si é um objeto psicológico (você-psicológico) e o conteúdo do seu medo é um objeto pessoal (você-pessoal). Como todo medo tem conteúdo, ou seja, especificidade, então, todo medo que você-ser experimenta é simultaneamente um objeto psicológico e pessoal.

Não! A voz que você e todos os seres humanos escutam “dentro da cabeça” é o pensamento. O pensamento também é um objeto observado assim como os objetos físicos, porém, o pensamento é um objeto psicológico. A consciência é o que está observando os pensamentos. Só que toda a cultura psicológica e filosófica humana usa a palavra “consciência” como sendo sinônimo de pensamento. Então, somos intensamente incentivados a igualar consciência com pensamento. Esse é um dos equívocos que o livro UM SOU DOIS aponta e esclarece.

Este texto: VOZ DE DEUS, trata exatamente desse equívoco.

PERGUNTA: Eu ouço duas vozes dentro da cabeça, uma com muito sofrimento, se fazendo de vítima e outra é a voz da razão. Tem alguma coisa a ver com o que a gente aprende na escola sobre o ID, ego e superego?

Sim, tem. E tem a ver também com a quaternalidade da natureza humana. E tem a ver também com autoanálise. Experimentar um pensamento e pensar um pensamento não é a mesma coisa. O que você está chamando de razão, é você fazendo autoanálise, ou seja, você pensando o pensamento.

“Separação” é um conceito espacial e materialista. Você-ser existe. A existência é a causa da matéria no tempo e espaço, logo, o conceito de separação não se aplica aos seres. O melhor é você pensar que cada ser é uma unicidade existencial diferente.

Seres conscientes vivem bem. Se você está vivendo mal, está na ignorância.

Autociência é a prática que produz autoconhecimento. Se você está produzindo autoconhecimento (em algum nível), então, é porque está praticando autociência (em algum nível).

Não! Só quem desperta é a consciência, o observador, você-ser. Seu sistema psicológico (natureza humana) não é um observador, é um objeto observado, logo, não desperta. O mesmo para sua personalidade (você-pessoal). É você-ser que desperta, que fica consciente do seu funcionamento psicológico humano e do funcionamento da sua personalidade. Natureza humana e personalidade são observados, são objetos que você-ser está constantemente observando.

Sim, é um equívoco. Meditar é saber de si existencial. O que acontece é que saber não é pensar, pois isso se diz pedagogicamente que na meditação não tem pensamento. Só que ninguém explica para o aluno que é só pedagogia, então, lá vai o aluno tentar o impossível, e pior, desnecessário. Meditação é muito simples, basta você ficar consciente que saber não é pensar. Quando você faz isso, você desfoca do pensamento e foca na consciência que está sabendo do pensamento, ou seja, no existencial.

Sim, você pode usar essa terminologia se quiser. Na prática, pouco importa a terminologia.

PERGUNTA COMPLETA: Quando você diz que a observação não consegue observar a observação, estou correta de entender que eu ignoro o ser que sou porque o eu-psicológico não consegue observar eu-ser?

Não, essa sua conclusão está equivocada. Você-psicológico é objeto observado, não é consciência, observador, você-ser. Você-ser não consegue se ver porque você-ser não é um objeto. A visão não consegue ver a visão, é impossível. Faça o seguinte experimento. Fique parada em frente a um espelho e tente ver a visão. Você verá tudo, menos a visão. Você verá o ambiente, verá seu corpo, verá seus olhos, verá as pupilas dos olhos, mas jamais verá a visão. Contudo, é obvio que a visão está presente, caso contrário, como você estaria vendo todos esses objetos se não estivesse vendo, ou seja, sem a visão? Só que é impossível ver a visão. E por quê? Porque visão é consciência humanizada, mais especificamente, consciência humanizada visual.

Basta perceber que já está, não precisa colocar. Quanto aos estudos, qualquer trabalho de despertar da consciência que não explique que o caminho para o autoconhecimento é a PRÁTICA da autoobservação, não serve pra nada, só serve para produzir unicórnios espiritualistas.

Autoobservação doentia é um jeito de descrever o problema, porém, mais correto é dizer autoanálise doentia. Para curar seu mal viver não basta só você se observar sem discernimento do que está observando. Fazer isso é igual você mostrar um celular para um neném. O neném vai ver tudo, mas não vai entender nada. Por isso não vai conseguir lidar bem com o celular. Então, você precisa aprimorar seu discernimento e entendimento do que está observando para poder curar seu mal viver. E para isso, claro, você precisa de um mestre absolutamente infalível que lhe ajude nesse trabalho. Esse mestre se chama sofrimento. Estudaremos isso com profundidade em outros livros: o sofrimento é o mestre.

Não! Porém, para ter um despertar existencial, você deve praticar autoobservação existencial. Autoobservação psicológica não produz despertar existencial, produz despertar psicológico.

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.

A resposta é sim e não. O problema nessa pergunta é o entendimento sobre separação. Na lógica materialista, separação necessita de espaço e tempo. A cadeira está separada da mesa no espaço-tempo, o passado está separado do presente no espaço-tempo. Então, se você tentar separar o ser do humano assim, não vai conseguir, pois não existe essa separação. Você não é um ser humano, você é um serumano. Não tem separação.

Nos termos da 1ficina, serumano é uma UNIdualidade. Ou seja, é uma unidade com dois aspectos, duas naturezas: natureza existencial e natureza humana. Mas se é uma UNIdualidade, se são duas naturezas, então, tem uma separação? Sim, tem. Só que não é uma separação espaço-temporal. Você jamais irá conseguir colocar o ser aqui e o humano ali, pois o serumano que você é, não é produto do espaço-tempo, é a fábrica do espaço-tempo. Por isso também que você jamais irá conseguir encontrar o ser nem o humano no espaço-tempo.

Os espiritualistas procuram de todo jeito, estudam, fazem yoga, bebem chá de bambu, praticam meditação zen, zoom, carnal, transcendental, os cambau, e só conseguem ampliar a angústia de não entenderem que o que buscam está mais perto do que perto: é o serumano que são. Os cientistas também procuram de todo jeito, inventam telescópios, microscópios, aceleradores de partículas, escaneiam o cérebro, mexem e remexem no corpo e na massa cinzenta, e nada de encontrar o fantasma dentro da máquina. Vivem exatamente a mesma angústia dos espiritualistas.

Mas sendo que o ser humano é uma UNIdualidade, então, tem uma separação sim entre ser e humano, mesmo que não seja espaço-temporal. E se tem, como se faz para separar algo que é INSEPARÁVEL? Usando o DISCERNIMENTO. Essa é a função do discernimento: separar o inseparável.

Por exemplo, olhe para um objeto, qualquer objeto, e você verá que esse objeto tem três dimensões: altura, largura e profundidade. Você consegue separar no espaço-tempo a largura, da altura, da profundidade? Consegue colocar a largura do objeto em cima da mesa, a altura no bolso e segurar a profundidade na mão? Não. São inseparáveis. Contudo, você sabe claramente que não são a mesma coisa. É óbvio. São três dimensões. Como você sabe que são três dimensões separadas? Através do DISCERNIMENTO.

Analogamente, também é através do DISCERNIMENTO que você separa o serumano que você é em dois: ser e humano. E faz isso apenas para fins de estudo e entendimento, pois você sabe que serhumano é uma UNIdualidade indivisível.

Sim! A prática da autoobservação existencial é feita através da observação da observação. Você deve observar o observar. Você deve ficar ciente sobre a ciência. Você deve saber da sua cognição. O objeto da sua observação deve ser sua própria observação.

Devo observar pura e simplesmente ou analisar a observação?

Raciocínios (pensamentos) surgem na autoobservação porque são objetos psicológicos observados. Basta perceber isso. Só perceber. Observe os pensamentos superficialmente. Seu trabalho na autoobservação existencial não é entrar na lógica dos raciocínios, é apenas constatá-los como realidade (experiência). Raciocínios são experiência. Só isso. Mas se você entrar em processo de análise, se entrar na lógica de um raciocínio, tudo bem, você nem irá perceber que entrou e tão logo perceber, é porque já saiu. Entenda que se você está praticando autoobservação existencial para sair da mentalidade materialista, é porque você está dentro dela. Então, faça igual Renê Descartes, vai saindo passo a passo. Tudo que você observar, perceba que é apenas um observado, uma experiência. Só isso! Você vai fazendo isso e daí se dá conta que, por mais que você observe, você não consegue observar a observação. E é assim que você se dá conta da “observação pura”. Fica óbvio. E fica óbvio também que o que existe é observação e não observado. Como quem está observando é você… EUreka! Eu existo! Despertar existencial! Essa é a explicação do óbvio. Mas a explicação do óbvio não é o óbvio. Então, boa prática!

A palavra meditação está mais adulterada do que gasolina de posto barato. Atualmente a palavra meditação é usada para tudo. Meditação para ficar rico, meditação para aumentar o tamanho do pênis, meditação para trazer marido de volta, meditação do empoderamento, meditação da família, etc. Um show de horrores. Algumas pessoas fazem dinâmicas de imaginação e chamam de meditação, deveriam chamar de imaginação, uma vez que é imaginação. Tem pessoas que dão exercícios de relaxamento e concentração e chamam de meditação. Deviam chamar de relaxamento e concentração, uma vez que é relaxamento e concentração. Meditação mesmo é a prática da autoobservação. Sendo que a prática da autociência é executada através de três tipos de autoobservação: existencial, psicológica e pessoal. Então, meditação pode ser existencial, psicológica e pessoal.

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você se aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.

Não existe observação sem análise, é impossível. Alguma análise acontece inevitavelmente. Se é uma análise competente ou não, com critério A ou B, daí é outra história. É devido a essa impossibilidade que você acredita que é humano ser, pois confunde consciência com pensamento (análise).

1) A observação cria o objeto observado.
2) Uma vez que tem um objeto observado, daí sim você analisa o objeto.
3) Sempre tem um objeto observado.
4) Por isso você está sempre pensando (analisando).
5) Por isso você confunde observação com análise (pensamento).

Observador não analisa, apenas vê. Pense na sua visão. Sua visão analisa o que está vendo? Não. Sua visão apenas vê, apenas enxerga. Quem analisa o que você está vendo não é a visão, é a razão. O mesmo se dá toda observação e analise. Quem observa é o observador, quem analisa é a razão. Observação e análise acontecem ao mesmo tempo, mas não são a mesma coisa.

A prática da autociência é executada através da prática de autoobservação. A dificuldade em despertar a consciência ocorre devido à falta de prática em autoobservação. Tem uma pergunta na parte de perguntas e respostas do livro CIÊNCIA DO ÓBVIO que amplia um pouco mais o entendimento dessa dificuldade:

PERGUNTA: A qualidade da observação do céu depende da ferramenta mais apropriada. No caso da observação de si, qual é a ferramenta mais apropriada?

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que nunca ninguém te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Dito isso, acrescento que existem três tipos de autoobservação:

Autoobservação existencial
Autoobservação psicológica
Autoobservação pessoal

Cada uma tem sua dificuldade específica. Mas não adianta eu lhe falar das dificuldades específicas sem que antes você entenda o que é cada prática. Para entender, você pode ir até o site da 1FICINA e ler o livro CIÊNCIA DO ÓBVIO.

Sobre a outra parte da sua pergunta…

Despertar é de uma vez ou por camadas?

Despertar existencial é instantâneo, puf, despertou, acabou, pois não tem nada abaixo do ser (existência). A existência é o fundamento da experiência e não tem camadas de existência.

No caso do despertar psicológico, não são camadas, são mídias simultâneas, ou seja, sua natureza psicológica é multimídia. Você experimenta emoção, pensamento, sensações, desejo, valores, crenças, tudo ao mesmo tempo. Cada coisa é uma coisa, mas a experiência é simultânea. É como se você estivesse ouvindo dez músicas diferentes ao mesmo tempo. Vira uma confusão. Você confunde a música da emoção com a música do desejo, com a música do pensamento, com a música das sensações etc. Para você conseguir discernir uma música da outra é preciso bastante prática de autoobservação psicológica.

No caso do despertar pessoal, daí sim, são camadas, feito uma cebola. A prática do despertar pessoal é você descascando sua cebola. Você descasca uma camada e tem outra e outra e outra. A prática do despertar pessoal não acaba nunca. Você irá descascar cebola sua vida inteira. Mas não precisa chorar. Quanto mais descascar sua cebola, melhor será a qualidade do seu viver.

A coletividade humana é constituída por aleijados científicos. Não me refiro à ciência como conhecimento, mas à prática de observação e análise que resulta na produção do conhecimento. A competência da maioria das pessoas em observar e pensar sobre o que estão observando é zero. Muito provavelmente esse é seu caso também. Nem sua escola, nem seus pais, nem ninguém, lhe ensinou a observar e pensar, você foi educado a acreditar e repetir.

Sua deficiência científica parece irrelevante. Você não é médico, nem biólogo, nem químico. Você não precisa praticar ciência para ganhar dinheiro, pagar as contas e viver sua vida. Só que você é um ser humano. E você sofre. E a causa do seu sofrimento é sua ignorância sobre o que é ser humano. E o caminho para descobrir não é acreditar e repetir, o caminho é observar e pensar. Mas sendo que você não tem prática em ciência (observação e análise), tem menos prática ainda em autociência (autoobservação e autoanálise). Eis o motivo da dificuldade.

Vou fazer um paralelo com a visão para ajudar o entendimento. Quando vezes ao dia você está consciente de que só está enxergando o que está enxergando porque você tem a faculdade da visão? Zero vezes. Você é capaz de passar anos e anos, até uma vida inteira enxergando, e não se dar conta que só está enxergando o que está enxergando porque tem a faculdade da visão. Então, se você é capaz de passar a vida inteira ignorando a visão, que é algo bem explícito, mais capaz ainda de ignorar a consciência, que é super implícita.

O primeiro motivo é a forma como se pratica ciência. A eureka científica é uma inferência causal. O que é inferência? Inferir é concluir, deduzir. Então, praticar ciência é praticar ficar consciente da causa através do efeito. Você citou Newton e a lei da gravidade. Esse é um exemplo clássico de eureka científica. Conta a história que Newton cochilava debaixo de uma macieira quando uma maçã caiu e atingiu sua cabeça. Um acontecimento trivial, mas que, justamente pela trivialidade, acabou levando o cientista a ter uma eureka revolucionária: a lei da gravidade. E o que é a lei da gravidade? É uma conclusão, uma dedução, uma inferência causal pensada pela cabeça de Newton a partir da observação de um efeito: a queda dos corpos.

Inferir é uma capacidade humana que envolve observar um efeito e raciocinar a causa. Só que capacidade não é competência. Nenéns, por exemplo, são seres humanos, possuem a capacidade de inferir, mas não são capazes de fazer inferências complexas, porque ainda não desenvolveram a competência em raciocinar. Competência é capacidade desenvolvida. Todo ser humano nasce com capacidade de raciocinar, mas só aqueles que praticam essa capacidade a desenvolvem. Dito isso, o fato é que ninguém gosta de pensar. Resultado, são 8 bilhões de seres humanos adultos com a mesma competência de raciocínio de um neném.

Pensar é uma atividade que requer esforço, assim como levantar peso na academia. Então, assim como é mais fácil e confortável ficar no sofá, comendo batata frita e assistindo televisão do que ir até a academia fazer exercício, também é mais fácil e confortável acreditar no que lhe ensinam do que pensar e descobrir por si mesmo. Pensar cansa. E em verdade, em verdade, vos digo: você é um preguiçoso mental, você tem preguiça de pensar.

Claro que somado à sua preguiça mental está a falta de incentivo. Você nunca é incentivado a pensar, só é incentivado a acreditar. Seus pais lhe incentivam a acreditar neles e lhe punem quando você pensa por si mesmo, seus amigos fazem o mesmo, seus professores fazem o mesmo, sua sociedade faz o mesmo, as religiões fazem o mesmo, e assim por diante. Ou seja, como se não fosse desafiador e desagradável suficiente vencer a própria preguiça mental para pensar por si mesmo, você ainda precisa estar disposto a levar porrada de tudo e de todos.

Eis um dos motivos de você não perceber o que está na frente do seu nariz: preguiça de pensar e medo de apanhar por pensar diferente. Só que até agora estive falando de ciência, no caso da AUTOciência, tem um segundo motivo. Ciência é observar e pensar o funcionamento da natureza, ou seja, observar e pensar o funcionamento do outro, por exemplo: observar e pensar a queda da maçã. AUTOciência é observar e pensar o funcionamento do observador da natureza, ou seja, observar e pensar o próprio funcionamento, por exemplo: observar e pensar o pensamento. Daí que a falta de competência é total.

O ser humano tem a capacidade de autoobservação e autoanálise, mas sua competência nessa capacidade é zero. São 8 bilhões de nenéns em autociência. Tanto é assim que a palavra AUTOCIÊNCIA sequer existia na internet antes da 1ficina. Tive que inventar essa palavra para poder explicar qual é a prática que torna possível ver o que está na frente do nariz. E como praticá-la.

Eis então os dois motivos pelos quais você não vê o que está na frente do seu nariz. Só que você não está condenado a viver igual neném. Você pode praticar sua capacidade de pensar e se tornar um pensador competente. Você pode praticar sua capacidade de autoobservação e autoanálise e se tornar um autocientista competente. Basta decidir por isso e começar. Mas você também pode continuar praticando a preguiça mental, a dependência mental e a birra (resistência), igual um neném. Você não tem obrigação de praticar autociência e se tornar competente em ser humano (adulto). É apenas uma opção. Você decide o que é melhor para você.

Porque é o que observo. Aluno (em geral) é preguiçoso. Aluno tem preguiça de pensar. Aluno que gosta de praticar não precisa de professor, pratica autoobservação sozinho, pensa sozinho e descobre sozinho.

Porque é fato. E vocês só ficam irritados com isso porque é fato. E pior! É um fato vergonhoso. Ou será que vocês se orgulham de ter um cérebro e não usar? E depois, não cobro que vocês pensem, só explico porque não entendem. Não tem como entender sem pensar. Vocês podem ficar irritados o quanto quiserem, opção de vocês, problema de vocês. Eu não estou aqui para ficar passando a mão na cabeça de aluno, ainda mais de aluno que quer entender sem pensar.

PERGUNTA COMPLETA: Você disse que o despertar existencial é o alicerce da casa. Posso seguir para a construção das paredes sem ter construído o alicerce? Em outras palavras, posso seguir com o estudo do despertar psicológico sem ter despertado existencialmente?

Não, eu não disse que o despertar existencial é o alicerce da casa, disse que a existência é o alicerce da casa. Sim, você pode e deve seguir nos estudos. Se você ficar esperando despertar existencialmente para depois começar um trabalho psicológico e pessoal, vai morrer esperando, nunca irá fazer.

PERGUNTA: Estarei eu construindo uma casa de palha como a casa dos três porquinhos?

Sim estará, mas se é o que você tem pra hoje, é o que você tem pra hoje. A pergunta que você deve se fazer é: “Eu quero viver bem?”. Se a resposta for sim, a pergunta subsequente deve ser: “Estou disposta a pagar o preço de viver bem?”. Se estiver disposta, o que tiver que vir, virá. E não será mar de rosas, muito pelo contrário. Mas você irá caminhar para autorealização e o que for necessário eurekar para isso, será eurekado, seja existencial, seja o que for.

Pergunta completa: A qualidade da observação do céu depende da ferramenta mais apropriada, no caso da observação de si, qual é a ferramenta mais apropriada?

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que ninguém nunca te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Fazendo uma analogia, é a mesma diferença entre ouvir música e fazer uma música. Quando você está ouvindo uma música, mesmo que seja uma composição sua, a música já está feita e você está apenas dando REplay e ouvindo PASSIVAMENTE. Quando você está fazendo uma música, você não está dando REplay, você está ATIVAMENTE produzindo a música que depois você irá dar REplay e ouvir passivamente. Entende a analogia? Pensar o pensamento é o ato ativo e consciente de analisar os velhos pensamentos e produzir novos pensamentos. Pensar o pensamento é fazer novas composições mentais. Experimentar pensamentos é ficar ouvindo todos os pensamentos que já estão gravados e que ficam tocando subconscientemente num REplay infinito.

Você não PRECISA ficar consciente nunca. Não é uma obrigação. E nem consegue ficar por muito tempo. Tente ficar consciente da sua respiração por cinco minutos, por exemplo. Se você conseguir um minuto, é recordista mundial. E consciente de si você sempre está em algum nível. Então, você DEVE ficar MAIS consciente de si quando é necessário. Quando não é necessário, necessário não é. E quando é necessário? É necessário quando você está vivendo mal. Por que é necessário quando você está vivendo mal? Porque você só vive mal quando está ignorante, quando você está consciente, você vive bem. Então, para sair do mal viver e entrar no bem viver, você deve ficar consciente do que está sendo ignorado e que, por estar sendo ignorado, está resultando em viver mal. Para fazer isso, você deve praticar autoobservação e autoanálise, tendo como objeto de estudo o mal viver que está experimentando. Eis quando é fundamental ficar super consciente, no nível mais alto possível.

Sim, exatamente! Foi isso que você estudou no livro Apocalip-se. Você se entende como humano ser e não como ser humano. Ou seja, você acredita que você é SÓ humano, mas você não é SÓ humano, você é um SER humano.

Não! Você pode praticar autoobservação sua vida inteira e ainda assim JAMAIS irá obter êxito em ter uma experiência de despertar. O motivo é simples. DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA, DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA É SE TORNAR CONSCIENTE SOBRE O QUE É EXPERIMENTAR. Ninguém jamais experimentou ou irá experimentar o despertar da consciencial. Despertar da consciência é se tornar consciente sobre o processo mental de criar realidade.

Sim. O esperto pensa que sabe, o desperto sabe que pensa. Quando comecei a falar sobre iluminação, despertar da consciência, usava o termo “sei que sei”. Você estava no “sei”, então, se deu conta: “Peraí, eu sei, mas como eu sei que sei?”. E daí despertou para o óbvio. Você sabe que sabe porque você é saber (consciência). Consciência é uma das suas três naturezas existenciais. Tem mais duas. Estudaremos todas as três durante o ciclo de estudos.

Exato! O método autocientífico é a autoobservação e a autoanálise. A 1ficina explica o que é o método autocientífico, para que serve e como aplicá-lo. Uma coisa interessante é que a 1ficina faz isso com um público que não tem a menor ideia do que é “método científico”, então, tem menos ideia ainda do que é “método autocientífico”.

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