Um Homem

05/09/2021 by in category Autofalante with 0 and 0

Um homem cheio de defeitos
é um homem cheio de virtudes
que por simples falta de atitude
se aprisionou numa gaiola

Um homem cheio de mentiras
é um homem cheio de verdades
que impedido pelas grades
não pode mais tocar viola

Um homem é uma tempestade
em um copo d’água
e a razão de sua mágoa
é a desrazão do que ele pensa
Um homem nunca é o que pensa
mas pensa que é
Um homem crê em sua crença
e duvida da fé
Um homem nunca vai sofrer
mas sofre e chora
Um homem nunca vai nascer
pois só morre por fora

ANÁLISE

O Homem Cheio de Defeitos

A primeira estrofe da música, “Um homem cheio de defeitos / É um homem cheio de virtudes / Que por simples falta de atitude / Se aprisionou numa gaiola”, serve como ponto de partida para uma análise reveladora. A discussão propõe que o que a sociedade define como “defeito” muitas vezes é apenas uma característica que, sob outra perspectiva, pode ser uma grande virtude. Sua individualidade, por exemplo, pode ser vista como um defeito para aqueles que buscam a conformidade, mas é sua singularidade que o torna único. Ainda mais profundo, o termo “defeito” é reinterpretado como um mau hábito. Você é o produto dos hábitos que cria – hábitos de reclamar, de fofocar, ou de qualquer outro comportamento que o faz viver mal. A virtude reside na sua capacidade de reconhecer esses maus hábitos e ter a atitude de substituí-los por comportamentos que o levam ao bem-viver.

O Homem Cheio de Mentiras

A segunda estrofe, “Um homem cheio de mentiras / É um homem cheio de verdades / Que impedido pelas grades / Não pode mais tocar viola”, leva a reflexão para sua essência. A “mentira” não é apenas a ausência da verdade; é a negação de quem você realmente é. Você nasce com uma essência única, mas é “educado” a se conformar com o que a sociedade espera de você. As “grades” mencionadas na música são as crenças e as imposições externas que o levam a viver um “outroísmo”, ou seja, uma vida que não é a sua. “Tocar viola” é uma metáfora para você expressar sua verdade, sua individualidade. Ao se negar, você cria um desequilíbrio que se manifesta em sofrimento e frustração. A música te lembra que, para ser autêntico, você precisa desafiar as “mentiras” que te contam sobre quem você deve ser e se libertar das “grades” que o aprisionam.

A Semente que Não Brotará

A conclusão da música, “O homem nunca vai nascer / Pois só morre por fora”, traz a metáfora final da semente. Se você não permitir que sua essência (a semente) brote e se transforme, viverá uma vida de conformidade e medo da morte, sem nunca ter realmente nascido. Seu corpo pode morrer, mas sua individualidade, sua verdade, se tornará apenas uma casca vazia, uma existência sem propósito. Em um momento em que a sociedade parece estar em um despertar coletivo, o vídeo e a música convidam você a iniciar sua própria jornada de autoconhecimento. A única maneira de vencer a “guerra” do mau viver é abrindo os olhos e praticando a autociência, investigando seus hábitos e se libertando das “mentiras” que o impedem de ser a sua melhor versão.

GRAVAÇÃO

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