— Eu estava no laboratório de física da Suíça, fazendo um experimento com o acelerador de partículas. Tubos de aço serpenteando por quilômetros, repletos de magnetos supercondutores. O chefe do laboratório ligou o acelerador. Um zumbido grave inundou o ambiente e os átomos começaram a se deslocar pelo cano de aço rumo à colisão. Era a busca pela partícula fundamental, a essência última da matéria. A contagem regressiva ecoava pela sala, medida em frações de segundo que pareciam horas:
— O laboratório explodiu? Houve algum acidente? — pergunta um aluno.
— O laboratório não! — responde Albert — O que explodiu foi a minha cabeça! Naquele instante exato da colisão, entendi que o materialismo é um equívoco. É um equívoco muito convincente e persistente, mas é um equívoco.
Albert faz uma pausa.
— Porém, quando olhei ao meu redor, vi meus colegas cientistas comemorando efusivamente o resultado do experimento. Eles estavam fascinados com os dados coletados nos detectores. A análise das trilhas de energia e o momento angular levou-os à conclusão que a matéria era feita de sub-partículas ainda menores do que esperavam, que prontamente batizaram de pósitrons.
— Sensacional, não, professor!? — exclama um aluno.
— Que nada! Pósitron é o mesmo equívoco de sempre validado por novos gráficos e estatísticas. Por isso, quando vi a comemoração deles, a euforia, comecei a dar gargalhadas incontroláveis.
Albert faz outra pausa.
— Era uma risada que vinha da profunda ironia da situação. Eles me perguntaram por que estava rindo tanto. Tentei explicar, mas a conclusão imediata e unânime foi que eu havia ficado louco. Propus um experimento de percepção, algo simples. Foi aí que eles tiveram a convicção definitiva de que eu havia enlouquecido. A ciência, afinal, não tolera verdades que não venham de um tubo de ensaio.