Imprimir / PDF

Uma vez por ano a 1ficina realiza um ciclo de estudos chamado Autociência Passo a Passo. Em 2014, na primeira edição, percorri os principais temas da autociência em ordem crescente de entendimento, começando pelo existencial, passando pelo psicológico e chegando no social (convivência). Foram em torno de 20 conversas, uma por semana. Todas foram gravadas. Terminado esse primeiro ciclo de estudos, decidi transcrever as conversas, revisá-las e transformá-las em livros. Transcrevi todas, menos a última, chamada: Três Passos Para Cura Psicológica. Agora, terminado o quinto ciclo de estudos, decidi transcrevê-la e transformá-la em livro também. Três Passos Para Cura Psicológica é um livro curto, simples e direto, escrito para quem realmente deseja viver bem e está disposto a pagar o preço. Ou seja, não é para interessados, é para comprometidos. Por isso foi a última conversa do primeiro ciclo de estudos. Se você ainda não está acostumado com a terminologia da 1ficina, principalmente com a palavra “outroísmo”, provavelmente terá um entendimento superficial dos três passos. Para aprofundar, você pode ler os outros livros e participar de um ciclo de estudos.

Toda pessoa que me procura me diz o mesmo: me resolve. Não diz com essas palavras, mas diz com seu comportamento. A pessoa fala, fala, fala, reclama, reclama, reclama. Todo seu discurso se resumem a uma única frase: “Socoooorro! Me tira daqui!”. O que uma pessoa quer dizer quando grita “me tira daqui?”. O que é aqui? Aqui é o constante e ininterrupto estado de angústia, pânico, ansiedade, raiva, mágoa, insatisfação, frustração, depressão e revolta que a pessoa vive. Aqui é o buraco que a pessoa se meteu e não sabe sair. Aqui é o quinto dos infernos. Só que a pessoa nem sabe disso. Se soubesse, abandonava a lamúria, que é o caldeirão do inferno, e pegava o caminho de volta ao bem viver. Eu não resolvo ninguém. Já tive essa pretensão. Já delirei que era super poderoso, capaz de resolver o sofrimento alheio. Tremendo equívoco. Tudo que consegui foi ampliar meu próprio sofrimento. Então, o que faço? Não faço.

— Me resolve — diz a pessoa que me procura.
— Não! — respondo, sem dó nem piedade.
— Me resolve, eu te pago — a pessoa insiste com suborno.
— Não! — respondo, sem dó nem piedade.
— Me resolve ou te mato — a pessoa insiste com ameaça.
— Não! — respondo, sem dó nem piedade.
— Seu trabalho não é me ajudar? — ela pergunta.
— Não, meu trabalho é te ensinar a se ajudar — respondo.

Seu dente dói. O que você faz? Você ignora. Toma analgésico. Resolve? Não. Se analgésico curasse cárie, virava chiclete. O que acontece com a dor? Aumenta. O que você faz? Continua ignorando. Você bebe querosene, fuma casca de banana, faz promessa para fada do dente doente. Resolve? Não. Se querosene curasse cárie, virava enxaguante bucal. O que acontece? A dor aumenta. O que você faz? Continua ignorando. Você coloca sal no dente, sapólio, pólvora, pó de mico. Resolve? Não. Se pó de mico curasse cárie, virava farinha. O que acontece? A dor aumenta. Fica insuportável. O que você faz? Pega o telefone e implora para o dentista enfiar a motosserra na sua boca. Autoanálise é dentista. Dente é mentalidade. Sofrimento é sintoma de cárie mental. Telefone é arbítrio. Se liga!

Uma vez, na sauna do clube, que é um ambiente frequentado só por homens, ouvi um homem dizendo: “Eu faço terapia. É o melhor investimento que uma pessoa pode fazer na vida. Mudou minha vida!”. Fiquei surpreso! É raro homem que tem interesse por terapia. A mentalidade comum é que terapia é coisa de viado. Só que não! Encarar a crise econômica, encarar um touro, encarar a torcida do Corinthians, é moleza, difícil é encarar a si.

A novela Velho Chico ilustrou isso com o personagem Afrânio, representado por Antônio Fagundes. Para enfrentar o mundo, Afrânio decidiu se vestir de Coronel Saruê. Quanto mais se vestia, mais se distanciava de si. Por fim, Afrânio deixou de ser Afrânio. Só que ninguém aguenta o peso de viver fora de si. Nem Hércules aguentou. Então, dia sim, dia também, lá estava o Coronel Saruê fazendo terapia com os espelhos do casarão.

A novela Velho Chico foi uma grande constelação familiar. Seus personagens eram todos arquetípicos da velha família brasileira. Afrânio representou o velho homem, o Velho Chico e passou a novela inteira ruminando sua opção Saruê. Nada mais terapêutico que ruminar. No último capítulo, com um pouco de imaginação e ousadia, prevejo que Afrânio estará numa roda de homens no bar do Chico Criatura e dirá: “Eu faço terapia. É o melhor investimento que uma pessoa pode fazer na vida. Mudou minha vida!”. Piui! Toca o apito e abre a gaiola do encantado. Olivia dá a luz a um Saruê dos anjos. Fim dessa novela, começo de um novo Chico.

Inferno mental é você experimentando suas mentalidades subconscientes subindo ao consciente. Você chama de inferno porque são mentalidades que não concorda, não gosta, não admira, etc. Assistir essas mentalidades indesejadas subindo ao consciente, por um lado, é tão infernal como estar amarrado dentro de um cinema que só passa filme de terror, mas por outro lado, é oportunidade de faxina. Inferno mental é poeira saindo debaixo do tapete. É no nível consciente, e só no nível consciente, que acontece a conscientização e a reprogramação mental. Claro que parece uma boa opção empurrar a faxina para debaixo do tapete também. Deixar para amanhã. Só que amanhã é nunca. E mentalidade indesejada não muda para desejada só porque está escondida debaixo do tapete. Pelo contrário, vai aumentando, até que não tem mais poeira debaixo do tapete, tem tapete em cima da poeira. A solução é ir passo a passo, aproveitando cada oportunidade e fazendo a faxina da vez. Quanto mais faxina feita, mais você entende que inferno é paraíso empoeirado.

Uma amiga decidiu buscar apoio num grupo de anônimos e pediu que eu fosse junto. O encontro foi numa igreja no centro de São Paulo. Aceitei, pensando em ajudá-la. Ledo engano! Para minha amiga foi um banho de sal grosso, para mim, foi tratamento de choque, 220 volts. Sentados em cadeiras plásticas, os criminosos se sentiam muito à vontade para relatar seus crimes, revelar seus segredos mais íntimos, confessar suas cagadas mais inconfessáveis. Gostei tanto daquele confessionário que ir às reuniões se tornou meu programa favorito de sábado. Enquanto minha amiga refletia sobre sua compulsão, eu aprendia sobre o primeiro passo da cura psicológica.

Provavelmente você já ouviu falar do AA (Alcoólatras Anônimos). Se nunca ouviu, trata-se de um grupo de apoio, sem fins lucrativos, para ajudar alcoólatras a se manterem sóbrios. O AA funciona basicamente através de reuniões semanais. Durante essas reuniões os participantes contam sobre suas vidas, sobre seus dramas com o alcoolismo e sobre o processo de abstinência.

Muitos alcoólatras se recusam a participar das reuniões do AA. Por que? Porque participar de uma reunião de AA significa admitir que você é um alcoólatra. Muitos não querem admitir isso. Por isso, quando um alcoólatra entra em uma reunião de AA, ele está dando o primeiro passo para cura do alcoolismo: admitir o alcoolismo.

O mesmo acontece com o outroísmo. O outroísmo é a doença psicológica por trás de todas as doenças psicológicas. O outroísmo é a raiz de todas as doenças psicológicas. Todos os seres humanos, sem exceção, possuem mentalidade outroísta, embora em diferentes graus e modalidades. Então, o primeiro passo para a cura psicológica é você admitir seu outroísmo.

É a negação da doença que impossibilita a cura. Quando você está doente e não admite que está doente, isso só perpetua e agrava sua doença. Quando você vai ao médico ou até a farmácia, isso significa que você deu o primeiro passo para curar sua doença: você admitiu estar doente.

Enquanto você não admitir que sua mentalidade está doente (outroísta), a negação do outroísmo ficará impedindo a cura. Então, negar a doença é o primeiro obstáculo. Só que você nem sabe que está doente. Você acredita que está saudável, que não tem nada de errado com sua mentalidade. Você nem sequer sabe que sua mentalidade é outroísta. Você nem sequer sabe o que é outroísmo.

Resumidamente, outroísmo é você vivendo em desacordo com você. Se você não está em acordo com você, logo, está em acordo com os outros (outroísmo). Sem que sequer desconfiasse, você foi programado e se programou para viver de forma outroísta. Eis porque você é outroísta sem saber.

O que você sabe é que você vive mal, vive sofrendo, vive em conflito consigo e com os outros. Mas você acha que é assim mesmo. Sequer desconfia que isso é resultado de uma mentalidade outroísta. Eu lhe garanto que é. Não existe outra causa para viver mal senão o outroísmo. Você vive mal porque vive outroísta. E você vive outroísta porque sua mentalidade é outroísta.

Mas não estou escrevendo para lhe convencer que está doente, escrevo para que comece a considerar que está doente e possa dar o primeiro passo da cura psicológica: admitir a doença. Sendo que está lendo esse livro, suponho que está disposto a dar o primeiro passo. Meus parabéns! Boa prática! E vamos ao segundo passo da cura psicológica.

Nunca tive um mísero músculo na barriga. Meus músculos abdominais parecem não ter esse dom. Por isso sinto inveja de quem tem barriga de tanquinho. Só que inveja não pode! A moral e os bons costumes não permitem inveja. E o que faço com essa inveja aqui? Tranca no porão! Negar a inveja é lidar mal com a inveja. Não tem nada de errado com a inveja. O que atrapalha é não saber usar a inveja como informação de autoconhecimento. Inveja é admiração. Só isso. Na verdade, eu não tenho inveja de quem tem barriga de tanquinho, eu admiro corpo esbelto. Mas se levo a inveja para o porão, nunca descubro isso. Outro dia, um amigo gordinho apareceu sarado. Bati o olho e fiquei com inveja. Só que ao invés de me chicotear e levar a inveja para o porão, admiti. Saboreei a inveja como se estivesse chupando uma bala. Quanto mais ficava consciente da inveja, mais ela se transformava em admiração. Negar o que estamos sentindo não elimina o que estamos sentindo. O primeiro passo para lidar bem com o que estamos sentindo é admitir o que estamos sentindo. Negamos a inveja, a cobiça, a vergonha, o medo, a preguiça, a crueldade, etc, porque não entendemos que são informações de autoconhecimento. Quando entendemos isso, não precisamos negar nada. Admitimos tudo. Jogamos luz (lucidez) no sentimento. Fim do mal viver.

Demorou até admitir que tinha inveja do Prem Baba (Guru brasileiro de tradição indiana). Não tinha inveja especificamente dele, mas da quantidade de alunos que ele tinha. Eu me considerava um professor melhor que ele, mas enquanto o Prem Baba dava palestras para um gigantesco auditório lotado, eu me encontrava com uns gatos pingados na grama molhada do parque do Ibirapuera. E, muitas vezes, os gatos pingados nem pingavam no encontro e eu ficava lá sozinho, esperando ninguém.

O pior é que eu gostava do cara. Eu participava dos satsangs dele e entendia o que ele dizia, apesar do vocabulário espiritualista e indiano. Mas tinha inveja dele ter um montão de alunos devido ao marketing espiritualista e eu não ter quase nenhum. Até que, certo dia, me imaginei no lugar dele. Me vi barbudo e odeio barba. Me vi de bata e adoro usar roupa esportiva. Me vi falando termos espiritualista e adoro falar gírias e palavrões. Me vi tendo que cumprir um monte de rituais e não tenho saco nem para arrumar a cama. Por fim, me vi tendo que aguentar o fanatismo dos discípulos e detesto aluno bitolado. Minha inveja evaporou numa fração de segundos. Entendi que não queria aquela vida de guru para mim nem por um milhão de alunos. Minha inveja se transformou em dó. Fiquei com dó do fardo que o Prem Baba tinha que carregar diariamente.

Ter inveja é considerado errado, feio, não espiritualizado, por isso demorei para admitir. Mas sentir inveja é natural e serve para o autoconhecimento. Admitir é o primeiro passo. Só quando admiti minha inveja, pude analisá-la e ver tudo isso que contei. Se você também quer transformar sua inveja em autoconhecimento, dê o primeiro passo: admita.

Tentamos encaixar a peça quadrada no buraco triangular. Não funciona. Erramos. Tentamos encaixar a peça redonda no buraco triangular. Não funciona. Erramos. Tentamos encaixar a peça triangular no buraco triangular. Funciona. Acertamos. O mesmo processo se repete para infinitas outras aprendizagens que temos no decorrer da vida. Então, errar parece mesmo ser o único requisito necessário para aprendizagem. É errando que se aprende. Só que não! No processo de desenvolvimento pessoal, errar não é sinônimo de aprendizagem. Errar é o primeiro passo, mas não é suficiente. Além de errar é preciso admitir o erro. Enquanto não admitimos nosso erro, não aprendemos e não melhoramos como pessoas. E não me refiro a admitir o erro para os outros, mas admitir para si mesmo.

É por isso que uma das principais práticas religiosas é a confissão. Na terminologia religiosa, o erro recebe o nome de pecado. Confessar os pecados é admitir os erros. Com a advento da psicologia, os confessionários religiosos foram transferidos para os consultórios dos psicólogos. Ao invés do pecador ficar de joelhos, ele se deita em um divã, ao invés de receber uma penitência, recebe um diagnóstico e uma prática terapêutica. Mas a prática da confissão continua a mesma.

Admitir foi, é e sempre será o primeiro passo para começar um processo de desenvolvimento pessoal. É preciso parar de defender a doença para dar início ao processo de cura. Os médicos sabem disso, os religiosos sabem disso, os terapeutas sabem disso. Até aqueles que defendem suas doenças sabem disso, apenas não admitem. E por que não admitem? Porque preferem fingir um ideal. Não suportam assumir e encarar seus erros. Vivem ilhados no medo de errar. Não sabem perdoar seus erros.

Você nasce em absoluta ignorância, sem saber sequer que existe. Então, se tem algo certo na vida humana, é que você vai errar. Quer uma certeza? Pode ter certeza que você vai errar, o tempo todo, até morrer. E isso é ótimo! Isso é seu processo de despertar acontecendo. Mas quando você nega seus erros, você bloqueia seu despertar e fica atolado no remorso. É isso que acontece com Ted, o protagonista do filme Ilha do Medo. Ele comete um erro, mas não é capaz de admitir, logo, não consegue se perdoar, fica atolado no remorso. Só tem um jeito de sair da ilha do remorso e chegar na ilha do perdão, pegando uma balsa que se chama “admitir”. Essa balsa está disponível para todos, 24 horas por dia. O bilhete para entrar na balsa se chama “arbítrio”. Vai pegar a balsa hoje?

Todo dia uma velhinha passava de motocicleta pela fronteira carregando uma caixa na garupa. O fiscal da alfândega começou a desconfiar dela. Um dia, quando a velhinha vinha passando, o fiscal mandou ela parar e perguntou: “O que tem dentro dessa caixa na garupa da motocicleta?”. A velhinha respondeu: “Areia”. O fiscal duvidou e abriu a caixa. Realmente, só tinha areia dentro da caixa. Encabulado, o fiscal liberou a velhinha, mas não se deu por convencido, talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba. No dia seguinte, o fiscal parou a velhinha e examinou a caixa novamente. Só tinha areia. Durante um mês, todos os dias, o fiscal parou a velhinha e examinou o conteúdo da caixa. Era sempre areia. Cansado, frustrado e intrigado, o fiscal fez uma proposta para velhinha: “Eu prometo que deixo você passar, não dou parte, não te prendo, não conto nada para ninguém, mas a senhora precisa me dizer qual é o contrabando que está passando por aqui todos os dias”. A velhinha respondeu: “motocicleta”.

Você é igual o fiscal da alfândega. Você se preocupa com o que está acontecendo, mas jamais observa o funcionamento psicológico da sua preocupação. Você se magoa com o outro, mas jamais observa o funcionamento psicológico da sua mágoa. Você se entristece com algo, mas jamais observa o funcionamento psicológico da sua tristeza. Você odeia isso e aquilo, mas jamais observa o funcionamento psicológico do seu ódio. Enfim, você não pratica auto-observação. Por isso, não importa quantos livros de psicologia, filosofia, autoajuda e autoconhecimento você já leu e ainda lerá. Sem auto-observação é impossível produzir autoconhecimento e sem autoconhecimento é impossível você curar sua mentalidade outroísta.

O segundo passo da cura psicológica é praticar auto-observação. Só isso! Nada além disso! Auto-observação basta. Essa é a boa notícia. Com auto-observação você fica consciente e sai da ignorância, com consciência você se cura psicologicamente. Mas tudo tem um preço. A má notícia é que não há nada mais difícil do que praticar auto-observação. Por que? Porque você precisa virar o olho do avesso. Seu objeto de estudo na auto-observação é você mesmo e você foi educado na contramão da auto-observação. Você foi educado a ler livros, mas nunca foi educado a ler a si mesmo. Você não tem prática em observar seu funcionamento psicológico, você só tem prática em olhar para caixa na garupa da motocicleta, ou seja, olhar para o lugar errado.

Você fica onde foca. Se você foca na caixa na garupa da motocicleta, você fica na caixa e não descobre o contrabando de motocicletas. Se você foca nos acontecimentos do mundo externo, você fica no mundo externo e não descobre seu mundo interno (mundo psicológico). Se você foca em teorias, você fica nas teorias e não se conhece de fato, não produz autoconhecimento. Por isso não tem salvação fora da auto-observação. Sem auto-observação você permanece na ignorância. Com ignorância você fica impossibilitado de curar sua mentalidade outroísta, pois é a ignorância do seu outroísmo que perpetua seu outroísmo.

Aluno que estuda um segundo idioma não se lembra do processo que passou na infância para aprender o primeiro, então, surge no aluno a crença (equivocada) de que aprendizagem é um processo sem processo. Grande engano!

Para aprender um segundo idioma o aluno deve passar pelo mesmo processo de aprendizagem que passou para aprender o primeiro. Só que tem uma coisa no processo de aprendizagem do segundo idioma, que também teve no primeiro, mas que o aluno esquece e não está interessado em lembrar. O quê?

Repetição. Infinitas horas de repetição. Tediosas horas de repetição. O saco explodindo de não aguentar mais repetir a mesma palavra, a mesma estrutura gramatical, o mesmo som, o mesmo vocabulário, o mesmo mesmo.

Já vi alunos chorando sangue, se descabelando, fazendo promessa, implorando de joelhos, oferecendo pagar o dobro, o triplo, o que fosse preciso para aprender um segundo idioma sem precisar passar pelo processo de aprendizagem. A maioria esmagadora desiste. Alguns voltam depois, mas desistem novamente. E voltam de novo e desistem novamente. E ficam assim, rodando em círculos na estaca zero.

Mas também já vi o milagre da aprendizagem acontecendo com alunos teimosos, que pagam o preço da aquisição de uma nova competência, que suportam e sobrevivem ao tedioso processo de repetição.

Talento não é suficiente. Talento facilita, mas não substitui o processo de aquisição da nova competência. E pior! Talento que não exercitado, apodrece. Vejo pessoas com talentos apodrecidos o tempo todo. Pessoas que teimam em perpetuar o apodrecimento por não pagarem o preço do desenvolvimento de uma competência: a repetição.

Dói desenvolver uma nova competência. Dói mais ainda mudar de uma velha competência para uma nova. Mas não tem atalho. Fugir da repetição do novo é repetir o velho.

Na medicina física, o processo de análise do paciente leva ao diagnóstico da doença, o diagnóstico leva a indicação do remédio e a repetição do remédio leva a cura. Na medicina psicológica, não precisa do remédio, o processo de autoobservação já é a cura. Outroísmo só sobrevive na ignorância. Uma vez que você se observa e fica consciente sobre o funcionamento do seu outroísmo, ou seja, entende quando ele acontece, porque acontece, como acontece, etc, é o fim do seu outroísmo.

Mas se autoobservação basta, por que terceiro passo? Porque seu outroísmo não está em um ponto isolado, está espalhado por toda sua mentalidade, igual um vírus de computador. Você não tem apenas uma crença outroísta. Todo seu sistema de crenças é feito de lógica outroísta. Com autoobservação você vai detectando cada crença outroísta e se curando, porém, como são muitas crenças e sobrepostas umas as outras, requer prosseguir até o fim. E quando é o fim? Quando termina. E quando termina? Quando acaba. E como sei que acabou? Você começa a viver bem onde vivia mal.

Ninguém vive bem por acaso, milagre ou destino. Viver bem é maestria em prática. Só que ninguém é mestre por acaso, milagre ou destino também. Maestria é produto da teimosia. Assim como um neném precisa teimar em se levantar e se equilibrar para adquirir maestria em andar, você também precisa teimar em observar seu outroísmo para adquirir maestria em viver bem. Observar seu outroísmo é o segundo passo da cura psicológica, mas entre o segundo passo e a maestria há uma longa jornada de teimosia.

Para dar um testemunho, não cheguei ao fim do meu outroísmo. Nem me preocupo com isso. Me ocupo apenas de praticar autoobservação. Sei que todo resto é efeito do meu nível de autoconhecimento e maestria. Mas já caminhei um bocado na prática de autoobservação e posso afirmar que vale prosseguir. A prática faz a prática. Quanto mais pratico autoobservação, mais fácil fica praticar, mais maestria. Quanto mais maestria, melhor a qualidade das minhas escolhas, ou seja, melhor a qualidade do meu viver.

Concluindo, enquanto você não for capaz de admitir sua doença, você sequer irá começar sua viagem de cura, aliás, estará ampliando sua doença. Quando admitir, sua viagem de cura terá começado, mas é uma viagem muito muito muito longa, então, você precisa ser muito muito muito teimoso para persistir rumo a maestria, pois desistir é muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito mais fácil.

AUTOBIOGRAFIA DA CURA
Texto adaptado de Sogyal Rinpoche

Ando por uma rua.
Há um buraco.
Não vejo.
Caio no buraco.

Ando pela mesma rua.
Há um buraco.
Vejo, mas não admito.
Caio no buraco.

Ando pela mesma rua.
Há um buraco.
Vejo e admito,
mas não sei o que fazer.
Caio no buraco.

Ando pela mesma rua.
Há um buraco.
Vejo e sei o que fazer.
Dou a volta.

Ando por outra rua.

PERGUNTAS

Não! O tratamento é o segundo passo: autoanálise. O perdão acontece como consequência. Você não pratica o perdão diretamente, o perdão, tanto a si mesmo como ao outro, é resultado da prática de autociência. Sem a prática de autociência seu perdão não tem efeito nenhum. Com a prática, você nem precisa perdoar, o perdão acontece por conscientização.

Coragem é o que os outros pensam de você quando você liga o foda-se. Coragem é o que os outros pensam de você quando você pula sem a corda. Tem um fiapo de manga no seu dente. Está incomodando. Mas o fio dental está no banheiro e você está confortavelmente sentado no sofá. Levantar do sofá é doloroso, requer muito esforço, vai doer mais do que o fiapo de manga. Então, você fica sentindo a dor que julga ser menor. Só que o fiapo de manga inflama o nervo do dente. A dor fica latejante e insuportável. Você se levanta do sofá, vai até o banheiro, pega o fio dental e tira o fiapo de manga do dente. Quem te vê levantando do sofá, pensa: “Como ele é corajoso!!! Ele pulou do sofá, foi até o banheiro, pegou o fio dental e tirou o fiapo de manga do dente!!! Ele é meu herói!”. Só que não teve coragem nenhuma no seu feito. Foi a dor que te fez pular para fora do sofá. A dor era tanta que você pensou: “Foda-se! Vou pular fora desse sofá!”. E pulou!

Aceitando o desespero. Ao invés de empurrar seu desespero para fora de você, abrace-o. Diga para o seu desespero que ele é bem-vindo e pode se manifestar livremente dentro de você. Diga que está tudo bem, que ele não precisa ir embora, que pode ficar o tempo que quiser. Acolha seu desespero e você ficará em paz com o desespero.

Observando o motivo pelo qual você executa o comportamento. Se a motivação do comportamento for jogar o jogo do controle, é um comportamento outroísta. Se a motivação do comportamento é autorrealização, é um comportamento autoísta.

Você-do-presente condena você-do-passado pelos erros cometidos. Só que você-do-passado não sabia o que o você-do-presente sabe, então, não tinha como fazer diferente. Se faça consciente disso e o auto-perdão acontece por consequência.

Fazendo uma analogia com o computador, o psiquiatra mexe no hardware (cérebro) e o psicólogo mexe no software (programação mental). Se o problema é de software, não adianta mexer no hardware e vice-versa. E pior! Quando o problema é de software (programação mental), só o usuário (indivíduo) tem acesso ao problema, pois só o usuário (indivíduo) tem acesso a sua programação mental. O psicólogo funciona como um técnico em informática dando instruções pelo telefone sobre como consertar o bug no seu Windows. É difícil? É! É limitado? É! Demora? Sim, bastante. Mas é melhor que nada. Talvez no futuro seja possível conectar um cabo USB da cabeça do terapeuta para a cabeça do paciente. Por enquanto, a única porta de entrada que o terapeuta tem para acessar a programação mental do paciente, é o diálogo. Conclusão: conversinha é o que tem para hoje!

Isso que você está chamando de “mente” vamos chamar de “oceano”. Viver bem é navegar bem tanto no oceano calmo como no meio da tempestade. Se isso é difícil com autoconhecimento, sem autoconhecimento, é impossível. Faça seu melhor. Não fique esperando a tempestade passar. Pelo contrário, assuma que não irá terminar nunca, que vai até piorar. Mas que tempestade nenhuma é maior que sua capacidade de navegar bem em qualquer clima. Aproveita a tempestade para melhor sua competência em navegar. Deixe a tempestade com vergonha da sua competência.

Não lido! Ema, ema, ema, cada um com seus problemas! Lidar com suas crenças é problema seu. Professor de autociência não é conselheiro, nem guru, nem terapeuta. Meu trabalho é ajudar você a ficar consciente de como funciona seu arbítrio e de que forma esse funcionamento afeta a qualidade da sua experiência. Crenças são apenas objetos mentais. O buraco é mais embaixo. Para viver bem, ao invés de trocar uma crença por outra, você deve ficar consciente sobre o que é acreditar. Como funciona? Para que serve? Enquanto você não estiver consciente sobre o que é acreditar, pouco importa quais são suas crenças, você só irá trocar uma por outra e vai continuar vivendo mal.

Cura psicológica é cura do outroísmo. A doença psicológica humana é o outroísmo. Todas as doenças psicológicas humanas são nomes diferentes para o outroísmo.

Depende da situação e do tipo de outroísmo. Às vezes, você só consegue sair de um estado de extrema submissão experimentando um extremo sofrimento. A dor fica insuportável e você dá um “basta” na submissão. Em casos como esses, o extremo sofrimento te ajuda a finalmente sair do outroísmo submisso e entrar no autoísmo. Porém, em situações de outroísmo impositivo, o extremo sofrimento geralmente acaba alimentando ainda mais a opção pelo outroísmo impositivo. Nesse caso, é mais sábio esperar o sofrimento baixar para poder pensar melhor e optar melhor.

O objetivo da brincadeira de ser humano é autorrealização humana. Seu outroísmo é o vírus mental que bloqueia sua autorrealização. Para eliminar esse vírus, você precisa ficar consciente de tudo sobre seu funcionamento. Uma vez consciente a autorrealização acontece naturalmente. Por isso parece que o objetivo é ficar consciente do outroísmo.

Humildade é ser do próprio tamanho. Tem gente que é humilde sendo pequeno porque seu tamanho é pequeno. Tem gente que é humilde sendo grande poque seu tamanho é grande. Humildade tem a ver com justiça. Uma pessoa humilde é JUSTAmente do tamanho que é, nem mais, nem menos. Arrogância é o oposto. Arrogância é quando você quer parecer maior do que é.

(1) Deixar o outroísmo explícito. (2) Deixar a função espelho explicita. (3) Entender a relação entre 1 e 2. O que mais? Mais nada. E se não fizer isso? Não resolve o mal viver. Se fizer só parcialmente? Só resolve parcialmente.

O que vem primeiro é auto-observação. Só que auto-observação tem níveis. Admitir é auto-observação em um nível inicial. Admitir é quando você se observa e fica consciente que vive mal por causa do seu outroísmo. Uma vez consciente disso, fica inegável e você admite para si mesmo seu outroísmo. Daí, você continua praticando auto-observação para aprofundar no entendimento do funcionamento do seu outroísmo. E faz isso persistentemente, até morrer. Sendo assim, auto-observação é o começo, o meio e o fim. E admitir é o produto inicial da auto-observação.

Você já viu um buraco alguma vez na vida? Talvez você acredite que sim, mas na verdade, não, você jamais viu ou verá um buraco. Quando você vê um buraco, na verdade, o que você está vendo é ausência. Um buraco na terra é ausência de terra. Analogamente, o mesmo acontece com o sofrimento. Sofrimento é ausência de felicidade. Por isso você observa o sofrimento e não observa a felicidade. Felicidade é indicativo de que está tudo certo, de que não está faltando nada. Sofrimento é sinal de que tem algo errado, que tem um buraco na sua felicidade. Tanto felicidade como sofrimento são materiais de análise para produção de autoconhecimento. Mas a função do sofrimento é levar a restauração da felicidade, por isso, o processo de autoanálise acontece sempre a partir do sofrimento.

Tem um filme chamado “Um método perigoso” que mostra Carl Jung na época que era residente de medicina. Jung foi trabalhar em um hospício. Haviam pacientes nesse hospício que eram casos perdidos. Jung pediu para tratar desses pacientes. Os médicos disseram que já haviam usado todo tipo de remédio e nada havia resolvido. Perguntaram o que ele tinha de novo para oferecer. Jung respondeu que iria usar um novo método de cura chamado psicanálise. Os médicos perguntam como funcionava esse novo método. Jung responde: “Eu converso com os pacientes”. Imagina a reação dos PHDs da medicina ao ouvirem que Jung iria curar os loucos conversando com eles. Começaram a rir. Ora, se nem os médicos entendem o poder da análise psicológica, menos ainda os pacientes.

Porque nascemos em absoluta ignorância existencial, psicológica e pessoal. Logo, é inevitável criarmos uma mentalidade outroísta.

Seus pais não te aceitam assim, então, você finge ser assado. Seus amigos não te aceitam redondo, então, você finge ser quadrado. O casamento não aceita a libido, então, você finge ser capado. A religião não te aceita egoísta, então, você finge ser abnegado. Cada fingimento que você executa é um tijolo a mais que você coloca nas costas. Você vive soterrado, mas não deixa ninguém relar em um tijolo sequer. São seus troféus. É o fruto da sua autonegação. Anos e anos aprimorando a competência subconsciente em ser outro. Você nem sabe mais ser você. Ser outro é tudo que lhe resta. Por isso você defende seu outroísmo apesar do sofrimento.

Porque a mentalidade materialista é muito convincente.

É fundamental se permitir sofrer para fazer autoanálise. É o primeiro passo. Você deve se permitir sentir raiva, angústia, medo, remorso, frustração, tristeza, enfim, sentir todas as emoções e sentimentos desagradáveis. Porém, o segundo passo, é pensar com a cabeça ao invés de pensar com o coração. A maioria das pessoas tropeçam no segundo passo. Provavelmente esse é seu caso também.

Dei o nome de Romeu para seu marido para facilitar responder. A resposta é simples! Você permanece casada com Romeu porque opta por permanecer casada com Romeu. Ninguém te obriga a permanecer. Nada lhe impede de mudar de opção. Todo dia você acorda e continua casada com Romeu porque todo dia você diz sim para Romeu, igual você disse no dia do seu casamento. No momento em que você decidir dizer não para Romeu, pronto, será o fim do seu casamento com Romeu. Entendido isso, você pode me perguntar: E por que eu opto por continuar casada com Romeu? Eu lhe pergunto: Quem opta por permanecer casada com Romeu? Você responde: Sou eu que opto. Eu lhe pergunto: Então, por que está perguntando o motivo para mim? Eu não sei o que acontece dentro de você. Certamente você tem um motivo para optar por continuar casada com Romeu. Porém, só você tem acesso a você, então, só você pode saber o motivo. E se quiser saber, se pergunte: por que opto por permanecer casada com Romeu? Encare a resposta, seja qual for. Uma vez que você descobrir o motivo, você pode avaliar se é um bom motivo se perguntando exatamente isso: esse motivo é um bom motivo para permanecer casada com Romeu? Se você continuará casada com Romeu depois disso, não sei, você decidirá, mas você ficará mais consciente do motivo de permanecer casada e isso lhe ajudará a optar melhor.

A cura psicológica é diferente da cura fisiológica (medicina). Na cura fisiológica o doente não precisa se envolver com o processo de diagnóstico. Basta que o doente vá até um médico e reclame de alguma dor. Só isso. Todo resto do processo de descoberta da doença é executado pelo médico, os exames, o estudo de caso e o entendimento. Ou seja, o doente sai do consultório do médico no mesmo estado de ignorância em que entrou.

Na cura psicológica isso é impossível, pois a cura psicológica não é um processo que começa depois de um diagnóstico executado por um terceiro, a cura psicológica acontece conforme o doente vai ficando consciente da sua doença. Na medicina, o diagnóstico leva a cura, na psicologia, o diagnóstico é a cura.

O diagnóstico do psicólogo é terceirizado, por isso não funciona. Para que o doente psicológico se cure é preciso que ele saia do consultório do psicólogo consciente sobre sua doença. E para que isso aconteça, não adianta o terapeuta ouvir o sofrimento do doente, analisar e entregar um diagnóstico pronto, é preciso que o psicólogo funcione como um filósofo e não como um médico. É preciso que o psicólogo faça o doente ouvir seu próprio sofrimento, analise e se conscientize sobre a causa do seu sofrimento.

Qual é o psicólogo que faz isso? E pior! Qual é o psicólogo que sabe a causa do sofrimento humano, sendo que a causa não é humana, é existencial. E sendo que o psicólogo não sabe, como pode conduzir o doente a conscientização (cura)? Por isso que terceirizar o processo de análise não resolve. O que resolve é autoanalise.

Porque a nova memorização também exige repetição.

Se quiser produzir autoconhecimento, sim. Mas você não precisa ir atrás do estudo, o estudo vem até você. Toda vez que um sofrimento acontecer em você, é o estudo batendo na porta. Abra a porta e aproveite a oportunidade de estudo daquele momento. Em outro momento haverá outro sofrimento batendo na porta. É outra oportunidade de estudo. E assim por diante, até o fim das oportunidades, ou seja, até morrer.

A 1ficina não faz terapia. A 1ficina é uma escola que ensina a praticar autociência e produzir autoconhecimento. Autoconhecimento cura, ou seja, tem efeito terapêutico. O que difere a abordagem da 1ficina das tradicionais psicoterapias, é considerar que você é um ser humano e não um humano ser. Outra diferença é considerar que a natureza humana é quaternária.

Autoanálise acontece junto com a autoobservação, mas não é a mesma coisa. Autoobservação é ver o pensamento. Autoanalise é pensar o pensamento que você está vendo. Se você não estiver vendo o pensamento, não tem como você pensar o que não está vendo, por isso ambas acontecem simultaneamente, mas não são a mesma coisa.

Terapia é executar um processo consciencial (autoanálise) para realizar a cura (conscientização) de uma doença psicológica (equívoco). O que leva a duas perguntas que nenhuma escola psicológica responde: 1) O que é doença psicológica? 2) Qual é a doença psicológica humana?”. Entende o problema das psicoterapias? Como um trabalho terapêutico pode ter eficiência quando ignora qual é a doença? Doença psicológica é uma mentalidade em desacordo com sua unicidade. A doença psicológica humana é o outroísmo. Terapia é pensar o pensamento até ficar consciente do próprio outroísmo e sair dele.

Sua natureza humana é um programa consciencial similar ao sistema operacional de um computador. Autoobservação psicológica é você observando o funcionamento do seu sistema operacional humano. Só que, conforme você vai vivendo, você vai customizando seu sistema operacional humano, igual você faz com seu computador. Todo computador vem com o windows igual, mas cada usuário vai customizando seu windows para sua necessidade. A customização do seu sistema operacional humano é sua personalidade. Autoobservação pessoal é você observando o funcionamento da sua personalidade. Claro que o psicológico e pessoal estão juntos e misturados. Por isso a dificuldade em discernir um do outro.

A pior análise é aquela que você não faz.

A principal doença humana, não é humana, é existencial. Esse é o problema. A principal doença do ser humano é a ignorância sobre o que é ser humano. Ignorância é uma questão consciencial, ou seja, existencial. O doente é você-ser e não você-humano. Sua doença consciencial é dormir (estado de ignorância). A natureza humana é apenas o programa que você-ser está usando para brincar de ser humano. A natureza humana é como um carro. Você-ser é o motorista. O motorista dorme no volante e o carro cai no abismo. Que culpa tem o carro? Nenhuma! Outroísmo é efeito colateral da ignorância. Nenhum ser humano lúcido vive outroísta.

O outroísmo mais difícil de curar é o próprio. Até porque não tem outro para você curar.

Sim, mas depende da qualidade da observação. Se for uma observação ingênua, só observar não basta. Para entender o que está sendo observado é preciso que o processo de autoanálise aconteça junto com a autoobservação. Imagine uma criança e um mecânico observando o motor de carro que está com defeito. Ambos estão observando o mesmo motor, mas a criança não consegue entender qual é o problema, pois sua observação é ingênua. O mecânico entende porque sua observação é analítica. A criança só observa. O mecânico observa e analisa ao mesmo tempo. Analogamente, a autoanálise também precisa acontecer durante a autoobservação.

AULAS

FRASES

© 2023 • 1FICINA • Marcelo Ferrari