01 | SEMPRE

O que é isto que você está fazendo agora? O que é isto que você continuará fazendo a cada instante consecutivo? Você está experimentando sua história. Assim, a primeira obviedade a ser observada, é que você está sempre experimentando sua história. Cada um está sempre experimentando sua própria história.

Mas por que este estudo começa pela constatação desta obviedade? Para constatarmos outra obviedade fundamental. Qual? De que não tem como você deixar de experimentar sua história. Você está sempre experimentando sua história. Destaque total para a obviedade do “sempre”. Sempre significa que é impossível fugir deste funcionamento. É assim que funciona.

Se você tentar deixar de experimentar sua história, você irá experimentar a história de tentar deixar de experimentar sua história. Se você negar sua história, você irá experimentar a história de negar sua história. Se você fingir que sua história não lhe pertence, você irá experimentar a história de fingir que sua história não lhe pertence.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac… Não tem como fugir da própria história. Você está sempre experimentando sua história, ininterruptamente e inevitavelmente, seja qual história for. Perceber e entender isto, é simples, óbvio, e fundamental para o bem viver.


02 | DOIS TIPOS DE HISTÓRIAS

Sua história pode ser de dois tipos. Apenas dois. Isso pode parecer estranho, uma vez que parece haver uma infinidade de histórias possíveis, histórias de casamento, namoro, maternidade, paternidade, riqueza, pobreza, saúde, doença, cozinheira, lixeiro, cientista, artista, religioso, etc. Sim, realmente existem infinitas possibilidades de histórias, porém, todas se resumem a apenas dois tipos.

Seja qual for a FORMA que sua história tenha, a QUALIDADE só pode ser:

1) História feliz
2) História INfeliz

Por exemplo:

Se a forma da sua história é casamento, a qualidade só pode ser:
casamento feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é namoro, a qualidade só pode ser:
namoro feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é maternidade, a qualidade só pode ser:
maternidade feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é riqueza, a qualidade só pode ser:
riqueza feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é pobreza, a qualidade só pode ser:
pobreza feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é saúde, a qualidade só pode ser:
saúde feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é doença, a qualidade só pode ser:
doença feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é cozinheira, a qualidade só pode ser:
cozinheira feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é cientista, a qualidade só pode ser:
cientista feliz ou infeliz.

Se a forma da sua história é religiosidade, a qualidade pode ser:
religiosidade feliz ou infeliz.

E assim por diante.

Então, já temos duas obviedades constatadas:

1) Você está sempre experimentando sua história.
2) Sua história pode ser feliz ou INfeliz.


03 | QUAL É O PROBLEMA?

Você quer experimentar história feliz. Eu quero experimentar história feliz. Ele quer experimentar história feliz. Ela quer experimentar história feliz. Todos queremos experimentar histórias felizes. Ninguém quer experimentar história INfeliz. É por isto que problema é problema. Problema é história INfeliz.

Todos queremos experimentar histórias felizes e quando isso não acontece, tem algum problema. É por isto que buscamos solução. Busca por solução é busca por história feliz. Quando não há história infeliz, não há problema, se não há problema, não há o que resolver. Buscamos solução porque há problema, ou seja, porque estamos experimentando uma história INfeliz e queremos experimentar história feliz.

Sendo assim, já temos três obviedades constatadas:

1) Você está sempre experimentando sua história.
2) Sua história pode ser feliz ou INfeliz.
3) Você quer experimentar história feliz.


04 | CAUSA DA HISTÓRIA

O que faz com que sua história seja feliz ou INfeliz? Qual é a causa? A causa é você. História é efeito. Este efeito pode ser de dois tipos, feliz ou INfeliz. A causa é a mesma: você. Se você está experimentando história INfeliz, a causa é você. Se você está experimentando história feliz, a causa é você também. Cada um é criador e criatura, ou seja, causador e experimentador da própria história. Isto explica também por que você está sempre experimentando sua história, porque você é a causa do que você está sempre experimentando. Nada mais justo, não é?

Sendo assim, já temos quatro obviedades constatadas:

1) Você está sempre experimentando sua história.
2) Sua história pode ser feliz ou INfeliz.
3) Você quer experimentar história feliz.
4) Você é criador da sua história.


05 | O QUE É VOCÊ?

O maior obstáculo para compreensão de que você é criador e experimentador da sua história, é seu entendimento sobre si mesmo, sobre “você”. Quando este estudo diz que “você” é criador e experimentador da sua história, está expressando um entendimento sobre “você” que provavelmente é bem diferente do seu entendimento atual sobre si mesmo. Mas não tem problema nenhum nisso, está perfeito. Se o que está sendo explicado aqui já fosse evidente para você, não haveria necessidade de explicação. Assim, a partir de agora, para que o processo de criação da sua história (TIC TAC) fique evidente para você, vamos entender “você”. O que é você?


06 | VOCÊ É TRÊS

Você é uma UNItrindade (um e três). Todo ser é uma UNItrindade porque todo ser é um sistema. UNItrindade é a natureza de todo sistema. Todo sistema é um porque é um sistema, e três, porque tem três aspectos. Para ilustrar, podemos pensar em um relógio, por exemplo, já que o título deste estudo é TICTAC. O relógio é um porque é um relógio, mas também é três, porque tem três aspectos em si:

1) CAUSA – Mola ou bateria que estimula o funcionamento.
2) MEIO – Engrenagem que transforma o estimulo.
3) EFEITO – Movimento do ponteiro, estímulo transformado.

Analogamente, você é um porque você é um ser, e você é três, porque tem três aspectos em si.


07 | VOCÊ É NADA

Primeiro aspecto da sua UNItrindade é que você é Nada. Mas o que é Nada? Nada é nada? Não! Nada é o potencial para Tudo. Então, você enquanto Nada, é Tudo-potencial, é onde Tudo inicia. Tudo sai do Nada. Sem Você-Nada, seria impossível você experimentar Tudo que você experimenta.

Imagine uma tela de televisão. A tela da televisão é Nada. Não tem filme nenhum na tela da televisão. Não tem nada. Porém, todo os filmes passam neste nada que é a tela da televisão.

Assim, o primeiro aspecto da sua UNItrindade, é que Você é Nada, ou seja, você é Eterno Início, você é o potencial para todas as suas histórias. Todas as histórias que você já experimentou, vieram de Você-Nada. Todas as histórias que você pode vir a experimentar, também virão de Você-Nada.

Você é nada.
Você-nada é você Eterno Início.
Você-nada é você potencial para Tudo.
Você-nada é você causa da sua história.
Você nada é você-Tic.

 


08 | VOCÊ É TUDO

Você é nada e você é tudo também. E o que é tudo? Você-Nada é você-potencial para tudo, para todas as suas histórias, para tudo que você pode experimentar, tudo é você realizado. Você-nada é você eterno início, você-tudo é você eterno fim. Então, um ponto fundamental a ser observado, é que você é eterno. E isto deve mudar bastante seu entendimento sobre início e fim e também sobre o que você é.

Você é tudo.
Você-tudo é você eterno fim.
Você-tudo é você realizado.
Você-tudo é você efeito.
Você-tudo é sua história.
Você tudo é você-Tac.

Você é Tic e Tac.


09 | VOCÊ É MEIO

Você é Nada e você é Tudo. Mas sendo que você é três, o que falta para completar sua UNItrindade? Falta você-meio. Entre você-Tic e você-Tac, tem você-Meio. Entre você Eterno Início e você Eterno Fim, tem você Eterno Meio. Para que você-Nada se transforme em você-Tudo, é preciso um transformador. Este transformador é você-Meio.

Vamos ilustrar fazendo uma analogia com seu computador e este texto. Você está recebendo os impulsos da internet para ler este texto, mas para os impulsos da internet se transformarem em texto, tem o computador. Não são apenas os impulsos que você está vendo na tela, você está vendo os impulsos transformado em texto. O computador é o meio que está transformando os impulsos em texto.

O mesmo ocorre com você e com sua história. Para que você-Nada possa se transformar em você-Tudo, ou seja, em sua história, também é necessário um transformador. Este transformador é você-Meio. Você-Meio é o que faz você ser igual você. Você meio é o sinal de igual (=).

Agora está completa sua UNItrindade: Você = Você.

1) Você
2) (=)
3) Você

1) Você-Nada
2) (=)
3) Você-Tudo

1) Você-Eterno-Início
2) (=)
3) Você-Eterno-Fim

1) Você-Tic
2) (=)
3) Você-Tac

Você é eterno meio.
Você-meio é o que transforma você-nada em você-tudo.
Você-meio é você escritor da sua história.
Você-meio é você (=)

 


10 | VOCÊ SENDO VOCÊ

TicTac é você = você. Só que TicTac não é uma equivalência estática, é uma equivalência dinâmica. Tictac é Você = você, você = você, você = você, você = você… Então, TicTac é você SENDO você.

Você é o relógio da sua história.
Tic Tac é seu viver.
Tic Tac é você brincando de «eu sendo eu».


11 | GÊNESE É GERÚNDIO

Você criando sua história é a tal da gênese. Gênese é você criando você. Gênese é você-Tic criando você-Tac. CriANDO é gerúndio. Então, é fundamental observar, que gênese é gerúndio. Gênese é você criANDO você, agora, agora, agora, agora… Gênese é todo instante. Sua história não foi criada e pronto, sua história está constantemente SENDO criada por você. Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac…

Isto é semelhante a um filme de cinema. O rolo de filme é uma sequência de frames. É esta sequência de frames no gerúndio, ou seja, sendo projetada, que produz a história, o filme. A gênese do filme é gerúndio também. Um filme que a gênese fosse feita e pronto, não seria um filme, seria uma fotografia.

O mesmo com a sua história. Sem constante criação não tem como ter constante experimentação. Você experimenta sua história como filme e não como fotografia, porque gênese é gerúndio, porque você está constantemente criando sua história. Sua história é você Tictac-ANDO.


12 | HISTÓRIA HUMANA

Você sendo você, sendo você, sendo você, sendo você, tictac, tictac, tictac, tictac, tictac, tictac, é você criando sua história. Sua história é CONsequência. Primeiramente, vamos visualizar isto usando uma imagem de relógio:

 

Mas sua história não é apenas criação CONsequencial, sua história é criação CONsequencial humana. Então, você sendo você, sendo você, sendo você, sendo você, sequencialmente e humanamente, é você produzindo sua história humana. Para visualizarmos isto vamos trocar a imagem do relógio por um ser humano:


13 | FORMA E FÔRMA

Você-nada é sem forma. Você-tudo é com forma. Você-meio é o que transFORMA você-nada em você-tudo. Você-meio é você-fôrma. Sua história tem forma porque você-meio está sempre transFORMAndo você-nada em você-tudo. O que dá forma à forma, é a fôrma. Você-meio é o que dá forma à sua história.


14 | FÔRMA HUMANA

A fôrma que você-meio está usando para transformar você-nada em você-tudo, é a mentalidade humana. Você-meio é sua mentalidade humana. E a mentalidade humana também é UNItrina. Então, você-meio é uma UNItrindade dentro de uma UNItrindade. Vamos entender a UNItrindade da mentalidade humana.

Um dos três aspectos da sua mentalidade humana é a imaginação.

O que é imaginar?
Imaginar é produzir pensamentos.

Outro aspecto é a razão.

O que é raciocinar?
Raciocinar é analisar pensamentos.

O terceiro aspecto é o arbítrio.

O que é arbitrar? Ou seja, o que é optar?
Optar é realizar pensamentos.

Então, entre o Tic e o Tac, tem você-meio, e em você-meio, tem este processo do arbítrio.

Agora, sendo que você-meio é a mentalidade humana, podemos representar você-meio como sendo o cérebro.

Então, você imagina, analisa, decide e experimenta. A imagem a seguir é um exemplo disto:


15 | LIVRE PARA ERRAR

Você-meio é o que estabelece a equivalência entre você-tic e você-tac, porém, a equivalência que você estabelece pode não ser equivalente, pois você executa o arbítrio. Você opta pelo que você JULGA ser equivalente. Você busca a equivalência, porém, você busca através do julgamento. É ai que entra um ingrediente fundamental da brincadeira de Tic Tac humano. Você-meio é livre para errar no seu julgamento. Isto pode acontecer. É possível. Então, você pode optar por realizar uma história não-equivalente.


16 | ÊXITO E FRACASSO

Por você ter liberdade de errar em seu julgamento, faz-se a brincadeira. Que brincadeira? A brincadeira de êxito ou fracasso. A brincadeira de acertar no julgamento ou errar no julgamento. E, inclusive, acertar em um nível e melhorar o nível, ou seja, acertar mais ainda. Sendo assim: O que é êxito? Êxito é quando você-meio acerta em seu julgamento e você-Tic está EM equivalência com você-Tac.

O que é fracasso? Fracasso é quando você-meio erra em seu julgamento e você-Tic está SEM equivalência a você-Tac.

17 | FELICIDADE E SOFRIMENTO

Agora fica fácil entender o que é felicidade e sofrimento na experiência humana.

Felicidade é você-Tac
informando que você-meio
está obtendo êxito
em produzir equivalência.

Sofrimento é você-Tac
informando que você-meio
está fracassando
em produzir equivalência.


18 | REVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA

Sua realidade é sua história. Primeiro passo.
Realidade é efeito. Segundo passo.
Terceiro passo: efeito é passado.

E por que efeito é passado? Porque efeito vem depois da causa. A causa antecede o efeito. Por isto efeito é passado. O que você está experimentando agora e sempre é sua realidade. Realidade é efeito. Então, o que você está experimentando agora e sempre NÃO É o presente, é o passado.

Quando você entende isto, quando isto se torna óbvio para você, quando isto se torna evidente, você revoluciona sua mentalidade e sua experiência humana. Por que? Quando você acredita que a realidade que está experimentando é o presente, você está ignorando a causa da sua realidade, uma vez que você ignora a causa, que é você mesmo, você acredita que é incapaz de alterar sua realidade (efeito). A descoberta de que realidade é passado desamarra as suas mãos, lhe devolvendo a consciência de escritor da própria história (causa da própria história).


19 | VIDA É PASSADO

Colocando sua UNItrindade em termos temporais, você-potencial é o futuro, porque tudo pode ser no futuro, sua vida é o passado, potencial realizado, e você-meio é o presente, onde se dá a transformação do futuro em passado. Sendo assim, o presente não está na vida, o presente está entre o futuro e o passado, o presente está no meio, o presente está no seu viver. Viver não está na vida, viver é antes da vida, viver antecede a vida. Ou seja, é o viver que produz a vida e não a vida que produz o viver. Esta desinversão é a revolução da consciência.

Você está experimentando sua história, você está experimentando sua vida, porque seu viver, que é eterno meio, está produzindo sua vida. É seu viver que produz sua história e não sua história que produz seu viver. É seu viver que produz sua realidade e não sua realidade que produz seu viver. É seu viver que produz sua vida e não sua vida que produz seu viver. Sua história, sua realidade, é experimentADO, é passADO, é resultADO do seu viver. Por isto que, retirado seu viver, não tem sua história, sua realidade, sua vida. Vida é passado.


20 | VIVER É OPTAR

Presente é viver. Mas o que é viver? Viver é optar. Viver é arbítrio. Viver é você-meio fazendo o que você-meio faz. Viver é você-meio produzindo sua equivalência.


21 | HISTÓRIA FELIZ E INFELIZ

Você só pode ser você. Então, sua história só pode ser de dois tipos:

HISTÓRIA FELIZ

Você só pode ser você.
Você decide ser você.
Você é você.
Você é feliz.

HISTÓRIA INFELIZ

Você só pode ser você.
Você decide não ser você.
Você não é você.
Você é infeliz.


22 | HÁBITO

99% do seu viver é automático.
Viver automático é viver subconsciente.
Viver subconsciente é hábito.
Hábito é tic-replay-tac.

Entre você-tic e você-tac, tem a opção. Só que esta opção pode ser uma opção habitual, sem análise, para que tenha um replay automático desta opção. Isto é o hábito.

Você faz seu hábito e seu hábito refaz você por você.

Você faz seu hábito e seu hábito mantém sua história.


23 | BOM E MAU HÁBITO

Hábito é apenas hábito. É uma ferramenta humana. Porém, existem dois tipos de hábitos:

BOM HÁBITO
Bom hábito é aquele que lhe AJUDA a re-produzir histórias felizes.

MAU HÁBITO
Mau hábito é aquele que lhe IMPEDE de produzir histórias felizes.


24 | OUTROÍSMO E AUTOÍSMO

Assim como os diversos problemas são uma coisa só, problema, os diversos maus hábitos também são uma coisa só, OUTROísmo. Outroismo é atribuir ao outro a responsabilidade pela realização da própria história. Outroismo produz história infeliz porque é impossível viver pelo outro.

Assim como as diversas soluções são uma coisa só, solução, os diversos bons hábitos também são uma coisa só, AUTOísmo. Autoismo é atribuir a si mesmo a responsabilidade pela realização da própria história. Autoismo produz história feliz porque é impossível viver pelo outro.


25 | CONSCIENTE

Hábito é subconsciente. Então, para mudar de outroismo para autoismo você deve trazer ao consciente seu outroísmo subconsciente.


26 | AUTO-OBSERVAÇÃO

Se eu pedir para você observar sua mão, você irá colocá-la na frente dos olhos e assim, usando a visão, você irá observar sua mão. Agora, se eu pedir para você observar o que você está sentindo, como você faz isto? Usando a visão? Se eu pedir para você observar o que você está pensando, como você faz isto? Usando a visão? Se eu pedir para você observar o que você gosta, como você faz isto? Usando a visão? Se eu pedir para você observar o que é importante para você, como você faz isto? Usando a visão? Se eu pedir para você observar o que você acha certo, como você faz isto? Usando a visão? Se eu pedir para você observar sua cultura, o que você aprendeu, como você faz isto? Usando a visão?

Você não usa a visão, mas você observa tudo isso. É claro que observa. Se você não observasse tudo isto, você não teria como saber de nada disto. E você sabe. Então, como você observa tudo isso, se não é usando a visão? Simples, você tem uma visão mental. Esta visão mental se chama consciente. Observar o próprio conteúdo mental subconsciente com o consciente é fazer auto-observação.

Então, para trazer seu outroismo subconsciente ao consciente, você deve praticar auto-observação. E com a descoberta do que está lhe IMPEDINDO de produzir história feliz, naturalmente você começa a mudar de hábito e produzir história feliz. É simples assim:


27 | FIM DA HISTÓRIA

É comum as pessoas me perguntarem de onde eu tiro as coisas que eu falo e explico. A resposta é simples, eu tiro de mim mesmo. A próxima pergunta é “como?”. E a resposta também é simples, me auto-observando. É a auto-observação que deixa evidente para mim as coisas que digo e explico. Auto-observação é a solução. Com auto-observação tudo se esclarece, e com esclarecimento tudo se resolve. A única prática necessária para viver uma história feliz, para bem viver, é auto-observação.

E não poderia ser outra prática, pois o que impossibilita a história feliz, o que impossibilita o bem viver é o oposto do que a auto-observação produz. Auto-observação produz lucidez, clareza, produz consciência. O que resulta em bem viver. Pois uma vez esclarecido, entendido, consciente sobre o funcionamento das coisas, lidamos bem com as coisas. Lidar bem com as coisas é lidar bem, viver bem.

O oposto da clareza, o oposto do entendimento, o oposto da consciência, é a ignorância. Quando estamos inconscientes, quando ignoramos como as coisas funcionam, não tem como vivermos bem. Nós estamos numa experiência de criação de história humana, então, quanto mais clareza, quanto mais lucidez sobre como funciona este processo de criação de história humana, melhor podemos executar esta criação de história.

E como adquirimos esta clareza? Através da prática da auto-observação.

Conforme você for praticando auto-observação, tudo isto que foi dito neste livro, vai deixando de ser apenas uma informação, uma ideia, e vai se tornando evidente.
Então, tudo que é necessário para o bem viver, para criar história feliz, é auto-observação. Apenas auto-observação. Nenhuma prática além desta.

COM CONSCIÊNCIA TUDO SE RESOLVE, SEM CONSCIÊNCIA TUDO SE COMPLICA

Boa prática! Votos de uma história feliz.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Eu vivo no automático. Só saio do automático quando o piloto automático está me levando para merda. Daí, assumo o controle, reprogramo o piloto automático e pronto, fim do problema. Essa ideia de que se vive conscientemente o tempo todo é um equívoco espiritualista. Tente passar um minuto respirando conscientemente e verá que não conseguirá nem 30 segundos. O piloto automático (subconsciente) não é um problema, é uma ajudante incrível, só cria problema quando mal programado.

Primeiro é preciso entender que uma crença é o que é: uma crença. Só isso! Nem positiva, nem negativa. Apenas um pensamento. Sem valor e sem poder nenhum. Quem dá poder e valor a uma crença não é a crença, é quem está acreditando nela. Por exemplo, os ensinamentos cristãos são crenças que só tem poder e valor para uma pessoa que acredite nele, um cristão, mas não tem poder nenhum para uma pessoa que não acredite, como um budista, um judeu ou um ateu, por exemplo. Crença é crença, não é acreditar. É o ato de acreditar que dá valor e poder às crenças.

Dito isso, acreditar em uma crença pode possibilitar que você viva em acordo com sua unicidade ou impedir isso. Unicidade é sua individualidade. Quando você acredita em uma crença que está EM acordo com sua unicidade, você vive bem. Quando você acredita em uma crença SEM acordo com sua unicidade, você vive mal. Isso responde a primeira parte da sua pergunta, para descobrir qual crença lhe impede de viver bem, você deve pegar seu mal viver como objeto de estudo.

Vamos supor que você está vivendo mal no emprego. Você deve “virar o olho do avesso”, ou seja, praticar autoobservação, e observar tudo que acontece dentro de você quando está no emprego. Tudo que você sente e pensa. Primeiramente o que sente, que será algum tipo de sofrimento, uma vez que se trata de um mal viver. Vamos supor que, ao fazer isso, você descubra que sente tédio, porque é um emprego muito burocrático e você gosta de trabalho criativo sem burocracia.

Uma vez descoberto o tipo de sofrimento, a pergunta que você deve se fazer, é: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?” Essa pergunta vai levar você diretamente para dentro do seu sistema de crenças. Continue se perguntando, se investigando, feito um detetive: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?”. Em algum momento você terá uma EUreka. Você irá visualizar a crença em que você está acreditando e que está lhe impedindo de viver em acordo com sua unicidade.

Para exemplificar, vamos supor que seja uma crença assim: “Melhor um passarinho na mão do que dois voando”. Para deixar de acreditar nessa crença, questione-a. E atenção! Questionar não é ficar doutrinando sua crença, falando que é errada, que é uma crença limitante, blábláblá, etc. Questionar é investigar a veracidade da crença, investigar se o que ela está afirmando ser é de fato. Investigue sua crença conversando com ela. Tipo assim:

Por que é melhor um passarinho na mão do que dois voando?
Por que devo continuar acreditando nisso?
E se não for?
Não quero esse passarinho que está na minha mão, não gosto dele, então, por que continuar segurando ele?
Como posso pegar o passarinho que quero sem soltar o que não quero?
Qual é o problema de soltar esse passarinho?
E daí que pode acontecer aquilo?
Qual o problema com aquilo?

Interrogue sua crença até você se convencer que deve continuar acreditando nela, ou então, até ficar óbvio que ela não merece mais sua fidelidade. Uma vez que fique óbvio, você deu início ao processo de desacreditar na crença.

Você não precisa alterar suas crenças. Isso é desnecessário. E mais! É impossível. Crença é feita de memória e você não consegue deletar memória. O que você pode e deve fazer é alterar a forma como você se relaciona com suas memórias. Como disse no começo, uma crença é apenas uma crença, não tem nenhum poder nem valor. O poder e o valor de uma crença está em você. É você que dá poder e valor a uma crença ao acreditar nela. Então, basta você descreditar da crença que está produzindo mal viver e o bem viver reaparece.

Claro que o hábito de acreditar numa crença faz você voltar a acreditar nela e voltar a viver mal. Mas agora você está consciente do buraco que se habituou a cair e sabe como sair. Levanta, sacode a poeira, sai do buraco e segue até cair de novo, por causa do hábito. E assim até não cair mais. Pronto! Mau hábito reprogramado.

Dizem que Michelangelo pintou a Capela Sistina deitado em um andaime. Até aí tudo bem. Mas foi ele que teve que construir o andaime. Imagina, o cara louco para fazer a pintura, já imaginando todos os detalhes da imagem, mas tendo que construir uma merda de um andaime. Bem chato, né? Mas se não construísse o andaime, não pintava a capela.

Se metaforizarmos o andaime de Michelangelo, veremos que o andaime está presente em todos os aspectos da nossa vida. Representa uma chatisse, que se não for aceita e suportada, nos impedirá de chegarmos a realização de algo desejado, nos impedirá de pintar a Capela Sistina.

Vou pegar um exemplo pessoal de andaime. Eu ando de skate. Skatistas se dividem basicamente em dois grupos, os que conseguem executar kickflip e os que não conseguem. Ou seja, kickflip é uma manobra difícil, requer muita competência para ser executada. Outro dia, mudei de nível. Acertei meu primeiro kickflip. Adivinha quanto tempo tive que praticar para conseguir executar uma manobra que demora 5 segundos para ser executada?

Um ano! Um ano de tentativa e erro, erro, erro, erro, erro, erro. E vai, e vai, e vai, e vai, e vai, e vai, e vai…. e nada. E vai de novo, de novo, de novo, de novo… e nada, nada, nada. Um ano de absolutamente nada. Um ano de fracasso após fracasso. Um ano!

E minha cabeça falando assim: “Desiste dessa merda, essa merda não é pra você, você está muito velho, nem os moleques conseguem, vai fazer outra coisa, um ano tentando e ainda não conseguiu, desiste logo, não vai conseguir nunca! esquece isso!”. Não desisti. E por que não desisti? Porque já fui professor de inglês. Como assim? Explico.

Um aluno que vai aprender inglês (segundo idioma) não se lembra do processo pelo qual passou para aprender o primeiro idioma. Ninguém lembra. Então, surge a crença (equivocada) de que aprendizagem é um processo sem processo. O aluno acha, aliás, delira, que o simples ato de pagar um professor para lhe ensinar já é o suficiente para aprender. Grande engano. O professor já fala o segundo idioma porque já passou pelo processo de aprendizagem. Quem não passou pela aprendizagem ainda foi o aluno. E só tem um jeito de passar: passando.

Para aprender, o aluno deve passar pelo processo de aprendizagem. Óbvio! Só que tem uma coisa no processo de aprendizagem do segundo idioma, que teve no processo de aprendizagem do primeiro idioma, mas que o aluno esqueceu e não está interessado em lembrar. O que é?

Sim, senhoras e senhores: repetição. Infinitas horas de repetição. Tediosas horas de repetição. O saco explodindo de não aguentar mais repetir a mesma palavra, a mesma estrutura gramatical, o mesmo som, o mesmo vocabulário, o mesmo mesmo. Eu vi aluno chorando, se descabelando, fazendo promessa, implorando de joelhos, oferecendo pagar o dobro, o triplo, o que fosse preciso para aprender sem precisar passar pelo processo de aprendizagem.

Vi também muitos alunos desistirem. Muuuuuitos. A maioria desistia. Alguns voltavam depois. E desistiam novamente. E voltavam de novo. E ficavam assim, rodando em círculos na estaca zero. Mas também vi o milagre da aprendizagem acontecendo naqueles que não desistiam, que pagavam o preço da aprendizagem, que suportavam e sobreviviam ao tedioso processo da repetição.

E de tanto ver isso, repetidamente, ficou óbvio para mim que a prática faz a prática. Por isso não desisti de acertar o kickflip. Para mim é óbvio que êxito é produto da prática. Difícil é falta de prática. Só isso. Quem pratica adquire prática. Quem tem prática, executa com facilidade. Por isso, não me incomodo de repetir, repetir, repetir e repetir. Sei que a cada repetição me aproximo mais do êxito e da maestria. Nunca falha.

Claro que desisto de praticar muitas coisas. Mas são coisas que não são importantes para mim, são de pouco interesse. Dessas eu desisto logo. Quanto mais rápido desisto, melhor. Por exemplo, teve uma vez que comecei a fazer Tai Chi Chuan. Eu gostei bastante. Mas logo percebi que era algo que precisava de dedicação e não era prioridade para mim. Assim que entendi isso, desisti imediatamente. Fui gastar minha energia e minha prática com outras atividades que tinham maior prioridade.

Suponho até que futuramente, práticas como Tai Chi Chuan ou similares, se tornarão importantes para mim, e daí vou praticar, praticar, praticar muito para ficar competente nessa prática. Por enquanto, pratico, pratico, pratico outras coisas, que são as que entendo como importantes agora.

O que isso tem a ver com andaimes e realização? A tediosa e infinita repetição é o andaime que leva a competência. Só vocação não é suficiente. Vocação facilita, mas não substitui o processo de repetir para desenvolver a competência. Se não trabalhamos nossa vocação, ela não se desenvolve. E pior! Apodrece.

Eu vejo gente apodrecendo para todo lado. E por que? Por conta de não querer pagar o preço de lidar com o desprazer da repetição. E no final das contas, essas pessoas se tornam mestres em justificativa, vitimização e reclamação, porque essa é a prática que repetem diariamente.

O que me leva a conclusão deste texto e explicação do título. Podemos dividir nossa história em AC e DC. Antes do Corona e Depois do Corona. Depois do Corona é você colhendo o que esteve praticando Antes do Corona, tanto particularmente como coletivamente. Então, para saber como será Depois do Corona, pense no que esteve praticando antes.

Convivência é experiência coletiva?

Não! Experiência é sempre particular. Coletiva é a cocriação. Igual no whatsapp, cocriamos conversas coletivamente, mas cada um experimenta particularmente a cocriação coletiva no seu próprio whatsapp.

O que você tem é uma experiência que você chama de dejavu e não dejavu. A experiência é realidade. A teoria sobre dejavu que você soma a experiência, não é a experiência, é uma teoria que você soma a experiência, ou seja, é uma crença.

Não precisa. Você está recriando sua realidade a todo instante, mesmo inconsciente disso. Se você não recriasse sua realidade a todo instante, ela seria como uma fotografia, sempre a mesma fotografia. Mas ela é como um filme porque vc, consciente ou não, está constantemente e ininterruptamente recriando sua realidade.

O problema é que sua realidade está uma bosta e você recria um coco. Daí fica parecendo que é sempre a mesma merda. Enquanto você não desperta a consciência e se torna um criador consciente, não tem como ser diferente, você fica só alternando de bosta para coco e é sempre a mesma merda.

Isso que você está sempre experimentando e chama de “vida” é o passado do seu arbítrio. Então, só existe vida passada. Vida é sempre passado.

Quando você analisa sua história você pode fragmentá-la em quantas partes quiser para análises especificas. Casamento, trabalho, família, saúde, lazer, por exemplo. Você pode fragmentar inclusive uma parte em subpartes, por exemplo, alimentação matinal, alimentação diurna e alimentação noturna. Enfim, você pode fragmentar sua história do jeito que quiser e analisar com o critério de feliz ou infeliz. E você pode sim fazer uma escala de graus infinitos do extremo feliz ao extremo infeliz, ou seja, nuances. Claro que o resultado de um fragmento da sua história não é sua história inteira. Só que você esquece disso. E por quê? Vamos entender isso.

Imagine um lençol branco. Olhe para esse lençol. Você está vendo o lençol? Sim, você está. Agora coloque um pontinho preto de tinta no meio desse lençol. Olhe para esse lençol. Você ainda está vendo o lençol? Não está mais! Agora você só está vendo o pontinho preto. O lençol desapareceu!

PENSAMENTO SÓ VÊ PROBLEMA. Você nunca pensa no que está bem, só pensa no que está mal. Seu corpo está funcionando 99,999999% bem, com exceção de um fiapo de manga no seu dente. No que você pensa? Que você está respirando bem? Que seu coração está bem? Que seu pescoço está bem? Enfim, que 99,999999% está bem? Claro que não! Você pensa que ESTÁ INFELIZ porque tem um fiapo de manga no seu dente. É só nisso que você consegue pensar até tirar o infernal fiapo de manga do seu dente. E o resto da sua história? Não tem resto! Só tem a história de São Jorge contra o Dragão de Manga. PENSAMENTO SÓ VÊ PROBLEMA. É assim que pensamento funciona. E quem deve perceber que é assim e lidar bem com isso, é você, porque pensamento não percebe nada, pensamento é funcionário seu, apenas funciona.

Coragem é o que os outros pensam de você quando você liga o foda-se. Coragem é o que os outros pensam de você quando você pula sem a corda. Vou usar um exemplo para esclarecer isso. Tem um fiapo de manga no seu dente. Está incomodando. Mas o fio dental está no banheiro e você está confortavelmente sentado no sofá. Levantar do sofá é doloroso, requer muito esforço, vai doer mais do que o fiapo de manga. Então, você fica sentindo a dor que julga ser menor. Só que o fiapo de manga inflama o nervo do dente. A dor fica latejante e insuportável. Você se levanta do sofá, vai até o banheiro, pega o fio dental e tira o fiapo de manga do dente. Quem te vê levantando do sofá, pensa: “Como ele é corajoso!!! Ele pulou do sofá, foi até o banheiro, pegou o fio dental e tirou o fiapo de manga do dente!!! Ele é meu herói!”. Só que não teve coragem nenhuma no seu feito. Foi a dor que te fez pular para fora do sofá. A dor era tanta que você pensou: “Foda-se! Vou pular fora desse sofá!”. E pulou!

Primeiro vamos definir evolução. Como você está brincando de ser humano, vamos definir evolução como ampliação da maestria em ser humano. Dito isso, evolução é só pela dor. Você só pensa porque dói. Você só pensa para evitar dores futuras e resolver dores presentes. O pensamento é uma máquina de resolver dor, em outras palavras, máquina de resolver problemas. Sem dor o pensamento não acontece. Você está constantemente pensando porque está constantemente vivendo e viver é dolorido. E mais! Viver é dor insolúvel, igual fome. Assim como você nunca resolve a dor da fome, você também nunca resolve a dor de viver. O que você pode fazer é ficar mestre em LIDAR BEM com a dor de viver. Ampliar sua maestria na SOLUCIONÁTICA da insolúvel PROBLEMÁTICA. Isso é evoluir. Então, você evolui para sofrer menos. Esse é o motivo. O sofrimento é o mestre. Felicidade não ensina nada. Felicidade é apenas a comprovação de que você aprendeu com o sofrimento.

Porque não é do dia pra noite que você reprograma um hábito. Você pode pensar que seu outroísmo é um grande bloco de gelo, tipo um iceberg. Um bloco de gelo é feito de partículas de água. Analogamente, seu outroísmo é feito de partículas de outroísmo. Então, para “derreter” seu outroísmo, não basta derreter apenas uma partícula, é preciso derreter o iceberg inteiro, partícula por partícula, passo a passo

Em última análise, você sempre foge da mesma coisa, do sofrimento. Mas como o sofrimento é feito fome, que quanto mais você ignora mais aumenta, quanto mais você foge mais você sofre e assim por diante. Por isso é difícil resolver o sofrimento embora baste você decidir parar de fugir. As vezes me chamam de mestre. Entendo porque. Mas é um equívoco. Só existe um mestre no universo: o sofrimento. E o sofrimento é infalível no ensino de criar história feliz. Então, nossa aprendizagem é inevitável. Podemos adiar. Podemos e adiamos, adiamos, adiamos… Porém, quanto mais adiamos mais forte fica o sofrimento, então, mais poderosa está sendo a lição.

Pergunta clássica sobre o sofrimento:

__Estou sofrendo! Como resolvo isso?
__Sofrendo!

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