Albert anda pela sala ajeitando os óculos de aro grosso.
— O ponto é que não tem ponto! — diz Albert, com um sorriso que parece desafiar todas as leis da física que ele mesmo ajudou a estabelecer.
— Não tem ponto? — exclamou um aluno no fundo, com uma incredulidade quase cômica.
— Tem, mas não tem! — continuou Albert — Esse é o ponto onde reside o equívoco do materialismo. Tem o ponto, só que o ponto não é um ponto no espaço, igual expliquei na teoria da relatividade, é outro tipo de ponto. Tão óbvio, tão ridiculamente evidente, que todos nós, eu incluso, ignoramos por décadas!
Um aluno, com a testa franzida, faz um pedido a Albert:
— Por favor, professor, repete novamente!
Albert ri amistosamente.
— Na infância, quando me deitava no chão e ficava olhando as estrelas no espaço, acreditava que era um ponto contido no espaço, tal como todos os outros corpos no espaço.
— É assim mesmo, professor, não? — diz um aluno, expressando a convicção de todos ali.
— Ah, é o senso comum, não é? — responde Albert — Parece que é assim. É quase impossível perceber que não é assim, mas eu lhes digo, com a convicção de quem finalmente acordou de um sono dogmático: não é assim.
— Como é então, professor? Qual é esse ponto que tem, mas não tem? — disse um aluno com a voz cheia de expectativa.